CPI do Banco Master já entrou em modo velório
Tem uma cena que se repete em Brasília toda vez que um escândalo estoura: políticos correm para a frente das câmeras de TV e agora também nas redes sociais pedindo investigação. Quanto mais alto o grito, menor a chance de a investigação acontecer de verdade. O caso do Banco Master é o roteiro mais recente desse teatro.
Os números até impressionam: 42 senadores e 238 deputados assinaram o pedido de instalação da CPMI. Passou fácil o mínimo necessário. Em qualquer lugar do mundo, isso seria sinal de que a investigação estava garantida. No Brasil, significa que muita gente quis aparecer na foto sem ter que revelar o que está dentro do álbum.
O estopim foi o site The Intercept Brasil, que vazou áudios em que o senador Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. De um lado, a oposição – que usava o Master como arma contra o governo; se viu de repente no meio do tiroteio. Assinar o pedido de CPI virou a saída mais barata: parece transparência, sem o risco real de a coisa sair do papel. Tem barulho, tem prova parcial, tem manchete. Falta, porém, quem queira puxar mesmo o fio da meada.
Do outro lado, o PT abraçou o “BolsoMaster” com alegria eleitoral. Perfeito para desgastar Flávio. O problema é que comissão de investigação não escolhe partido na hora de convocar depoimentos. Um deputado do Centrão falou sem rodeios: a CPMI “teria o potencial de atingir muita gente” no Congresso. E “muita gente” não é exagero.
É por isso que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, está enrolando. O da Câmara, Hugo Motta, também não está com pressa. Ambos sabem que soltar uma investigação sem controle em ano de eleição é o pior negócio possível. Como admitem os próprios parlamentares, o discurso a favor da CPI fica fácil quando existe a certeza de que ela não vai acontecer.
Resultado: todo mundo fala grosso, mas ninguém quer ser o alvo real.
A CPMI Master é o escândalo perfeito para este ano: tem áudio quente, PF investigando e todo o rito democrático aparente. Enquanto nos bastidores, governo e oposição negociam em silêncio para garantir que a CPMI siga o destino de tantas outras: nasça morta, com direito a velório ao vivo na televisão.

Execução de emendas
Está em tramitação na CCJ da Assembleia Legislativa um projeto do deputado Vicente Caropreso (União), que obriga prefeitos a iniciar a execução de emendas parlamentares em até 120 dias após o repasse estadual, sob pena de multa pessoal e suspensão de novos recursos. A proposta surgiu da frustração com municípios que recebem verbas e não as aplicam, deixando obras, exames e reformas na fila. O texto recebeu pedido de vistas do líder do governo, deputado Maurício Peixer (PL), e teve a análise adiada. “Articulamos, garantimos a aprovação das emendas, mas o município não faz a sua parte”, afirmou Caropreso.

Jantar
O PSD de Santa Catarina promove, na próxima quarta-feira (20), às 20h, um jantar por adesão no Salão Nobre do Clube CRC, em Chapecó, com a presença do pré-candidato ao governo do Estado, João Rodrigues. O ingresso custa R$ 5.000, com pagamento feito diretamente ao partido, via Pix ou transferência bancária. Pessoas ouvidas dentro do PSD informaram que esse modelo é uma forma tradicional de arrecadação partidária, registrada e comunicada ao Tribunal Regional Eleitoral e já foi usado pelo partido em campanhas anteriores. O valor chamou atenção e gerou desconforto até dentro do próprio partido, que reconhece que a divulgação sem contexto deixou margem para interpretações equivocadas e artilharia para opositores.

MBL na estrada
O MBL promoveu, neste último sábado (16), a partir das 14h, mais uma edição do “MBL na Estrada 26”, em Florianópolis, na rua Fúlvio Aducci, Estreito. O evento reuniu lideranças políticas para debates sobre o cenário político e eleitoral do Brasil e de Santa Catarina. O pré-candidato à Presidência pelo Partido Missão, Renan Santos, concedeu entrevista coletiva. O encontro também contou com a presença do pré-candidato ao governo estadual pelo Missão, Marcelo Brigadeiro.

Tornozeleira rosa
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta última sexta-feira (15), requerimento de urgência para o projeto de lei que autoriza a Justiça a determinar o uso de tornozeleiras eletrônicas com identificação visual padronizada para investigados ou condenados por violência doméstica. A proposta, da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), menciona como exemplo o uso da cor rosa no equipamento. O objetivo é facilitar a fiscalização pelas autoridades, reforçar a proteção das vítimas e inibir novas condutas violentas. Com a aprovação da urgência, o texto pode ir direto ao plenário, sem passar pelas comissões temáticas.

Efeitos
Levantamento qualitativo de comentários nas redes sociais sobre a nota do diretório estadual do Novo em Santa Catarina, que classificou o vídeo de Romeu Zema contra Flávio Bolsonaro como “precipitado e desnecessário”, mostrou rejeição expressiva à postura do diretório catarinense. Levantamento feito com ajuda da Inteligência Artificial apontou que 70% a 75% dos comentários foram negativos à nota, com críticas como “passando pano”, “nota vergonhosa” e “não se combate corrupção pela metade”. Chamou atenção a quantidade de pessoas demonstrando frustração pública com o posicionamento.

Precipitação
Os comentários favoráveis à nota do Novo existiram, mas em menor volume: entre 15% e 20%. E seguem outra lógica: preocupação com a divisão da direita, críticas à precipitação de Romeu Zema e o argumento de que o PT seria o principal beneficiado pela briga. Uma terceira linha, conciliadora, também apareceu com força, reconhecendo que Zema pode ter errado na forma sem abrir mão de ser uma liderança relevante. O levantamento revela ainda que Zema possui hoje um capital simbólico forte ligado à ideia de coerência e gestão limpa – ativo que a crise com o PL pode tanto consolidar quanto desgastar, dependendo de como os próximos capítulos se desenrolarem.







