A judicialização das campanhas eleitorais
Desde o dia 16 deste mês, quando a propaganda eleitoral foi oficialmente liberada, o Brasil bateu recorde de disputas judiciais no TSE — mais de 200 representações, 140% acima do volume registrado no mesmo período de 2022. O Pardal — ferramenta da Justiça Eleitoral que permite à cidadã e ao cidadão comunicar irregularidades relacionadas à propaganda — já contabiliza 77 denúncias de irregularidades em Santa Catarina, dentro de um total nacional de 2.072.
Os números impressionam, mas o que interessa ao eleitor catarinense é uma pergunta mais direta: isso também está acontecendo aqui? E a resposta, sem meias palavras, é sim. Não é preciso ir muito longe para perceber que Santa Catarina reproduz, em escala estadual, o mesmo fenômeno que atormenta o TSE em Brasília. O Tribunal Regional Eleitoral catarinense já analisa ações envolvendo impulsionamento de conteúdo negativo contra adversários — a mesma prática que lidera o ranking de denúncias no país. Não é coincidência: a disputa pelo governo do Estado, com nomes como Jorginho Mello (PL), João Rodrigues (PSD) e Gelson Merisio (PSB) na briga, tem tudo para seguir até a régua nacional de ataques via redes sociais, cortes de vídeo fora de contexto e big techs de campanha trabalhando por trás dos bastidores.
Com 692 candidaturas registradas neste pleito e um prazo do TRE-SC para julgar todos os processos até 14 de setembro, o volume de disputas tende a crescer, não a diminuir, à medida que a corrida se aproxima da reta final. E aqui vai minha opinião sem rodeios: o eleitor catarinense precisa se acostumar a filtrar o ruído. Nem toda denúncia é grave, nem toda liminar de vídeo excluído prova má-fé de quem processou.
Agora, com a campanha oficialmente nas ruas, a tendência é de aumento da temperatura. É importante fiscalizar. Mas há uma diferença entre combater abuso e transformar a Justiça Eleitoral em extensão da campanha. Quando cada postagem vira representação e cada crítica vira pedido de remoção, corre-se o risco de judicializar o debate político em vez de vencê-lo no voto.
Santa Catarina precisa de uma eleição dura, porque democracia pressupõe confronto de ideias. Mas precisa ser, sobretudo, uma eleição em que adversários sejam enfrentados nas urnas — e não apenas nos processos.

Na pauta de Lula
Na entrevista exclusiva à TV Record, Lula defendeu o fim da escala 6×1 e da chamada “taxa das blusinhas”. O presidente afirmou que é preciso avançar na discussão sobre a jornada de trabalho e rever a tributação no comércio exterior. Os dois temas estão em debate no Congresso e fazem parte da agenda defendida pelo governo. Lula também falou sobre a relação com o presidente dos EUA, Donald Trump, e afirmou que a conversa entre os dois é respeitosa, apesar das divergências entre os governos.

Segurança e nostalgia
Lula aproveitou a entrevista para defender a criação de um Ministério da Segurança Pública e propor um pacto entre governo, Câmara e Senado para enfrentar o feminicídio. O presidente também defendeu ações de reeducação dos homens. Em outro momento, disse sentir saudade de políticos de outras épocas e criticou o ambiente de radicalização e confronto da política atual e criticou candidatos que apostam em “pirotecnia” em vez de apresentar dados, citando a queda da inflação e do desemprego como resposta às críticas da oposição.

Interferência estrangeira
A possibilidade de interferência estrangeira nas eleições brasileiras entrou no radar dos eleitores. Pesquisa Datafolha mostra que 50% veem alguma chance de outros países interferirem no pleito de outubro. Desse grupo, 32% consideram a eventual interferência um problema, enquanto 18% não enxergam a questão dessa forma. Outros 43% descartam essa possibilidade e 8% não souberam responder. O levantamento, registrado no TSE sob o código BR-04496/2026, ouviu 2.058 eleitores entre os dias 18 e 20 deste mês, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Temor em alta
O resultado aparece em um ambiente de crescente preocupação com declarações e medidas de líderes estrangeiros em relação à eleição brasileira. O governo Donald Trump já aplicou sobretaxas a produtos do país e voltou a discutir sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Segundo o Washington Post, Trump também planejava enviar assessores ao Brasil para questionar a integridade e a transparência do processo eleitoral. O tema, que já chegou ao governo e campanha de Lula, ganha agora um componente revelado pela pesquisa registrada no TSE sob o código BR-04496/2026: metade dos eleitores admite enxergar algum risco de interferência externa.

“Não chamem para a mesma mesa”
Dizem que há certas pessoas que, quando colocadas na mesma mesa, não deixam nem o cafezinho em paz. É mais ou menos assim que está o clima entre as deputadas federais Júlia Zanatta (PL) e a estadual Paulinha (Podemos), ambas candidatas à Câmara. Depois de Júlia cobrar a presença de Flávio Bolsonaro no material de campanha de Paulinha e questionar a participação de Jorginho Mello na construção da nominata, a deputada do Podemos reagiu nas redes sociais. Sem citar Júlia, negou qualquer “troca de cargos e favores” e afirmou que a nominata foi construída pelo próprio partido.

“Do nosso, cuidamos”
Paulinha também criticou o que chamou de ‘intolerância, ódio e radicalidade’ e disse que o eleitor catarinense, inclusive o de direita, está cansado desse tipo de comportamento. ‘O voto é um direito pessoal intransferível’, afirmou. No recado mais direto, completou: ‘Dos partidos e dos seus, cuidamos nós; Pelo jeito, a campanha mal começou e a mesa já está pequena para tanta discussão’.

Púlpitos vazios
O tradicional debate da Band começou com três púlpitos vazios. Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não compareceram ao primeiro confronto presidencial de 2026, deixando o palco reduzido a Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). A ausência de Zema também foi questionada por Renan, que disse que não entendeu e classificou a decisão como “desrespeito gigantesco”. Caiado também criticou os ausentes. A Band manteve vazios os espaços destinados aos três candidatos, e a ausência se tornou parte do próprio cenário do debate.

Segurança Pública
A segurança pública ocupou boa parte do primeiro debate presidencial da Band. O tema federal em Estados dominados pelo crime organizado e chegou aos púlpitos vazios de Lula e Flávio Bolsonaro, pela ausência. Ronaldo Caiado defendeu redução da maioridade penal e chegou a criticar os políticos pela ausência. Augusto Cury abordou educação e inclusão. O confronto também teve críticas à corrupção. Cada fala, uma referência às controvérsias envolvendo o clã Bolsonaro e às investigações sobre lobby no governo federal.






