Convenções encerram o tempo da articulação
As convenções partidárias praticamente encerraram a fase de articulações e abriram um novo momento da eleição em Santa Catarina. Depois de meses de negociações, alianças e definições de chapas, o foco deixa os bastidores e passa a ser o eleitor. Com os principais candidatos homologados, a campanha entra na reta decisiva antes do início oficial da propaganda eleitoral.
O PL confirmou a candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello, consolidando a aliança com o Novo ao escolher Adriano Silva para vice. A chapa ao Senado, formada por Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro, reforça a estratégia de integrar a disputa estadual ao projeto nacional do partido.
Na oposição, o PSD concluiu uma ampla composição com MDB, Progressistas e União Progressista. João Rodrigues terá Carlos Chiodini como vice, simbolizando o rompimento do MDB com a base do atual governo. Para o Senado, a aliança aposta na experiência de Esperidião Amin e na força eleitoral de Antídio Lunelli.
Apesar de Jorginho e João concentrarem as maiores estruturas políticas, o cenário não se resume aos dois. Gelson Merisio (PSB) busca consolidar uma alternativa apoiada pela federação de esquerda, enquanto Marcelo Brigadeiro (Missão), Ralf Zimmer (PRD), Lais Chaud (UP) e Marcus Sodré (PSTU) ampliam a oferta de candidaturas ao governo.
Se a disputa pelo Executivo tende a concentrar as atenções, a corrida ao Senado desponta como uma das mais competitivas dos últimos anos. Esperidião Amin, Antídio Lunelli, Caroline de Toni, Carlos Bolsonaro, Décio Lima e Afrânio Boppré representam diferentes campos políticos e prometem uma eleição sem favoritos absolutos, como mostram algumas pesquisas, para as duas vagas em disputa. A tendência é que a eleição para o Senado tenha dinâmica própria e, em determinados momentos, até ofusque a disputa pelo governo.
A partir do próximo dia 16, começa oficialmente a campanha. Será o momento em que alianças e estratégias darão lugar ao confronto direto por propostas e votos.

Convicção
Ao oficializar sua candidatura à reeleição, o governador Jorginho Mello (PL) fez questão de reforçar um dos principais argumentos que pretende levar para a campanha: a relação com os prefeitos. Em entrevista antes da convenção, afirmou que foi o governador que “mais apoiou os prefeitos de Santa Catarina” e disse que quem negar esse fato “não está sendo justo e não está sendo verdadeiro”. Para sustentar a tese, Jorginho afirmou que sua gestão foi marcada pela liberação de convênios e pela execução de obras.

Recado
Ao ter o nome homologado como candidato ao governo, João Rodrigues (PSD) deu o tom do discurso que pretende adotar na campanha. Em entrevista coletiva, afirmou que quer “humanizar Santa Catarina e despolitizar o governo”, defendendo que a administração estadual não pode ser conduzida sob a lógica partidária. A declaração é também um recado indireto ao governador Jorginho Mello (PL), ao afirmar que “o governo não pode ter partido político e não pode ter uma sigla acima dos interesses do catarinense”.

Vaidade
Jair Renan Bolsonaro, candidato a deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, protagonizou um momento de bastidor antes do início da convenção do PL. Incomodado com o lugar que havia sido reservado para ele no palco, em uma das extremidades, Jair Renan reclamou com a organização e pediu para ser reposicionado. O pedido foi atendido, e acabou sendo colocado no centro, ao lado do irmão, Carlos.

Ordem de chegada
A cena chamou atenção porque a disposição dos candidatos seguia, em tese, a ordem da chamada feita pelo locutor, reunindo todos os postulantes a deputado federal e estadual da coligação. Embora a organização nem sempre respeitasse rigorosamente a ordem alfabética, os demais permaneceram nos lugares designados. Jair Renan, porém, fez questão de mudar de posição, num gesto que transmitiu mais preocupação com a visibilidade no palco do que com a liturgia do evento.

Queixa-crime
A deputada federal Daniela Reinehr (PL) ajuizou uma queixa-crime contra Jeferson Thiago Grinwald Schwerz, secretário parlamentar do deputado federal Zé Trovão (PL-SC) e administrador do perfil “Politicamaravilha”, no Instagram.
A parlamentar acusa o assessor de promover uma campanha de ataques à sua imagem por meio de vídeos e publicações que considera ofensivos e desinformativos no período pré-eleitoral. Na ação, também pede a retirada imediata dos conteúdos. A cidade de Maravilha, no Oeste, é reduto eleitoral da parlamentar.

Caso vai para Justiça Eleitoral
O pedido de remoção das publicações ainda não foi analisado. Antes de examinar o mérito da ação, o juiz da Comarca de Maravilha entendeu que os fatos podem configurar crime eleitoral e determinou a remessa do processo à Justiça Eleitoral.
Em parecer anterior, o Ministério Público havia se manifestado contra a concessão da liminar, avaliando que o pedido era amplo e envolvia publicações de natureza política.

Reforço no caixa
Outra bandeira da mobilização é a aprovação das PECs 231/2019 e 25/2022, que garantem um adicional de 1% no Fundo de Participação dos Municípios no mês de março. A CNM argumenta que o reforço é fundamental para aliviar a pressão sobre as contas municipais diante do aumento de despesas obrigatórias.

Pressão municipalista
A CNM (Confederação Nacional de Municípios) convocou prefeitos para uma mobilização em Brasília, nos dias 11 e 12 deste mês, de olho no esforço concentrado do Congresso antes das eleições.
A prioridade é aprovar a PEC 253/2026, que permite às entidades municipalistas acionarem diretamente o STF para contestar leis que imponham despesas aos municípios sem indicar fonte de custeio.

Últimas vagas
As chapas de Antídio Lunelli (MDB) e Esperidião Amin (PP) ao Senado já têm definidos os primeiros suplentes, mas ainda aguardam a escolha da segunda suplência.
Antídio terá como primeiro suplente o ex-prefeito de Araquari, Clenilton Pereira (União Progressista), enquanto Amin contará com o deputado estadual Volnei Weber (MDB).
Nos bastidores, os nomes mais cotados para completar as chapas são a vereadora Jade Martins (MDB), de Balneário Camboriú, e o ex-prefeito de Nova Veneza, Genésio Spillere (PP). A definição deve ocorrer hoje, antes do encerramento do prazo das convenções.





