Sinal no Morro dos Cavalos; Despedida do TJSC; Julgamento de Seif; Desembarque; entre outros destaques

Um sinal político no Morro dos Cavalos

O anúncio do Ministério dos Transportes de que a duplicação do trecho do Morro dos Cavalos, na BR-101, será feita por meio da construção de dois túneis marca um ponto de inflexão em uma das discussões mais antigas da infraestrutura catarinense. Trata-se de uma decisão aguardada há décadas e que, pela primeira vez, parece caminhar para uma solução estrutural e definitiva de um gargalo que afeta não apenas o trânsito local, mas a economia de todo o Estado.

O primeiro aspecto relevante dessa decisão é o reconhecimento tardio, porém necessário, de que o Morro dos Cavalos não comporta mais soluções paliativas. Interdições frequentes, acidentes e paralisações transformaram o trecho em símbolo de vulnerabilidade logística. Dados da Polícia Rodoviária Federal e da própria concessionária apontam que qualquer interrupção ali gera reflexos imediatos no abastecimento, no turismo e na indústria, com prejuízos que extrapolam Santa Catarina. Ao optar por dois túneis, o governo federal sinaliza que passou a tratar o problema como estrutural, e não mais como um entrave pontual de engenharia.

O segundo ponto está no modelo escolhido para viabilizar a obra. A incorporação do projeto à concessão do trecho Sul da BR-101, hoje operado pela Motiva (antiga CCR), indica uma tentativa de equilibrar investimento e impacto tarifário. A lógica é pragmática: diluir o custo em um contrato maior e com pedágio mais baixo do que o do trecho Norte. Essa estratégia segue tendência já observada em outras concessões federais, como apontam análises do Tribunal de Contas da União e da ANTT, que vêm defendendo contratos mais longos para viabilizar obras complexas sem explosão de tarifas. Ainda assim, a discussão sobre transparência nos valores cobrados seguirá no centro do debate público.

O futuro do projeto dependerá menos do anúncio e mais da execução. O histórico brasileiro de grandes obras em áreas sensíveis recomenda cautela. Licenciamento ambiental, cronograma e fiscalização serão decisivos para evitar novos atrasos. Se sair do papel como planejado, o túnel duplo pode reposicionar a BR-101 como um corredor logístico confiável no Sul do país. Caso contrário, o Morro dos Cavalos seguirá como metáfora de um Brasil que demora demais para transformar consenso técnico em realidade concreta.

Despedida

O presidente da Alesc, Julio Garcia, recebeu ontem a visita do presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Francisco José Oliveira Neto. Em reta final de mandato, que se encerra em 6 de fevereiro, Oliveira Neto cumpre agenda de visitas institucionais. À frente do TJSC por dois anos, ele destacou o fortalecimento do diálogo entre os Poderes. O desembargador Rubens Schulz assumirá a presidência do tribunal.

Julgamento marcado

O TSE marcou para o dia 5 de fevereiro o julgamento de recurso que pede a cassação do mandato e a inelegibilidade do senador Jorge Seif Júnior (PL-SC), eleito em 2022. O recurso foi apresentado pela coligação Bora Trabalhar (PSD, Patriota e União Brasil), que tenta reverter a decisão do TRE-SC que julgou improcedente a ação. A acusação aponta suposto abuso de poder econômico durante a campanha, envolvendo o senador, seus suplentes e apoiadores. O caso é acompanhado de perto pelo impacto político que pode gerar em Santa Catarina.

Itapema

O julgamento do prefeito de Itapema, Alexandre “Xepa”, e o vice Eurico Marcos Osmari, marcado para esta quinta-feira (29) no TRE, transformou-se no principal foco de tensão política no Litoral Norte. Cassado em primeira instância, o prefeito tenta reverter a decisão em segundo grau sob forte pressão nos bastidores. A ação foi movida por uma coligação ligada ao PSD, o que adiciona um componente político à disputa jurídica. O clima é de apreensão máxima, com expectativa de placar apertado. Aliados apostam na reversão, enquanto adversários trabalham para consolidar a cassação. O resultado pode redefinir o comando do município.

Destino de Xepa

Caso o TRE mantenha a cassação, o impacto será imediato. Não há efeito suspensivo em eventual recurso ao TSE, o que obriga o afastamento do prefeito assim que a decisão for comunicada à Câmara de Vereadores. O cenário abriria caminho para nova eleição em Itapema, com reflexos diretos no xadrez regional. A acusação envolve uso indevido da máquina pública, abuso de poder político e econômico e irregularidades na campanha de 2024. Nos corredores do tribunal, a leitura é de um julgamento técnico, mas sob pressão política evidente. O desfecho promete repercussão estadual.

Profeta

A possível saída do vereador Cleiton Profeta do PL para o PSD, legenda que hoje ocupa espaço relevante no centro do poder em Brasília, chamou atenção nos bastidores. O parlamentar, conhecido por ser um dos principais opositores do prefeito Adriano Silva (Novo) na Câmara de Vereadores de Joinville, foi convidado para um café em Florianópolis com o presidente estadual do PSD, Eron Giordani, e com o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, pré-candidato do partido ao governo do Estado. O encontro teve clima claro de articulação política e, segundo informações, Profeta foi estimulado a avançar nas conversas e a assinar a ficha do PSD nas próximas semanas.

Desembarque

O governo do Estado oficializou no Diário Oficial de ontem o pedido de exoneração de Carlos Chiodini da Secretaria da Agricultura. Assim formaliza o primeiro ato concreto do racha entre o MDB e o governo Jorginho Mello. A saída do principal quadro emedebista do primeiro escalão ocorre após a decisão do partido de desembarcar da base governista, em reação à escolha do prefeito Adriano Silva (Novo) como vice na chapa da reeleição. Embora outros secretários ligados ao MDB ainda permaneçam no Executivo, o gesto simboliza o início de um esvaziamento político da legenda no governo. O então secretário adjunto Admir Edi Dalla Cort assumirá, cumulativamente, o cargo de secretário.

Diálogo

O prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), afirmou que o MDB ainda integra o governo Jorginho Mello e que a saída do deputado federal Carlos Chiodini, da Secretaria de Agricultura, não representa um rompimento definitivo. Segundo ele, outros quadros ligados ao partido seguem no Executivo e o governador mantém a disposição de diálogo para preservar a aliança. Adriano destacou o perfil agregador de Jorginho e disse acreditar que o MDB pode continuar fazendo parte do projeto estadual. Para o prefeito, o histórico e o peso do partido em Santa Catarina justificam a tentativa de manter a ponte aberta.