A boa notícia para Santa Catarina
A decisão da Suprema Corte americana, que considerou ilegal o tarifaço imposto por Donald Trump, representa um alívio significativo para o Brasil e acende uma luz de oportunidade para Santa Catarina. O Estado é um dos mais dinâmicos exportadores do país, com pauta diversificada que inclui máquinas, motores, produtos da indústria metal-mecânica e madeira, exatamente os segmentos apontados pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, como os mais beneficiados pela queda das tarifas.
O Brasil chegou a ser taxado em 50% pelos Estados Unidos, combinando uma tarifa recíproca global e uma sobretaxa de 40% sobre produtos que ficaram fora da lista de exceções anunciada pela Casa Branca em novembro. Com a derrubada dessas cobranças pela Corte, abre-se uma janela real para ampliar o volume de exportações brasileiras ao mercado norte-americano e fortalecer a complementariedade econômica entre os dois países.
Para Santa Catarina, o impacto pode ser sentido diretamente no chão de fábrica e no campo. A indústria catarinense, especialmente nos polos de Joinville, Jaraguá do Sul e região Oeste, tem nos Estados Unidos um mercado relevante para máquinas e equipamentos. O setor madeireiro do Planalto Serrano e o agronegócio do Oeste também podem se beneficiar de condições mais favoráveis de acesso.
O governo federal, porém, recomenda cautela. Trump reagiu à decisão com irritação, classificou a sentença como “profundamente decepcionante” e já anunciou um novo decreto, impondo tarifa global de 10% com base em outras leis comerciais. O presidente americano deixou claro que seguirá “numa direção diferente” e não descartou novas medidas protecionistas.
O cenário, portanto, é de oportunidade com incerteza. Para Santa Catarina, a orientação é aproveitar a janela aberta, intensificar negociações e diversificar mercados – sem depender exclusivamente de um ambiente político americano que segue volátil e imprevisível. O comércio exterior, como lembrou Alckmin, é fundamental para o crescimento da economia e para a geração de emprego e renda.

Feriado
O governador Jorginho Mello saiu em defesa da criação do feriado estadual em homenagem à Santa Catarina de Alexandria, mártir cristã celebrada no dia 25 de novembro e padroeira do Estado. E rebateu as críticas com um argumento central: turismo religioso gera renda. “Turismo dá dinheiro”, disse.

Resistência
Jorginho Mello reconheceu a resistência de setores produtivos do Estado, que já se manifestaram contrários à data por conta do acúmulo de feriados em novembro; mês que concentra o Dia de Finados, a Consciência Negra e a Proclamação da República. Mas ao responder a essa crítica, o governador arrancou um sorriso: “É uma pena que o dia dela é 25 de novembro, como é que vai fazer?”, disse, em frase que soou como ironia resignada diante do calendário. Do lado favorável, Jorginho destacou o apoio de lideranças da Igreja Católica e o perfil conservador e cristão do Estado como justificativas para a iniciativa.

TCU na mira
O grupo liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou de vez na disputa pela vaga que será aberta no TCU (Tribunal de Contas da União) com a aposentadoria compulsória do ministro Aroldo Cedraz, prevista para a próxima quinta-feira (26). Após articulações nos bastidores, o campo bolsonarista lançou o deputado Hélio Lopes (PL-RJ), como candidato oficial do grupo. Militar reformado e um dos parlamentares mais identificados com o ex-presidente, Lopes diz que já contabiliza mais de 80 assinaturas de apoio entre colegas da Câmara. A movimentação revela o interesse do ex-presidente em ampliar a influência de seu grupo em órgãos de controle do Estado. A indicação, conduzida pelo presidente Hugo Motta (REP-PB), exige maioria absoluta de 257 votos em votação secreta. O caminho é longo, mas o sinal político já foi dado.

Campo de batalha
A sucessão no TCU se transformou em uma das disputas mais quentes do ano no Congresso, com ao menos seis nomes na corrida pela vaga de Aroldo Cedraz. O Palácio do Planalto aposta no petista Odair Cunha (PT-MG), enquanto nomes como Hugo Leal, Elmar Nascimento e Danilo Forte também circulam nos corredores da Casa. O cenário pode se complicar ainda mais caso o ministro Augusto Nardes antecipe sua aposentadoria para disputar as eleições, abrindo uma segunda cadeira ainda este ano. A possibilidade de duas vagas simultâneas estimula acordos cruzados entre bancadas e tende a transformar a votação em um verdadeiro leilão de influência. Arthur Lira, Pedro Paulo e Roberta Roma são cotados para uma eventual segunda indicação. Hugo Motta terá de administrar pressões de todos os lados.

Defesa
Durante café da manhã com a imprensa para apresentação dos números da educação em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello voltou a defender, nas entrelinhas, a lei estadual que proíbe a adoção de cotas raciais e outras políticas de ação afirmativa por instituições de ensino superior públicas ou que recebam recursos públicos no Estado. A lei está suspensa por determinação do TJSC. Sem citar diretamente a legislação, o governador enfatizou que o critério social deve ser o eixo central das políticas de inclusão no ensino superior, “seja ela de que credo for, seja ela branca, parda ou preta”. Jorginho comemorou a marca de 58 mil alunos matriculados no Universidade Gratuita e classificou o acesso ao ensino superior para quem não tem condições financeiras como “a coisa mais sagrada que tem”.



