O vento conservador que varre a América do Sul; Defesa comercial; Mensageiro avança; entre outros destaques

O vento conservador que varre a América do Sul

A América do Sul vive uma nova e significativa guinada à direita. A provável vitória do conservador Abelardo de la Espriella, na Colômbia, somada à vantagem de Keiko Fujimori, no Peru, consolida um mapa político regional que, a partir de agosto, terá ao menos seis – talvez sete – países governados por forças de direita ou centro-direita. Trata-se de uma resposta popular, pragmática e compreensível, a governos que prometeram transformação profunda e entregaram crise econômica, insegurança e frustração.

O diagnóstico é claro para quem observa sem lentes ideológicas: eleitores latino-americanos não estão necessariamente se tornando conservadores. Estão punindo quem falhou em resolver problemas concretos.

O próprio assessor internacional do presidente Lula, Celso Amorim, reconheceu que existe um “movimento forte e indiscutível para a direita” na região. A declaração chama atenção justamente por partir de um dos mais influentes formuladores da política externa brasileira.

Há quem atribua esse movimento exclusivamente ao retorno de Donald Trump à Casa Branca ou ao crescimento global da extrema direita. Esses fatores ajudam a compor o cenário, mas não explicam tudo.

A principal explicação está nas ruas das grandes cidades latino-americanas. O avanço do crime organizado, do narcotráfico e da violência urbana tornou-se uma preocupação cotidiana de milhões de pessoas. Quando o Estado parece incapaz de garantir segurança e estabilidade econômica, cresce o espaço para candidatos que prometem respostas mais duras e objetivas.

Na Colômbia, a provável derrota do projeto de Gustavo Petro ocorre em meio ao aumento da preocupação com a segurança pública. No Peru, a ascensão de Keiko Fujimori reflete o desgaste provocado por anos de instabilidade política e sucessivas crises institucionais. O enfraquecimento dos sindicatos, a fragmentação do debate público pelas redes sociais e a crescente desconfiança nas instituições criaram um ambiente fértil para alternativas políticas fora do campo progressista tradicional, e ajudam a entender o fenômeno.

Nesse cenário, o Brasil assume um papel decisivo. Como maior economia e principal potência regional, o país funciona como fiel da balança política da América do Sul. Se Lula vencer, o continente permanecerá dividido. Se a direita conquistar o Planalto, a região poderá assistir à mais ampla predominância conservadora das últimas décadas.

Defesa comercial

O presidente da Fiesc, Gilberto Seleme, e um grupo de vice-presidentes da entidade participaram ontem de evento com os pré-candidatos à Presidência da República, organizado pela CNI, em Brasília. Seleme teve a oportunidade de questionar Flávio Bolsonaro (PL) sobre a proposta para que o Brasil tenha uma defesa comercial eficaz contra práticas de comércio desleais. Além de Flávio, participaram Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). O evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis” ofereceu aos pré-candidatos um espaço para apresentar propostas e ouvir demandas consideradas essenciais para o fortalecimento da indústria. Os três receberam o documento Construindo o Brasil 2050, que reúne propostas prioritárias do setor industrial.

Mensageiro avança

A Operação Mensageiro ganhou mais um capítulo com o recebimento da denúncia contra o ex-prefeito de Itapoá, Marlon Neuber, e dois representantes ligados ao Grupo Serrana. A decisão da desembargadora Cinthia Schaefer não significa condenação, mas reconhece a existência de elementos suficientes para a abertura da ação penal. Na prática, o caso deixa de ser apenas uma investigação e passa a ingressar em uma fase mais delicada para os acusados: a produção de provas sob o crivo do Judiciário.

Favorecimento

O ponto mais sensível da denúncia está na acusação de direcionamento de licitações para beneficiar uma única empresa no setor de resíduos sólidos. Ação penal apura supostas fraudes para frustrar o caráter competitivo de três licitações do município de Itapoá entre 2019 e 2020. Segundo o Ministério Público, cláusulas restritivas teriam reduzido a concorrência e favorecido contratos milionários. Para a classe política catarinense, a decisão reforça uma mensagem que a Operação Mensageiro vem repetindo desde o início: as investigações já não se limitam a supostos pagamentos de propina, mas alcançam também a própria estrutura dos processos licitatórios utilizados em diversos municípios.

Derrapada

O anúncio feito ontem pelo pré-candidato ao governo do Estado, Marcelo Brigadeiro (Missão), surpreendeu o meio político. Após publicar, no domingo (21), que desistiria da disputa, voltou atrás horas depois e reafirmou sua candidatura, movimento que gerou repercussão majoritariamente negativa.

Brigadeiro vinha conseguindo ocupar espaço nas redes com bom engajamento, mas a estratégia foi amplamente lida como um factoide, algo que tem cansado eleitores e corroído a credibilidade de candidatos. A live para explicar o episódio não só não foi suficiente para conter os estragos, como os ampliou: ao atacar adversários com linguagem de baixo calão, o pré-candidato transformou uma chance de reconquistar credibilidade em mais um capítulo constrangedor, entregando agressividade quando o momento exigia serenidade e maturidade política.