Planalto se afasta de Moraes
O presidente Lula sinalizou publicamente um distanciamento do ministro Alexandre de Moraes ao sugerir que ele se declare impedido em julgamentos ligados ao caso Banco Master. A fala ocorre em meio a suspeitas envolvendo a atuação profissional da esposa do ministro e a repercussão política do tema. O movimento é relevante porque marca uma inflexão na relação entre Planalto e STF, até então caracterizada por alinhamento institucional e alto índice de decisões favoráveis ao governo.
Lula tenta se proteger politicamente ao deslocar o foco para a conduta individual de ministros, preservando a instituição STF. Moraes, por sua vez, passa de ativo estratégico do governo, especialmente em decisões de impacto político, para potencial fonte de desgaste. A oposição, que já vinha explorando críticas ao Supremo, ganha novo elemento narrativo. No STF, o episódio pode gerar incômodo interno, ao expor publicamente um de seus membros por iniciativa do próprio presidente, ainda que Lula tente individualizar eventuais responsabilidades.
Ao reduzir a associação direta com Moraes, Lula tenta evitar que eventuais desdobramentos do caso contaminem sua campanha à reeleição. No entanto, o gesto também pode enfraquecer a percepção de alinhamento institucional que vinha garantindo estabilidade decisória ao governo.
O principal risco está na erosão da confiança entre os Poderes. A exposição pública de um ministro por parte do presidente pode tensionar o ambiente institucional e gerar reações dentro do Supremo. Há também o risco de amplificação do caso pela oposição, transformando um episódio pontual em narrativa estruturante contra o governo. Por fim, se novas informações surgirem, o movimento de distanciamento pode ser interpretado não como cautela, mas como tentativa tardia de contenção de danos.

Sem acordo
O ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), pré-candidato a vice na chapa de Jorginho Mello (PL), foi alvo de críticas. Em entrevista à rádio Eldorado, o ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro (PSD), subiu o tom e cobrou publicamente o que chamou de “falta de cumprimento de acordo” por parte de Adriano. Salvaro relembrou a aliança firmada em 2024, quando o PSD apoiou Adriano, garantindo tempo de TV e estrutura política. Em troca, segundo ele, havia o compromisso de alinhamento para este ano. O ex-prefeito também fez questão de destacar que o PL foi o principal adversário de Adriano em Joinville, o que torna o movimento atual ainda mais sensível.

Aumentos proibidos
Está proibida desde terça-feira (7) a concessão de aumentos reais a servidores públicos por conta do período eleitoral. Até a posse dos eleitos, reajustes só podem repor a inflação. Na prática, governos só podem autorizar revisões salariais que preservem o poder de compra dos servidores, sem ganho acima da inflação. A regra vale para toda a circunscrição e está prevista na Lei das Eleições e em resolução do TSE. A medida busca evitar o uso da máquina pública para influenciar o eleitorado. O descumprimento pode gerar sanções, conforme análise da Justiça Eleitoral.

Presidentes
Florianópolis receberá, entre 10 e 12 de junho, o 91º encontro do Colégio de Presidentes dos TREs, já no clima de preparação para as eleições. Nos bastidores, o presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva, se movimenta para garantir nomes de peso no evento. Durante agenda recente no Piauí, ele aproveitou para conversar com o ministro do STF, Kassio Nunes Marques, que assumirá a presidência do TSE em maio – e fez pessoalmente o convite. A expectativa é transformar o encontro em um dos principais pontos de articulação da Justiça Eleitoral no ano.

Passagens aéreas
O valor de R$ 162.577,02 registrado como “serviços de apoio” no gabinete da senadora Ivete da Silveira (MDB) em 2025, conforme reportagem “Senadores de SC custaram R$ 19,2 milhões no último ano”, publicada na edição de terça-feira (7) do jornal ND, gerou questionamentos. À primeira vista, a rubrica poderia indicar despesas com consultoria, mas não seria o caso, segundo a assessoria da parlamentar. A informação é que o montante refere-se à emissão de passagens aéreas adquiridas pelo gabinete, por meio da agência Aerotur.

ICMS em alta
A arrecadação de imposto estadual em Santa Catarina praticamente dobrou nos últimos cinco anos e vem batendo recordes no governo Jorginho Mello (PL). O valor saltou de R$ 23,95 bilhões em 2020, ano em que a pandemia prejudicou a economia, para R$ 45,17 bilhões em 2025, maior patamar registrado na série histórica. O maior salto anual ocorreu entre 2023 e 2024 (de R$ 36,26 bilhões para R$ 42,72 bilhões), com aumento de aproximadamente R$ 6,46 bilhões, segundo dados do Portal da Transparência.





