O recado de Malafaia à direita
As declarações do pastor Silas Malafaia ao jornalista Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, dizem menos sobre religião e mais sobre política em seu estado mais cru. Ao defender publicamente que Flávio Bolsonaro recue da intenção de disputar a Presidência para apoiar uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, Malafaia verbalizou um desconforto que já circula há meses nos bastidores da direita: o sobrenome Bolsonaro, sozinho, pode não ser suficiente para vencer em 2026.
O pastor foi direto ao ponto ao afirmar que Flávio tem competência, mas não musculatura política para enfrentar Lula. Não é um ataque pessoal, tampouco uma ruptura com o bolsonarismo. É um diagnóstico eleitoral. Em tempos de polarização extrema, a rejeição passou a ser um ativo tão relevante quanto intenção de voto – e, nesse quesito, Tarcísio aparece como alternativa menos desgastada.
Malafaia chama atenção para um detalhe que costuma escapar no debate público: a reação do adversário. Ao notar a ausência de ataques do campo lulista após o anúncio de Flávio, o pastor sugere que o senador pode ser visto como um adversário “confortável”. Em política, silêncio raramente é neutralidade. Muitas vezes, é cálculo.
A defesa de uma chapa com Tarcísio na cabeça e Michelle Bolsonaro como vice revela pragmatismo. Michelle agrega eleitorado feminino e evangélico, e mantém o vínculo simbólico com o bolsonarismo raiz. É uma tentativa clara de preservar o capital político da família sem insistir, necessariamente, no sobrenome no topo da chapa.
Ao rebater críticas de que Tarcísio seria “centro demais”, Malafaia faz um lembrete incômodo: Bolsonaro governou com o centro e dele dependeu para sobreviver politicamente. Pureza ideológica, como se sabe, costuma durar até a primeira votação difícil.
No fim, Malafaia não anuncia articulações, mas faz algo igualmente poderoso: coloca o debate em praça pública. E deixa claro que, para parte relevante da direita, a eleição de 2026 não será decidida pela fidelidade a um nome, mas pela capacidade de ganhar.

Inauguração do elevado
A inauguração do elevado que liga as BRs 158 e 282, em Maravilha, foi confirmada pelo governo do Estado para amanhã, às 15h, no próprio local da obra. O deputado estadual Mauro De Nadal (MDB), um dos principais articuladores da obra, comemorou a entrega da estrutura e destacou que a conquista é resultado de uma luta de longa data. Segundo ele, a demanda por uma solução definitiva para o entroncamento já era defendida desde os tempos em que foi prefeito de Cunha Porã. Para Nadal, o elevado representa um avanço histórico na segurança viária e no desenvolvimento do Oeste catarinense.

Diálogo produtivo
O combate ao assédio e à violência contra as corretoras de imóveis foi um dos principais temas tratados no encontro entre o Creci-SC e a vice-governadora Marilisa Boehm. O Conselho, que já editou cartilhas sobre o assunto, foi representado pelo presidente Marcelo Brognoli, pela 2ª vice-presidente Cleidi Grasiela Benetti e pelo assessor institucional, Alcides Andrade. A entidade tratou ainda das políticas públicas de enfrentamento à venda ilegal de empreendimentos sem registro de incorporação, que tem merecido atenção especial da fiscalização do Creci-SC, em parceria com o Procon-SC.

Atravessou a ponte
O prefeito de Criciúma, Vaguinho Espíndola, que não participou do evento de fim de ano do PSD, esteve ontem no Centro Administrativo, onde cumpriu três agendas com secretários de Estado. Em todas elas, esteve acompanhado do presidente da Assembleia Legislativa, Julio Garcia. Nos corredores do Centro Administrativo, já é dado como certo que Vaguinho apoiará a candidatura de Jorginho Mello à reeleição ao governo do Estado. Na foto, da esq. para a dir.: Vaguinho, Julio Garcia e o secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert.

O rumo da vice
Desde o início do ano, alguns veículos de imprensa têm “definido” que o destino da vice-governadora Marilisa Boehm (PL) será disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados em 2026. Ledo engano. Ela mesma já confirmou que é pré-candidata a deputada estadual. Além de desejar estar mais próxima do Norte e do Planalto Norte, sua base eleitoral, Marilisa avalia que projetos voltados ao enfrentamento da violência doméstica, ao incentivo ao empreendedorismo feminino e à participação das mulheres na política têm mais chances de se transformar em políticas públicas por meio do Parlamento catarinense.



