Prejuízo na temporada; Esperidião Amin dá sinal; Acadêmicos de Niterói; entre outros destaques

Temporada perdida serve de lição

O Carnaval passou, a temporada de verão está quase no fim e Santa Catarina faz as contas de uma promessa não cumprida. O governo do Estado anunciou um verão histórico: três milhões de visitantes, apenas em Florianópolis, campanhas promocionais e crescimento de dois dígitos no setor. Entregou prejuízo. Enquanto a Secretaria de Turismo comemorava números otimistas, empresários amargavam uma temporada 10% abaixo do esperado, argentinos desapareciam das praias e o gasto médio por turista encolhia. A distância entre o discurso oficial e a realidade do balcão nunca foi tão eloquente.

Os números falam por si. O percentual de turistas argentinos em Florianópolis despencou de 39% para 24% entre janeiro de 2025 e janeiro deste ano. O gasto médio por grupo recuou de R$ 8.358 para R$ 8.179 – queda de 2% que, para quem vive da alta temporada, representa a diferença entre lucro e prejuízo. O prefeito Topázio Neto admitiu: a temporada decepcionou. A Secretaria de Estado de Turismo se manifestou e ensaiou uma ginástica retórica surpreendente: transformou a debandada de argentinos da Capital em “sinal de que a estratégia de descentralização está dando certo”.

Hoteleiros, restaurantes e comerciantes de Florianópolis não estão celebrando descentralização alguma. Estão contando o prejuízo de uma aposta mal calibrada. A ausência dos hermanos tem causas externas: crise econômica argentina, endividamento das famílias em 5,4% do PIB e câmbio desfavorável. Mas esses fatores apenas expõem a fragilidade estrutural de um modelo turístico dependente de um único mercado – e incapaz de oferecer serviços à altura da concorrência.

Com raras exceções, como Balneário Camboriú, que profissionalizou boa parte do atendimento, a maioria das cidades turísticas catarinenses ainda opera com amadorismo. Atendimento pouco qualificado, falta de fiscalização sobre ambulantes, preços exorbitantes, especulação imobiliária desenfreada e serviços básicos aquém do esperado mancham a experiência do turista que pagou caro pela viagem.

Pior: mais de 100 pontos do Litoral catarinense foram classificados como impróprios para banho simultaneamente em janeiro. Vender “destino natureza” enquanto esgoto é despejado no mar não é marketing criativo, é propaganda enganosa.

A infraestrutura segue a mesma de décadas atrás: trânsito caótico, saneamento precário, mobilidade inexistente. Some-se a isso a ganância que inflacionou preços e esvaziou ocupações. O resultado é previsível: turistas migraram para cidades menores e mais baratas do próprio Litoral catarinense, ou simplesmente não voltaram.

Sou muito SC

O senador Esperidião Amin (PP) não deixou passar a movimentação que o coloca à margem da chapa do PL ao Senado. Em resposta à coluna, o parlamentar disse que “ser isolado é coisa muito dolorosa, especialmente para um ‘bicho gregário’”, como ele. Mas foi no recado seguinte que veio o contra-ataque: “O que me conforta é que me sinto muito Santa Catarina”. A frase não é casual – é uma cutucada direta em Carlos Bolsonaro, carioca de domicílio eleitoral recém-transferido. Amin reafirmou a pré-candidatura e deixou claro: não vai para a Câmara, não vai para o banco de reservas e não vai aceitar rebaixamento disfarçado de acordo.

Comemoração

A Acadêmicos de Niterói terminou em 12º lugar no Carnaval do Rio e foi rebaixada para a Série Ouro em 2027. A escola havia homenageado o presidente Lula com o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A oposição transformou o resultado em comemoração política: o senador Flávio Bolsonaro disse que “o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT”, enquanto o governador Romeu Zema declarou que foi “a primeira derrota do PT em 2026”. O Novo criticou: “Trocaram Carnaval por palanque político”. O deputado federal Nikolas Ferreira afirmou que o rebaixamento demonstra “como Lula está afundando o Brasil”.

MDB na estrada

O MDB catarinense começou ontem o projeto “O MDB vai ouvir você”, agenda que percorrerá 15 encontros em cidades do Estado com deputados, prefeitos e lideranças partidárias. A iniciativa ganha significado especial após o governador Jorginho Mello (PL) preterir o partido na composição da chapa majoritária. Excluído da mesa principal, o MDB tem um objetivo claro: ouvir a militância antes de definir os rumos para este ano. A estratégia do partido, comandado pelo deputado Carlos Chiodini (foto), é consultar prefeitos, vereadores, lideranças e filiados sobre as composições de chapa para o governo estadual e para o Senado, além de mapear preferências para alianças nacionais.

Dúvidas internas

O questionário aplicado nos encontros é direto e revela as dúvidas internas do partido. Entre os pontos, a escolha entre quatro cenários: candidatura própria ao governo, coligação com o prefeito João Rodrigues (PSD) indicando o vice, coligação com Gelson Merísio indicando o vice, ou coligação com Jorginho Mello (PL) fora da majoritária. Além disso, a base poderá indicar nomes de preferência, caso o MDB lance candidato próprio ou precise definir um vice em chapa conjunta. Ao percorrer o Estado e dar voz às bases, o MDB tenta evitar rupturas e construir consensos antes de cravar posição. A rodada de encontros deve se estender até março, quando o partido deve anunciar oficialmente seu caminho para as eleições.