Troca de ataques expõe fissuras na direita; Resíduos sólidos; Palanque do PT; Na estrada; entre outros destaques

Troca de ataques expõe fissuras na direita

A troca de farpas entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) está longe de ser apenas mais um episódio de descontrole verbal na política brasileira. Ela revela algo mais profundo: a disputa silenciosa, e cada vez menos disfarçada, por espaço, influência e protagonismo dentro do campo bolsonarista.

Ao comparar a capacidade cognitiva de Jair Renan a uma “toupeira cega”, Nikolas cruzou uma linha que, até então, poucos aliados ousavam atravessar publicamente: a de expor fragilidades dentro do próprio clã. Não foi um deslize isolado. Foi um gesto político.

A reação veio em camadas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, adotou o tom conciliador, quase protocolar, pedindo para “não pressionar” nem “defender”, numa tentativa clara de evitar que o episódio escalasse para uma crise maior. Já Nikolas, ao falar em “provocações” e “perseguição”, tratou de se posicionar como alguém sob ataque – narrativa clássica de quem disputa espaço em ambientes altamente hierarquizados.

Mas o incômodo com Nikolas não nasce agora. Ele vem sendo construído desde 2024, quando o deputado ensaiou movimentos fora do script, flertando com nomes como Pablo Marçal para prefeito de São Paulo e, depois, apontando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como opção presidencial mais viável. Num grupo político em que lealdade é moeda central, qualquer sinal de autonomia é visto com desconfiança.

A resposta de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ainda em 2025, já indicava esse desgaste. Ao acusar Nikolas de liderar uma dissidência, o filho do ex-presidente verbalizou o que muitos preferiam tratar nos bastidores: há uma disputa interna em curso.

O episódio atual apenas escancara esse processo. Mais do que uma briga pessoal, trata-se de um embate sobre quem fala em nome do bolsonarismo – e até que ponto esse movimento tolera vozes que crescem fora do controle do núcleo familiar.

No fim, o que está em jogo não é apenas disciplina interna, mas a própria capacidade de o grupo manter coesão diante de um cenário eleitoral que exigirá mais do que fidelidade: exigirá estratégia. E, ao que tudo indica, esse é justamente o ponto onde começam as divergências.

Resíduos sólidos

A Alesc lança hoje o Seminário Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, que percorrerá 11 cidades catarinenses entre este mês e julho, reunindo gestores públicos e sociedade civil para debater boas práticas na coleta e destinação do lixo. O deputado Marquito (Psol) diz que um dos pontos do evento é capacitar prefeitos e servidores para contratos mais transparentes e gestão mais eficiente – tema urgente no Estado onde 29 prefeitos foram presos por fraudes no setor na Operação Mensageiro (2022), num dos maiores escândalos de corrupção na gestão pública catarinense.

Palanque do PT

A presença de Gelson Merisio (PSB) no palanque principal do 8º Congresso do PT, em Brasília, não foi protocolar. Sinaliza o quanto a candidatura do ex-deputado ao governo de Santa Catarina está referendada pela cúpula nacional do partido – e pelo próprio Lula. O convite ao palanque principal funciona como um recado para eventuais dissidências internas no Estado: a direção nacional já escolheu seu candidato.

Na estrada

O senador Esperidião Amin percorreu três municípios catarinenses no sábado (25): Lages, Abdon Batista e Timbó Grande. Entre festas de emancipação, entrevistas a rádios locais e a 1ª Festa Nacional do Contestado, o senador também parou em Lages para o lançamento da pré-candidatura a deputado estadual de Cláudio Bianchini (Progressistas). Agenda típica de quem já pensa em outubro.

Cutucada

O governador Jorginho Mello não deixou barato após o ex-governador Carlos Moisés gravar um vídeo cobrando a reforma do Hospital Infantil Joana de Gusmão. Jorginho respondeu com munição na mão e sem papas na língua. “O senhor Carlos Moisés aparece depois de quatro anos para falar de saúde”, disparou o atual governador. E antes de falar do hospital, Jorginho deu uma cutucada que foi direto ao osso: “Todos os respiradores que eu comprei para saúde chegaram, viu?” – uma alusão ao escândalo dos respiradores que marcou negativamente a gestão Moisés durante a pandemia. No vídeo de resposta, Jorginho exibiu reportagens sobre a situação do hospital na época do antecessor e listou as melhorias promovidas.