Grande Florianópolis e o paradoxo da representação
A Grande Florianópolis sempre ocupou posição estratégica nas eleições catarinenses. Afinal, abriga a capital do Estado, que segue como o segundo maior colégio eleitoral de Santa Catarina. O que mudou nos últimos anos foi a força do entorno.
Somados, Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu reúnem 826.732 eleitores, formando um bloco capaz de influenciar diretamente a eleição tanto para o Executivo quanto para o Legislativo. É um eleitorado cada vez mais integrado pela dinâmica metropolitana, mas que continua fragmentado do ponto de vista da representação política.
O contraste fica ainda mais evidente quando comparado a outras regiões do Estado. No Norte, lideranças empresariais e políticas de Joinville iniciaram um movimento para convencer o eleitor a votar em candidatos comprometidos com os interesses locais. O mesmo ocorre em Criciúma, no Sul, onde o discurso da representação regional voltou ao centro da estratégia eleitoral.
A Grande Florianópolis, ao contrário, segue fragmentada politicamente. Cada município olha para seus próprios interesses, enquanto o eleitor acaba pulverizando votos entre candidatos de diferentes regiões do Estado.
Essa fragmentação também explica o comportamento do eleitorado. Florianópolis continua sendo um ambiente de forte voto de opinião, altamente influenciado pelo debate ideológico nacional. Já São José e Palhoça passaram por uma transformação silenciosa. O crescimento populacional, a expansão imobiliária, a chegada de novas empresas e o fortalecimento do comércio criaram um eleitor mais pragmático, menos interessado em disputas ideológicas e mais preocupado com infraestrutura, emprego e qualidade dos serviços públicos. Biguaçu acompanha esse movimento e deixa de ser um município periférico para assumir o papel importante na balança na região metropolitana.
Esse novo desenho regional muda a lógica das campanhas proporcionais. Não basta mais construir uma candidatura apenas no varejo político ou depender do apoio de prefeitos e vereadores. Será preciso oferecer uma agenda metropolitana. Mobilidade, transporte coletivo integrado, saneamento, expansão urbana e os efeitos do Contorno Viário da Grande Florianópolis deixaram de ser problemas municipais para se tornarem demandas comuns de mais de 800 mil eleitores.
A eleição deste ano pode marcar justamente essa inflexão. Se outras regiões já compreenderam que representação política também significa capacidade de pressionar Brasília e o governo estadual, a Grande Florianópolis ainda precisa decidir se continuará exportando votos ou se passará a eleger representantes comprometidos com seus próprios interesses.

Vice na pauta
A convenção do PL, marcada para 1º de agosto, que contará com a presença do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), terá mais do que a homologação da candidatura do governador Jorginho Mello (PL) à reeleição. Flávio chega a Santa Catarina no dia 31, e terá uma reunião reservada com Jorginho e a deputada federal Júlia Zanatta (PL). Nos bastidores, a principal pauta é a possibilidade de a parlamentar catarinense ser escolhida como candidata a vice na chapa presidencial do PL, hipótese que vem ganhando força nas articulações do partido.

Caça ao javali
O deputado Lucas Neves (Republicanos) encaminhou requerimentos aos órgãos federais e estaduais após reunir controladores de javali em audiência pública na Alesc. À Polícia Federal, pede redução dos prazos para autorizar armas e munições dos caçadores, que chegam a dois anos. Ao Ibama, solicita simplificar relatórios que hoje são feitos duas vezes por ano. Ao ICMBio, autorização para controle em parques federais. Ao governo estadual, revisão das exigências do decreto que criou novas obrigações aos controladores, como cursos e exames. Os requerimentos do parlamentar catarinense também cobram dados públicos anuais sobre quantos javalis foram abatidos.

Restrições
Com o governador Jorginho Mello (PL) fora das agendas de inauguração por conta das restrições eleitorais, a missão de representar o governo nas entregas de obras ficou com os secretários. Ontem, a titular da Educação, Luciane Ceretta, participou em Florianópolis da inauguração do novo ginásio da EEB Jurema Cavallazzi, e em Biguaçu, da reforma e ampliação da EEB Prefeito Avelino Müller. As obras atendem reivindicações antigas das comunidades escolares e integram o cronograma de investimentos do governo na área.

Skaf na FIESC
O empresário Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), estará amanhã na sede da Fiesc, em Florianópolis, a convite do presidente Gilberto Seleme, para participar da reunião de diretoria da entidade. Entre os assuntos que devem dominar o encontro está o impacto do chamado tarifaço sobre a indústria brasileira, tema que preocupa especialmente o setor exportador catarinense.





