Disputa eleitoral migrou para os tribunais; Baixa renovação; Sem visitas; entre outros destaques

Disputa eleitoral migrou para os tribunais

A campanha eleitoral só começa oficialmente em 15 de agosto. Na prática, porém, a corrida está em andamento – e os primeiros embates não acontecem nos palanques, mas nos tribunais. A judicialização da pré-campanha deixou de ser exceção para se tornar estratégia.

Em Santa Catarina, por exemplo, PSD e PL já acumulam dezenas de representações no Tribunal Regional Eleitoral. Boa parte das ações envolve alegações de propaganda eleitoral antecipada, impulsionamento ilegal de conteúdo e questionamentos sobre divulgação de pesquisas. O processo judicial deixou de ser apenas consequência da campanha. Passou a integrar o planejamento político.

Para analistas, acionam a Justiça deixou de ser recurso de última hora e passou a compor o próprio planejamento de campanha. Cada ação tem dois objetivos: conter o desgaste da própria imagem e forçar a retirada de conteúdos prejudiciais publicados pelo adversário.

Há também um cálculo de mais longo prazo. As primeiras decisões da Justiça Eleitoral funcionam como termômetro do que poderá ou não ser explorado ao longo da disputa. Testar os limites agora permite a cada pré-candidato calibrar o discurso antes mesmo do período oficial.

Desgastar o adversário antes do registro de candidatura tem lógica própria. Uma narrativa negativa que se instala cedo — mesmo que depois seja derrubada judicialmente — deixa rastro na percepção do eleitor.

A aceleração dessas disputas tem endereço técnico. Vídeos de marketing político, produção massiva de conteúdo e inteligência artificial mudaram o ritmo da pré-campanha. Se antes a campanha ganhava força apenas com o horário eleitoral no rádio e na televisão, hoje ela é permanente. O pré-candidato precisa manter presença digital, gerar engajamento e disputar espaço nos algoritmos.

Deepfakes e desinformação se espalham em horas — e os algoritmos tendem a premiar o discurso mais agressivo em detrimento do mais equilibrado, que acaba com menos alcance.

A tendência é que essa judicialização se intensifique à medida que a eleição se aproxima. As decisões tomadas agora poderão definir os limites do debate político durante a campanha oficial. Para o eleitor, o desafio será distinguir o que é disputa jurídica legítima do que faz parte de uma estratégia de comunicação. Afinal, a eleição começa nas urnas, mas, cada vez mais, também nos tribunais.

Reeleição

Levantamento do Diap aponta que 448 dos 513 deputados federais; 87,32% da Câmara, pretendem disputar a reeleição, número que supera o registrado em 2022 e pode ser o maior da série histórica. O estudo cruza pesquisas, portais locais e contatos com partidos, mas os dados ainda podem mudar até as convenções. O fenômeno é atribuído à força das estruturas partidárias, ao acesso a recursos de campanha e ao endurecimento das regras para legendas menores.

Baixa renovação

Dos 65 deputados que hoje não aparecem como pré-candidatos à reeleição, boa parte mira outros cargos: Senado, governos estaduais, vice-governos, assembleias legislativas e até a vice-presidência. Só para o Senado, 42 nomes são cotados. Se parte desse grupo recuar e voltar à disputa pela Câmara, o total de candidatos à reeleição pode chegar a 495 – reforçando ainda mais o quadro de baixa renovação no Congresso.

Contradição

A passagem da deputada federal Caroline De Toni (PL) por São José revelou uma curiosidade política. Em publicação nas redes sociais, a pré-candidata ao Senado aparece ao lado de vereadores do MDB, PSD e União Brasil, todos da base do prefeito Orvino Coelho de Ávila (PSD). Nos bastidores, a cena levantou uma pergunta: o MDB deixou de ser problema? Durante as discussões sobre a formação da chapa de Jorginho Mello, o partido era tratado por setores do bolsonarismo como um obstáculo para ocupar a vaga de vice. Agora, quando o assunto é apoio à candidatura de Caroline ao Senado, a presença de emedebistas parece não causar qualquer desconforto. Política também tem dessas.

Sem visitas

O STF suspendeu o direito de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo prazo de 30 dias. Profissionais de saúde, fisioterapeutas e advogados mantêm a autorização de acesso contínuo ao local. A punição é resultado da publicação da “Carta aos brasileiros”, redigida por Bolsonaro no último dia dia 11. O documento foi lido e divulgado nas redes sociais por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL.

Exportações na mira

São Paulo e Santa Catarina concentram os maiores impactos do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, dos US$ 7,2 bilhões em exportações atingidas pela sobretaxa de 25%, US$ 3 bilhões correspondem a vendas paulistas, enquanto 68% das exportações catarineneses para o mercado americano serão afetadas. Para reduzir os prejuízos, a agência pretende ampliar a lista de produtos isentos das tarifas e investir R$ 130 milhões em ações para diversificar os mercados de destino das exportações brasileiras.

Arquivado

A 84ª Promotoria Eleitoral de São José arquivou a Notícia de Fato que questionava a legalidade da transferência de domicílio eleitoral do pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL), para o município. Segundo o Ministério Público, não há indícios concretos de irregularidade nem justa causa para novas medidas investigatórias ou judiciais. Em resposta, Carlos disse nas redes sociais que a denúncia nunca lhe “tirou o sono” e classificou o episódio como tentativa de intimidar a direita catarinense.