Deputada estadual Paulinha propõe a criação de um protocolo de proteção às mulheres em Santa Catarina

A tribuna da Assembleia Legislativa de Santa Catarina foi marcada por forte comoção nesta quarta-feira. Visivelmente emocionada, a deputada estadual Paulinha (Podemos) lamentou o assassinato de Priscila Dolla, de 37 anos, vítima de feminicídio em Rio Negrinho. A vítima foi morta pelo ex-companheiro na noite de terça-feira (17).

“Eu encontro até dificuldade para falar, porque esse caso remete a uma dor que eu conheço”, afirmou a parlamentar no início do discurso. Segundo ela, Priscila “pediu para não ser morta”. Mãe de um adolescente de 17 anos, a vítima também deixou os pais, seu Antônio e dona Rose, produtores de leite no município. “Essa família jamais poderia estar preparada para a violência que enfrentou”, disse.

Durante o pronunciamento, a deputada defendeu que Santa Catarina precisa transformar a indignação em medidas concretas de enfrentamento à violência contra a mulher. “É hora de transformar essa revolta, presente em lares de todas as posições políticas, em ações reais que interrompam essa epidemia”, declarou.

Paulinha citou dados da Organização das Nações Unidas (ONU), que apontam que uma mulher é assassinada a cada dez minutos no mundo. No Brasil, segundo ela, são quatro mortes por dia. Ainda assim, destacou que o feminicídio é resultado de um ciclo que começa muito antes do crime. “Ele inicia na violência psicológica, na agressão ignorada, na medida protetiva que não chega a tempo e no boletim de ocorrência que não gera acompanhamento efetivo”, ressaltou.

Proposta de novo protocolo estadual

A parlamentar anunciou que irá propor a criação de um protocolo estadual de proteção às mulheres em situação de risco. Para ela, o estado já dispõe de legislação suficiente, mas precisa aprimorar a execução das normas. “O que salva vidas é a aplicação das leis, é estrutura adequada, é protocolo claro e resposta rápida”, afirmou.

Entre as medidas defendidas estão a proteção imediata para mulheres em alto risco, sobretudo quando há demora na concessão de medidas protetivas; a ampliação da rede de acolhimento, com mais casas-abrigo para mulheres e seus filhos; e o fortalecimento das equipes investigativas e das Delegacias da Mulher, que considera insuficientes.

Paulinha também defendeu ações preventivas, com debates sobre violência nas escolas e nas famílias, além do uso mais estratégico dos dados do Observatório da Mulher da Alesc para embasar políticas públicas.

A deputada ainda criticou o que classificou como desproporção nas penas aplicadas em casos de feminicídio e defendeu maior rigor na responsabilização dos agressores. “Muitas mudanças dependem do Congresso Nacional, mas aquilo que estiver ao nosso alcance em Santa Catarina precisa ser feito”, pontuou.

Ao encerrar o discurso, deixou uma mensagem à família da vítima e à comunidade de Rio Negrinho. “Meu abraço ao senhor Antônio, à dona Rose e a todo o povo que hoje sofre essa dor. Por vocês, vamos trabalhar com ainda mais firmeza para que novas tragédias sejam evitadas”, concluiu.