O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta sexta-feira (20), a criação de uma reserva estratégica de combustíveis no Brasil. A proposta tem como objetivo reduzir a vulnerabilidade do país diante de crises internacionais e oscilações no preço do petróleo.
A declaração foi feita durante evento da Petrobras em Minas Gerais. Segundo Lula, a iniciativa exige planejamento de longo prazo e deve ser tratada como prioridade estratégica pelo governo e pela estatal. Ele mencionou a presidente da empresa, Magda Chambriard, ao destacar a necessidade de iniciar estudos sobre o tema.
O presidente também demonstrou preocupação com a escalada de tensões no Oriente Médio, especialmente na região do Estreito de Ormuz, por onde circula grande parte do petróleo mundial. Para ele, um eventual bloqueio da rota poderia desencadear uma crise energética global.
Atualmente, o Brasil não possui reservas estratégicas de petróleo, contando apenas com estoques operacionais para garantir o abastecimento no curto prazo. Além disso, o país ainda depende de importações para cerca de 30% do diesel consumido, o que amplia os riscos em cenários de instabilidade.
Lula comparou a proposta à política de acúmulo de reservas internacionais adotada pelo país desde 2005, destacando que esses recursos ajudam a proteger a economia brasileira em momentos de crise. Segundo ele, a formação de estoques de combustíveis teria papel semelhante na garantia da soberania nacional.
O presidente também afirmou que o governo pretende investir na ampliação e modernização de refinarias, além de desenvolver um planejamento estratégico para produção e armazenamento de combustíveis. Ele citou países como Estados Unidos, China e Rússia como exemplos de nações que já mantêm estoques estratégicos.
Durante o evento, a Petrobras anunciou R$ 9 bilhões em investimentos na Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim. A unidade, que anteriormente operava com cerca de 60% da capacidade, atualmente funciona com 98%, processando aproximadamente 170 mil barris de petróleo por dia.
Com novos aportes de R$ 3,8 bilhões, a previsão é elevar a produção para 200 mil barris diários até 2027. Já no horizonte de cinco anos, o volume pode chegar a 240 mil barris por dia, com investimentos adicionais de R$ 5,2 bilhões.
O evento também marcou a inauguração de uma usina fotovoltaica na refinaria, financiada pelo Fundo de Descarbonização da Petrobras. A expectativa é reduzir em cerca de 20% os custos com energia da unidade, além de contribuir para a transição energética e aumentar a eficiência operacional.






