Polarização nacional esquenta a eleição em SC
Faltam 12 dias para as eleições e Santa Catarina entra na reta final de uma campanha que tende a ficar cada vez mais nacionalizada. A polarização entre PL e PT, que domina a disputa presidencial, começa a ocupar também o centro do debate estadual e deve aumentar a temperatura do confronto entre Jorginho Mello (PL) e Gelson Merisio (PSB).
Os últimos movimentos ajudam a explicar esse cenário. Lula (PT) desembarcou em Florianópolis, sábado (20), e dividiu o palanque com Merisio, fazendo críticas diretas a Jorginho. Do outro lado, Flávio Bolsonaro (PL) passou pelo Estado no mesmo fim de semana, com agendas em Joinville e Chapecó.
A presença dos dois candidatos à Presidência em Santa Catarina praticamente no mesmo momento não foi apenas coincidência de agenda. Mostra a importância do Estado na estratégia nacional e, principalmente, como a disputa presidencial pode contaminar a eleição local nos últimos dias.
Jorginho tenta transformar sua identificação com o eleitorado bolsonarista em combustível para a reta final. Merisio, por sua vez, aproxima sua campanha do campo político liderado por Lula. Com isso, diferenças que até agora estavam concentradas na discussão estadual passam a dividir espaço com temas nacionais.
Os números mais recentes mostram que Jorginho chega a essa fase na liderança. Na pesquisa Real Time Big Data, divulgada no dia 17, aparece com 49%, contra 15% de João Rodrigues (PSD) e 8% de Merisio. Já a AtlasIntel, divulgada uma semana antes, registrou Jorginho com 51,6%, João com 18,5% e Merisio com 17,6%, estes dois tecnicamente empatados pela margem de erro.
É justamente por isso que os próximos dias ganham importância. Além da tentativa de Jorginho de consolidar sua votação, existe uma disputa aberta para saber quem conseguirá ocupar o espaço de principal adversário do governador.
Com PL e PT colocando suas estruturas nacionais em campo, a tendência é de aumento da polarização. Restam 12 dias. E, daqui até as urnas, Brasília e Santa Catarina estarão cada vez mais misturadas na mesma campanha.

Recado ao adversário
Na sabatina da NDTV Record, o candidato ao Senado Décio Lima (PT) elevou o tom contra os adversários ao explorar o caso Banco Master no discurso eleitoral. Sem citar nominalmente os alvos, mas deixando evidente que se trata da família Bolsonaro, afirmou que há “uma turma muito bem definida” de um lado, formada por “aqueles que estão envolvidos no Banco Master”, e criticou quem, segundo ele, “chega aqui, sorrateiramente numa época de eleição, para querer dizer que representa Santa Catarina”.

Incômodo
A foto do ex-governador Paulo Afonso ao lado do presidente Lula, durante o comício do petista em Florianópolis, não passou despercebida dentro do MDB catarinense. O deputado federal Pezenti fez questão de tornar pública a insatisfação e afirmou que a aproximação do ex-governador com o PT acaba respingando na imagem do partido, pelo qual Paulo Afonso governou Santa Catarina.
Em vídeo nas redes sociais, Pezenti disse que a nova geração do MDB está “pagando por pecados que não cometeram” e defendeu uma mudança de posicionamento da legenda. O deputado afirmou ainda que recebeu convites de pelo menos seis partidos na janela eleitoral, mas decidiu permanecer no MDB justamente para tentar promover essa mudança internamente.

A lista do TCU
A lista do TCU (Tribunal de Contas da União) para fins eleitorais reúne 192 registros de Santa Catarina, mas o número de pessoas é menor: são 148 responsáveis distintos. A diferença ocorre porque alguns nomes aparecem mais de uma vez, em razão de diferentes processos ou decisões.
O levantamento considera os últimos oito anos e é encaminhado à Justiça Eleitoral. Estar na lista, porém, não significa automaticamente inelegibilidade — essa análise cabe à Justiça Eleitoral, caso a caso.

Nomes conhecidos
O levantamento revela também uma presença significativa de nomes com trajetória na política catarinense. Entre os responsáveis estão ex-prefeitos de cidades como Imbituba, Abelardo Luz, Caçador, Mafra, Laguna e Capivari de Baixo. A relação também inclui ex-dirigentes públicos.
A lista do TCU é uma referência para a Justiça Eleitoral e não equivale, por si só, a uma declaração de inelegibilidade.

Perfis suspensos
O TRE-SC determinou a suspensão de cinco perfis ligados à candidata ao Senado Carol de Toni (PL) no Instagram, Threads e Facebook. A decisão aponta indícios de uso eleitoral de contas que não foram informadas à Justiça Eleitoral e determinou que a Meta também retire esses perfis dos sistemas de recomendação.

Rastro digital
Além da suspensão, o desembargador Saul Steil determinou à Meta a preservação e o fornecimento dos dados dos perfis desde 7 de agosto, incluindo publicações, alcance, impressões, recomendações algorítmicas, impulsionamentos, anúncios e valores gastos.
A medida prevê multa diária de R$ 5.000, limitada inicialmente a R$ 50 mil, em caso de descumprimento. Carol de Toni terá cinco dias para apresentar defesa.

Turma do KN
Um contrato de R$ 427 milhões atrelado ao destravamento de R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse de Daniel Vorcaro traz, nas mensagens reveladas pelo Metrópoles, “KN” como codinome do ministro do STF, Kassio Nunes Marques, beneficiado com hospedagem em hotel caro por intermédio do desembargador Newton Ramos e da mulher dele, a advogada Camila Ramos.
Kassio nega qualquer contato com Vorcaro; falta explicar por que seu nome está lá.
A disputa entre os outros ministros como Zanin, Dino e Gilmar para ter acesso ao HD completo, contra a resistência de André Mendonça, sugere que a Corte sabe que o problema não se resume apenas a Alexandre de Moraes.








