PL Catarinense em Zona de Turbulência
A crise está aberta novamente no PL catarinense, e ganhou novo contorno ontem, com a possibilidade concreta de saída da deputada federal Caroline de Toni do partido. O movimento, que tem como destino provável o Novo, deixou de ser especulação. O governador Jorginho Mello (PL), ciente do risco, viajou às pressas para Brasília, após uma passagem relâmpago pela abertura dos trabalhos na Alesc.
O primeiro ponto de tensão é interno ao PL. A oferta feita pelo presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, para que Caroline desistisse da pré-candidatura ao Senado, seja como vice na chapa de Jorginho ou com a promessa de liderança da bancada em 2027, foi interpretada pela deputada como sinal claro de perda de espaço. O argumento de que a vaga ao Senado precisa contemplar o senador Esperidião Amin – figura que nem sempre goza de total simpatia da ala ideológica – em um acordo com o PP, fechou ainda mais as portas. A ameaça de intervenção no diretório estadual, caso não aceitasse a oferta de Costa Neto, apenas aprofundou o desgaste.
Esse não é um episódio isolado. No ano passado, a deputada havia admitido o incômodo com a condução do PL em Santa Catarina, em relação à chapa ao Senado. A diferença agora é que há um caminho viável fora do partido. No Novo, ela teria garantia de candidatura ao Senado e liberdade para manter uma aliança com Jorginho, que inclusive anunciou o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como candidato a vice.
A possível saída da deputada federal do PL rumo ao Novo não é apenas uma troca de legenda; é o sintoma de um racha que desafia o PL no Estado. Sentindo-se desprestigiada após ser preterida na chapa ao Senado, Caroline sinaliza que não aceitará o papel de coadjuvante. Se o Novo garantir a ela a legenda para o Senado, a deputada prova que sua lealdade é aos seus eleitores e ao projeto pessoal, e não aos caciques partidários.
Para Jorginho, o desafio será equilibrar alianças sem perder quadros que ajudaram a construir sua base política. Para o PL, fica o alerta: acomodar acordos nacionais tem custo.

Bancada Contrária
A Câmara dos Deputados aprovou a MP que cria o programa Gás do Povo, mas o texto enfrentou resistência de uma ala da oposição. A medida passou com 415 votos favoráveis, 29 contrários e duas abstenções, e segue agora para o Senado. Entre os votos contra estiveram nomes da direita e da oposição liberal, como Nikolas Ferreira e Kim Kataguiri. Santa Catarina figurou entre as bancadas com maior número de votos contrários. Votaram contra: Daniel Freitas (PL), Geovânia de Sá (PSDB), Gilson Marques (Novo), Júlia Zanatta (PL), Ricardo Guidi (PL) e Zé Trovão (PL). Houve ainda uma abstenção no Estado, a do deputado Ismael (PSD).

Precificação
Durante reunião no Tribunal de Contas da União sobre a reprogramação da concessão da Rodovia Litoral Sul (BR-116/376/PR e BR-101/SC), atualmente em análise pela Comissão de Solução Consensual, o senador Esperidião Amin lembrou a precificação das obras, prevista para ser apresentada no próximo dia 10. Amin cobrou que todas as intervenções previstas, 116 ao todo, incluindo o Morro dos Cavalos, tenham valores definidos e cronograma claro. Segundo ele, sem preços e prazos não há como fiscalizar a execução do contrato. O senador lembrou que a definição da precificação foi acordada em reunião da bancada catarinense com a ANTT, na Fiesc. Para Amin, a transparência nessa etapa é decisiva para destravar as obras prioritárias em Santa Catarina.

Visita a Bolsonaro
O governador Jorginho Mello deve solicitar ao STF autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, nos próximos dias. A informação foi divulgada pelo ex-vereador e pré-candidato ao Senado, Carlos Bolsonaro (PL), em postagem nas redes sociais, após um almoço entre os dois. Carlos agradeceu publicamente o gesto do governador e publicou uma imagem em que Jorginho aparece abraçando Bolsonaro. O encontro e a divulgação repercutiram politicamente, reforçando a proximidade entre o governador e a família do ex-presidente.

Veto
O governo Lula trabalha para impedir que a oposição alcance maioria absoluta no Congresso e derrube o veto ao PL da Dosimetria. Para a reversão, são necessários 257 votos na Câmara e 41 no Senado, em sessão conjunta. O Executivo mantém o veto se barrar o placar mínimo em apenas uma das Casas. Ausências e abstenções favorecem o Planalto, e ainda não há data para a votação. O PL altera critérios de dosimetria penal aplicáveis aos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 e promove a redução das penas.



