Chapa pura e o desafio real do PSD; Ozempic público; Reação; Audiência pública; entre outros destaques

Chapa pura e o desafio real do PSD

O PSD decidiu apostar em si mesmo. Ao oficializar a chapa formada por Ronaldo Caiado para presidente e Gilberto Kassab para vice, o partido encerrou meses de conversas em busca de alianças e assumiu que entrará na disputa com uma composição exclusivamente de seus quadros. As negociações com o centro não prosperaram, as alianças possíveis se mostraram mais problemáticas do que convenientes, e o relógio das convenções começou a correr. A solução encontrada foi olhar para dentro.

Do ponto de vista político, a escolha de Kassab faz sentido. Caiado leva para a chapa um perfil conservador, forte ligação com o agronegócio e a experiência de quem governou Goiás por dois mandatos. Kassab, por sua vez, é um dos mais influentes articuladores da política brasileira e controla a estrutura partidária do PSD, incluindo o fundo eleitoral. A presença do presidente nacional na chapa também transmite um recado interno: o projeto presidencial passa a ser oficialmente do partido.

Lideranças do PSD admitem que a presença de Kassab ajuda a manter unidos diretórios estaduais que convivem com realidades muito distintas, especialmente no Nordeste, onde vários filiados mantêm alianças históricas com o PT. Estados como Bahia, Pernambuco, Sergipe e Maranhão concentram lideranças importantes da legenda e representam um teste para a capacidade de Kassab de manter o partido coeso em torno da candidatura nacional. A reação do senador Otto Alencar (BA), que reafirmou apoio ao presidente Lula poucas horas após o anúncio da chapa, mostra que essa missão está longe de ser simples.

E é aqui que reside o ponto mais revelador desta composição, captado com franqueza por lideranças internas do partido: sem Kassab na chapa, diretórios citados acima simplesmente desgarrariam. A dependência do fundo eleitoral – que Kassab controla – é o elo que mantém essas lideranças regionais ancoradas ao projeto presidencial. A lógica é brutal em sua honestidade: Kassab não foi escolhido apenas pelo que representa politicamente, mas pelo que controla financeiramente. É o dono do cofre que garante a coesão da casa.

O problema é que a casa, mesmo arrumada por dentro, enfrenta ventos contrários do lado de fora para alianças. O Novo já tem projeto próprio, o MDB permanece dividido regionalmente, entre quem quer o PT e quem não quer ninguém; e deve liberar seus diretórios para cada lado. E o União Brasil carrega vulnerabilidades nacionais que tornam qualquer composição com a sigla um risco de imagem difícil de calcular.

A chapa Caiado-Kassab consolida o PSD como protagonista de um projeto alternativo à polarização entre lulismo e bolsonarismo. O desafio, agora, não é apenas conquistar votos fora desses dois polos. É convencer o próprio PSD a marchar na mesma direção em um país onde as alianças regionais frequentemente falam mais alto do que as decisões tomadas em Brasília.

Ozempic público

O governador Jorginho Mello enviou à Alesc projeto de lei que institui a Egos-SC (Estratégia de Gestão e Otimização em Saúde para Controle da Obesidade do Estado de Santa Catarina). A proposta prevê a oferta, pelo sistema de saúde estadual, de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 – a mesma do popular Ozempic –, como a semaglutida, a pacientes com obesidade grau 3, aqueles com IMC igual ou superior a 40 kg/m². O acesso será restrito, monitorado e vinculado a centros habilitados com equipe multiprofissional. A iniciativa tem caráter de projeto-piloto científico, coordenado pela Fapesc, com alcance gradual de até 100 pacientes no primeiro ano. Se aprovada pela Alesc, a lei entra em vigor em janeiro de 2027.

Crescimento

A Alesc alcançou a marca de 100 mil seguidores no Instagram, consolidando a rede social como um dos principais canais de comunicação entre o Parlamento catarinense e a população. Também ocupa uma posição de destaque no cenário nacional. Atualmente, é a segunda Assembleia Legislativa estadual mais seguida do Brasil no Instagram, atrás apenas da Assembleia Legislativa de São Paulo. A presença digital da Casa é resultado de uma estratégia voltada à aproximação com os catarinenses por meio de uma comunicação mais ágil, acessível e alinhada às plataformas digitais.

Reação

O senador Esperidião Amin (PP) reagiu às declarações do presidente Lula durante visita a Santa Catarina e afirmou que o chefe do Executivo foi injusto ao sugerir que o eleitorado catarinense seria influenciado pelo racismo. Amin destacou que o Estado é formado por pessoas de diferentes origens e recebe migrantes de todo o país. “Espero que o presidente reflita e não incentive palavras que execrem o povo catarinense”, afirmou.

Audiência pública

A Fiesc participou ontem, a convite do senador Esperidião Amin, da audiência pública no Senado que debateu a redução da jornada e da escala de trabalho. O diretor institucional e jurídico, Carlos José Kurtz, representou a entidade. O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo não se opõe ao debate sobre a escala de trabalho, mas considera preocupantes a forma e o momento em que a discussão está sendo conduzida. Alban também citou o peso do Custo Brasil, dos juros elevados e dos custos de energia sobre a competitividade da indústria, além de alertar para o crescimento do déficit na balança comercial de produtos manufaturados no país.