Um Brasil para poucos; Moro na frente; Pé na estrada; Arrancada em casa; Fora do Estado; entre outros destaques

Um Brasil para poucos

O assunto do momento não é apenas quanto ganha a elite do funcionalismo, mas até onde os tribunais estão dispostos a ir para preservar os chamados penduricalhos. A decisão dos ministros do STF, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, de dar 48 horas para sete tribunais de Justiça explicarem pagamentos feitos nos últimos meses escancara uma situação incômoda: o Supremo precisou cobrar dos próprios tribunais informações sobre verbas que deveriam estar submetidas ao teto constitucional.

Os presidentes dos tribunais do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia terão de informar os valores pagos entre abril e julho. Não é mera burocracia. É a demonstração de que auxílios, gratificações, indenizações e licenças compensatórias deixaram de ser exceção e passaram a exigir resposta institucional.

Juízes, procuradores, defensores e advogados públicos exercem funções importantes e devem ser bem remunerados. O que não parece republicano é transformar remunerações já elevadas em uma engenharia permanente de benefícios que, na prática, contorna o limite constitucional.

O dado mais desconfortável vem do FGV Ibre: 637 magistrados receberam mais de R$ 2 milhões em 2025. Entre fevereiro daquele ano e janeiro de 2026, foram 997. São valores que um trabalhador brasileiro levaria décadas para acumular. Não é apenas dinheiro. É distância social. Enquanto milhões lutam para pagar aluguel, supermercado e contas básicas, uma elite consegue ampliar seus ganhos por mecanismos inacessíveis.

O Brasil não precisa empobrecer seus servidores. Precisa acabar com a ideia de que determinadas carreiras estão acima da realidade econômica do país. Enquanto a elite jurídica brasileira continuar decidindo sozinha quanto vale seu próprio trabalho, o teto constitucional seguirá sendo, na prática, apenas um número decorativo na Constituição.

Moro na frente

Sérgio Moro (PL) aparece na liderança da disputa pelo governo do Paraná, com 45,7% das intenções de voto, segundo levantamento da Neokemp Pesquisas/OCP News. Requião Filho (PDT) tem 23,2%, enquanto Sandro Alex (PSD) registra 18,2%. O cenário muda quando o eleitor é questionado sobre rejeição: Requião Filho lidera com 42,6%, seguido por Moro, com 32,8%. Sandro Alex aparece com apenas 6,4% de rejeição. A pesquisa foi feita nos dias 10 e 11 deste mês.

Pé na estrada

A chapa majoritária formada por PSD, MDB e Federação União Progressista retomou ontem uma nova rodada de viagens pelo Oeste catarinense. O roteiro passou por Nova Itaberaba, Nova Erechim, Pinhalzinho, Saudades, Cunha Porã e Palmitos. Hoje, a agenda segue por Planalto Alegre, São Carlos, Riqueza, Mondaí, Iporã do Oeste, Tunápolis e Itapiranga, com reuniões de lideranças e atendimento à imprensa.

Arrancada em casa

O candidato ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues (PSD), marcou para 22 deste mês o lançamento oficial da campanha, com uma caminhada em Chapecó. A concentração será às 10h, em frente à prefeitura. Rodrigues afirmou que a candidatura ganhou viabilidade após a passagem por 120 municípios e projetou que as próximas pesquisas já apontarão para um segundo turno.

Fora do Estado

A postagem de Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina, mostrando um passeio de moto pela Serra do Rio do Rastro provocou uma série de comentários nas redes sociais. Alguns internautas questionaram a escolha da agenda em meio à pré-campanha e compararam a movimentação do também candidato ao Senado, Esperidião Amin (PP), que estava em Brasília reunido com o ministro dos Transportes, George Santoro, cobrando avanços para a obra do Morro dos Cavalos.

A comparação ganhou força diante da informação de que Carlos também tem compromisso confirmado em Ribeirão Preto (SP), no próximo dia 17, um dia após o início oficial das campanhas eleitorais. A discussão passou a levantar uma questão eleitoral: qual será o grau de presença e atuação do candidato nas pautas catarinenses?

CinCatarina

O CinCatarina deu um passo importante em sua expansão. Neste mês, o consórcio passou a ter atuação em todo o território nacional e adotou oficialmente a denominação Consórcio Público Interfederativo Nacional. A mudança amplia o espaço para projetos e parcerias em áreas como compras públicas, tecnologia, inovação e transformação digital.

A novidade não tira o foco de Santa Catarina, onde o consórcio mantém sua atuação junto aos municípios, mas abre as portas para novas oportunidades em outras regiões do país. Um dos primeiros movimentos da nova fase foi a adesão ao e-Compras CNM, marketplace da Confederação Nacional de Municípios.

Sinal de alerta

A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) manifestou preocupação com a busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes contra o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado pela PF como fonte do jornalista Luís Pablo. A entidade criticou a identificação da fonte a partir de dispositivos eletrônicos apreendidos anteriormente do jornalista e classificou o episódio como uma ameaça ao sigilo profissional. ANJ, Abert e Aner também alertaram para os riscos à liberdade de imprensa e ao jornalismo investigativo.