O colapso anunciado de uma estatal sem rumo
A crise dos Correios não é fruto do acaso, tampouco pode ser atribuída apenas às transformações tecnológicas ou à concorrência privada. O que se vê hoje é o resultado de uma sequência de decisões equivocadas, omissões gerenciais e escolhas políticas que empurraram a estatal para a maior crise de sua história. O pedido de empréstimo de R$ 20 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional, não é solução – é a confissão explícita de falência de um modelo.
Quando uma empresa com despesa anual em torno de R$ 23 bilhões, dois terços comprometidos com gastos de pessoal, precisa recorrer a um socorro quase equivalente à própria receita para seguir operando, o problema deixou de ser conjuntural. É estrutural. E grave. Trata-se, na prática, de um resgate estatal para adiar um colapso que já está em curso.
Os sinais estavam todos lá. A principal fonte histórica de receita, o envio de cartas, encolhe ano após ano, enquanto o segmento mais lucrativo, o de encomendas, foi entregue à concorrência privada sem que os Correios se modernizassem na mesma velocidade. Empresas privadas avançaram com eficiência, tecnologia e custos flexíveis. A estatal permaneceu presa a um modelo pesado, caro e resistente a mudanças.
Mesmo diante desse cenário, a empresa seguiu ampliando despesas. Concedeu reajuste salarial linear, resgatou benefícios fora da curva do setor público, manteve-se como mantenedora integral de um plano de saúde deficitário e ainda realizou concurso público quando já operava no vermelho. Em paralelo, queimou caixa em investimentos como veículos elétricos e tecnologia sem lastro financeiro para sustentá-los.
O resultado é um rombo crescente: prejuízo de R$ 6,1 bilhões até setembro, quadruplicação das perdas em 2024 e mais R$ 4,3 bilhões negativos apenas no primeiro semestre deste ano. Some-se a isso o descontrole sobre ações judiciais e precatórios – a ponto de gerar ressalvas no balanço por parte da auditoria independente – e o retrato é de uma empresa sem governança efetiva. Na gestão anterior, no governo Bolsonaro, os Correios davam lucro e fechou com superávit.
O plano de reestruturação anunciado ontem soa mais como protocolo de emergência do que como estratégia. PDV, fechamento de agências e venda de imóveis terão efeito lento, diluído ao longo da década, enquanto a sangria financeira é imediata. Até lá, a conta ficará com o contribuinte.
A crise dos Correios não é apenas financeira. É gerencial, política e institucional.

Nova presidência
Em 2026, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) terá nova composição para conduzir as eleições, com Kassio Nunes Marques como presidente a partir de junho, e André Mendonça como vice – ambos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A mudança ocorre quando a atual presidente, Cármen Lúcia, deixará o cargo, seguindo a tradição de rodízio entre ministros.

Pautas do TSE
O Tribunal Superior Eleitoral chega a 2026, ano de eleições gerais, com julgamentos ainda pendentes das eleições de 2022. Nos últimos meses, a corte manteve uma pauta esvaziada, deixando sem desfecho processos com potencial impacto político. Há ações contra governadores, parlamentares e consultas sobre regras eleitorais. Entre os casos mais sensíveis está o do senador Jorge Seif (PL, foto), que enfrenta processo de cassação.

Boatos
O Ministério da Fazenda, por meio da Receita Federal, voltou a desmentir boatos que circulam nas redes sociais sobre a suposta cobrança de imposto em transações financeiras acima de R$ 5.000. Segundo o órgão, não existe – nem nunca esteve em debate – qualquer tipo de taxação sobre movimentações financeiras, incluindo operações realizadas via Pix. Em nota, a Receita esclareceu ainda que as mensagens falsas passaram a mencionar, de forma inventada, uma multa de 150% para quem deixasse de pagar esse tributo inexistente.

Destino de Luciane
É dada como certa, entre lideranças emedebistas, a filiação da secretária de Estado da Educação, Luciane Ceretta, ao MDB. Após um período de articulações e negociações internas, o partido passa a contar com o reforço de Luciane, que, segundo fontes do partido, deverá ser candidata única da legenda a uma vaga na Câmara dos Deputados, representando o Sul do Estado.

Mobilização regional
A possível candidatura de Luciane Ceretta vem acompanhada de uma forte mobilização regional. Deputados estaduais, prefeitos e vereadores do Sul articulam apoio ao nome da secretária, considerada uma liderança com densidade política e capacidade de unificação. Ao todo, são dois deputados estaduais, sete prefeitos e centenas de vereadores que já se movimentam em torno do projeto, buscando consolidar um nome competitivo para a disputa federal. A secretária vem negando qualquer movimento para concorrer em 2026, mas o otimismo é grande dentro do núcleo do MDB.



