O eleitor procura uma saída; Corrida ao Senado; Conforto; Licitação parada; Recorde; entre outros destaques

O eleitor procura uma saída

A pesquisa CNT/MDA traz um dado que merece atenção muito além das intenções de voto. Segundo o levantamento, 65% dos brasileiros consideram importante ou muito importante o surgimento de uma alternativa à polarização representada hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo campo político do senador Flávio Bolsonaro. É um número expressivo e que ajuda a explicar parte do movimento observado nos bastidores da política nacional.

O dado fica ainda mais interessante quando analisado em conjunto com outro indicador da pesquisa. Ao serem questionados sobre sua preferência para a eleição presidencial de 2026, 33,8% dos entrevistados disseram preferir votar em Lula ou em um candidato apoiado por ele. Outros 26,7% optaram por alguém ligado à família Bolsonaro. No entanto, 31,7% afirmaram preferir um candidato sem ligação com nenhum dos dois grupos políticos.

A série histórica da pesquisa revela que essa fatia do eleitorado oscila entre 28% e 35% desde fevereiro de 2025, sem jamais encontrar um destino claro. São votos disponíveis, disponibilíssimos – e ninguém os recolhe com eficiência.

O problema é que esse espaço continua vazio. Não por falta de demanda, mas por ausência de oferta. A terceira via brasileira tem o vício recorrente de surgir tarde, fragmentada, e sem capacidade de construir uma narrativa capaz de emocionar o eleitor médio. Nomes aparecem, somem, reaparecem e nunca se consolidam.

A história recente da política brasileira está repleta de tentativas frustradas de construção de uma chamada “terceira via”. Em 2018, nomes de centro não conseguiram romper a disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Em 2022, apesar de diversas articulações, a eleição acabou novamente dominada pelos dois polos. O que a pesquisa mostra é que a demanda continua existindo, mas a oferta política permanece insuficiente.

É nesse contexto que ganham relevância movimentos de lideranças como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e outros nomes que tentam se apresentar como alternativas ao eleitorado cansado do confronto permanente entre lulismo e bolsonarismo.

A pesquisa revela uma aparente contradição: os brasileiros dizem desejar algo novo, mas ainda distribuem suas preferências majoritariamente entre os campos já conhecidos. Isso demonstra que o desgaste da polarização não significa, necessariamente, a consolidação de uma alternativa.

Por enquanto, o eleitor parece ter tomado uma decisão parcial. Sabe que procura uma terceira opção. O que ainda não encontrou é quem será capaz de representá-la.

Corrida ao Senado

O dado que mais me chama atenção na pesquisa do Instituto Mapa, contratada pela Jovem Pan News Floripa, não é a liderança de Carlos Bolsonaro, mas o empate técnico entre os três primeiros colocados. Carlos (22,2%), Carol de Toni (20,6%) e Esperidião Amin (19,5%) aparecem separados por uma margem mínima, tornando a disputa ao Senado completamente aberta. Lembrando que Jeferson Rocha (PRD) e Antídio Lunelli (MDB) não foram testados nesta rodada. A impressão é de que a corrida pelas duas vagas ao Senado está longe de ter favoritos definidos. Se tem uma conclusão que tiro da nova pesquisa do Instituto Mapa, é que a disputa ao Senado continua sendo a eleição mais imprevisível de 2026 em Santa Catarina.

Conforto

Os números divulgados pelo Instituto Mapa ao governo do Estado reforçam não apenas a liderança de Jorginho Mello (PL), mas a consistência dos números. O governador aparece com 54,9% das intenções de voto, praticamente repetindo o desempenho dos levantamentos anteriores e mantendo uma vantagem confortável sobre João Rodrigues (PSD), que registra 15,3%; e Gelson Merisio (5,1%). A distância entre os dois primeiros segue superior a 39 pontos percentuais. Se a eleição fosse hoje, os números indicariam uma vitória de Jorginho ainda no primeiro turno, cenário que, até o momento, nenhum adversário conseguiu ameaçar.

Licitação parada

O TJSC concedeu mandado de segurança e manteve suspensa a Concorrência Pública nº 0038/2025, da Secretaria de Estado de Infraestrutura, que previa a construção de um presídio em Araranguá. A decisão, publicada pelo desembargador Ricardo Roesler, rejeitou o argumento do Estado de que a suspensão da licitação teria ocorrido de forma espontânea, antes da notificação judicial – os registros de horário nos autos contrariaram a tese. O certame só poderá ser retomado após a Administração responder formalmente à impugnação apresentada pela empresa B3 Engenharia e submeter o edital à análise do órgão jurídico competente, o que ainda não foi cumprido.

Recorde

O terminal de cargas do Aeroporto Internacional de Florianópolis registrou em maio o melhor desempenho de sua história nas importações. Foram 776 toneladas de mercadorias desembarcadas em Santa Catarina, volume 35% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O resultado não é isolado. Ao longo de 2025, o aeroporto já havia se destacado nacionalmente como o de maior crescimento no volume de cargas aéreas importadas entre os aeroportos brasileiros, com expansão de 10% em relação ao ano anterior, segundo dados da Anac e das próprias concessionárias.

AMUREL

O pré-candidato ao governo de Santa Catarina João Rodrigues (PSD) cumpre nesta semana uma série de agendas na região da Amurel acompanhado de aliados da chapa majoritária. Ao lado de Carlos Chiodini (MDB), Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB), o ex-prefeito de Chapecó participa de encontros com empresários, prefeitos e lideranças locais para discutir demandas regionais. O roteiro reforça a aproximação entre PSD, MDB, PP e União Brasil na aliança para 2026. A passagem pela região inclui ainda uma homenagem a Rodrigues em Nova Veneza, onde receberá o título de Cidadão Honorário do município.