A democracia enfrenta novos testes
A cada eleição, a Justiça Eleitoral é chamada a cumprir uma missão que vai muito além da organização da votação. Se no passado o desafio era garantir que milhões de eleitores encontrassem a urna correta no dia da eleição, hoje a tarefa envolve proteger a confiança da sociedade em um ambiente cada vez mais complexo, acelerado e sujeito a novas formas de manipulação.
Ao abordar os preparativos para as eleições deste ano, o presidente do TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral), desembargador Carlos Roberto da Silva, resumiu o momento ao destacar que os desafios já não se limitam ao processo de votação, mas à preservação da credibilidade do próprio sistema eleitoral.
Há desafios que já conhecemos e que, infelizmente, seguem à espreita. A abstenção continua sendo uma ferida crônica: parcela do eleitorado que, por descrença, desinteresse ou dificuldade prática, deixa de comparecer às urnas, corroendo aos poucos a legitimidade de quem se elege. A litigiosidade eleitoral também cresce, pleito após pleito: mais ações, mais recursos, disputas judicializadas por margens cada vez mais estreitas. E persistem os ilícitos de sempre: compra de votos, fraude, descumprimento de cotas de gênero, violência política e assédio eleitoral.
Mas os desafios de agora são de outra natureza. A Inteligência Artificial inaugurou uma era em que imagens, vozes e vídeos podem ser produzidos com impressionante grau de realismo em poucos segundos. A tecnologia, por si só, não representa uma ameaça. O problema surge quando passa a ser utilizada para induzir o eleitor ao erro, fabricar narrativas ou comprometer a integridade do debate público. A fronteira entre inovação e fraude tornou-se muito mais estreita.
Ao lado dela está a desinformação em escala industrial. Não se trata mais de um boato que circula entre grupos isolados, mas de conteúdos produzidos de forma coordenada, impulsionados por redes automatizadas e algoritmos capazes de ampliar artificialmente seu alcance. O desafio da Justiça Eleitoral deixa de ser apenas jurídico e passa a ser também tecnológico.
Há ainda desafios mais prosaicos, mas não menos relevantes. Filas longas no dia da votação parecem detalhe diante da inteligência artificial, mas não são: desestimulam o eleitor, alimentam desconfiança e, em casos extremos, sustentam narrativas de fraude sem qualquer lastro na realidade.
No fim das contas, todos esses desafios convergem para um mesmo ponto: preservar a confiança no resultado das urnas. Como destacou o desembargador Carlos Roberto da Silva, esse é hoje o maior patrimônio da Justiça Eleitoral. E essa não é uma responsabilidade exclusiva dos tribunais. Exige o compromisso das instituições, dos partidos, das plataformas digitais, da imprensa e dos próprios eleitores.

Agenda calculada
A campanha de Jorginho Mello (PL) fez as contas e definiu quais debates integrarão a agenda do governador na disputa pela reeleição. O candidato participará dos encontros promovidos por NDTV, SCC, NSC TV e Acaert. Nos bastidores, a avaliação é que quatro debates são suficientes para alcançar os principais públicos do Estado, preservando espaço na agenda para compromissos administrativos, entrevistas e sabatinas durante o período eleitoral.

Debate
João Rodrigues (PSD) confirmou que participará de todos os debates e sabatinas da campanha ao governo. Segundo o pré-candidato, o compromisso é aproveitar cada encontro para apresentar o plano de governo, mostrar propostas para o Estado e debater soluções para colocar Santa Catarina no caminho certo: “Se for preciso ficar mais tempo na estrada para participar de um debate, esticar a agenda ou até passar a noite sem dormir, a gente vai fazer”. Ele já confirmou a presença em dez debates.

Usurpação
Ao discursar durante a convenção do PDT, na Assembleia Legislativa, o pré-candidato ao governo Gelson Merisio (PSB) elevou o tom. Acusou o bolsonarismo de tentar “usurpar” os valores de Santa Catarina e criticou o que classificou como um projeto de sucessão familiar no Estado, citando a presença dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no cenário político catarinense. Para Merisio, a disputa deste ano vai além da eleição e representa uma definição sobre o modelo político que prevalecerá nos próximos anos.

Encontro
O PL de Balneário Camboriú promove hoje, a partir das 18h22, um encontro de filiações e confraternização na sede do partido. O evento é organizado pelo deputado estadual Carlos Humberto (PL), atual presidente do diretório municipal. A atividade reforça o novo momento de reestruturação da sigla na cidade. O encontro ocorre exatamente um mês após a inauguração do espaço físico do partido, que após anos sem local próprio para reuniões, volta a reunir lideranças e novos filiados para alinhar diretrizes políticas.

Mudança de vento
A pesquisa RealTime Big Data divulgada ontem indica que a disputa presidencial continua longe de um desenho definitivo. Lula (PT) mantém a trajetória de recuperação da aprovação do governo, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) interrompe a queda nas intenções de voto, mas amplia sua rejeição. Renan Santos (Missão) cresce e passa a flertar com os dois dígitos. No campo da oposição, Ronaldo Caiado (PSD) aparece como o nome mais competitivo diante de Lula no segundo turno, enquanto Romeu Zema (Novo) perde terreno após o embate com o bolsonarismo.





