Mercosul–UE: oportunidade estratégica para SC
O anúncio do avanço final do acordo entre Mercosul e União Europeia recoloca Santa Catarina no centro de um debate que vai além da diplomacia: o impacto real desse tratado sobre a economia estadual. Para um Estado fortemente exportador, com perfil agroindustrial, o acordo não é apenas uma promessa futura, mas uma aposta concreta com ganhos e riscos bem definidos.
Os números ajudam a dimensionar o contexto. Em 2025, o agronegócio catarinense alcançou exportações recordes de US$ 7,94 bilhões, o maior valor da série histórica. Mais do que o volume, chama atenção a qualidade dessa inserção internacional: Santa Catarina exporta para mais de 200 países e mantém presença relevante justamente em mercados de alta exigência sanitária e ambiental. A União Europeia, nesse cenário, ocupa posição estratégica.
No ano passado, as vendas do agro catarinense ao bloco europeu somaram cerca de US$ 765 milhões, crescimento expressivo de 15,4% em relação a 2024. Carnes de frango e derivados, produtos de madeira, móveis e tabaco lideram a pauta. Esse desempenho reforça um ponto central do acordo: Santa Catarina já opera, na prática, dentro dos padrões que a Europa exige. A eventual redução de tarifas e barreiras tende a ampliar essa vantagem competitiva, sobretudo para produtos de maior valor agregado.
Há, porém, nuances que merecem atenção. O acordo também amplia a concorrência interna, especialmente em setores industriais mais sensíveis. Além disso, as exigências ambientais e de rastreabilidade, frequentemente apontadas como entraves por outros estados, podem se tornar ainda mais rigorosas. Para Santa Catarina, isso representa menos um obstáculo e mais um teste de consistência: manter políticas públicas que garantam sanidade animal, sustentabilidade e previsibilidade regulatória.
O governo estadual aposta justamente nesse caminho. A estratégia tem sido diversificar mercados, abrir novas frentes comerciais e reforçar a imagem do Estado como fornecedor confiável. Como destaca o secretário da Agricultura, Carlos Chiodini, competir em mercados como o europeu é um selo informal de qualidade.

Negado
O Superior Tribunal de Justiça negou pedido de liminar em habeas corpus e manteve a prisão preventiva do prefeito de Garopaba, Júnior de Abreu Bento (PP). Ele foi preso no último dia 8, durante a segunda fase da Operação Coleta Seletiva, deflagrada pela Polícia Civil. Segundo os investigadores, o prefeito é suspeito de chefiar um esquema de corrupção ligado ao serviço de coleta de lixo. Com a decisão do STJ, o prefeito permanece preso preventivamente.

Consolidando
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vem se consolidando como principal nome da direita na disputa presidencial contra o presidente Lula (PT). Pesquisa Genial/Quaest, divulgada ontem, mostra Flávio com 23% a 32% das intenções de voto, enquanto Lula lidera com 35% a 40%. O desempenho do senador melhora nos cenários com menor fragmentação da direita. No quadro mais favorável, ele aparece com 32% contra 39% de Lula. Nesse cenário, concorrem Romeu Zema (Novo-MG), com 5%, e Renan Santos (Missão, o partido criado a partir do MBL), com 2%.

Carta-compromisso
O Lide (Grupo de Líderes Empresariais) irá elaborar ao longo deste ano uma carta-compromisso com propostas do setor produtivo direcionadas aos candidatos ao governo e ao Senado por Santa Catarina. O documento será construído a partir de eventos da entidade e terá como eixos infraestrutura, segurança jurídica, ambiente de negócios e educação. A agenda econômica inclui temas como eficiência de gestão, competitividade, internacionalização, PPPs, economia criativa e turismo. Um dos destaques será o debate sobre o cooperativismo. Segundo Delton Batista, presidente do Lide Santa Catarina, a iniciativa busca influenciar o debate eleitoral com pautas do empresariado catarinense. A ação integra a programação dos 25 anos do Lide, que reúne mais de 2.000 empresas no Brasil e no exterior.

Crise do arroz
Às vésperas da safra 2025/2026, produtores de arroz de Santa Catarina levaram ao governo estadual a dimensão da crise que atinge o setor. Hoje, o produtor recebe cerca de R$ 50 por saca, enquanto o custo supera R$ 75, tornando a atividade inviável. Com produção anual de 25 milhões de sacas, o prejuízo pode chegar a R$ 500 milhões. A crise atinge também cooperativas e a indústria, com estoques elevados e risco de desemprego. Os produtores e o deputado estadual Zé Milton (PP), coordenador da Câmara Setorial do Arroz, ouviram do governador Jorginho Mello a preocupação com a gravidade do cenário, que prometeu analisar medidas de apoio ao setor.

Agenda
A secretária de Estado do Turismo, Catiane Seif, vai cumprir agenda internacional. A viagem ocorrerá entre 17 e 25 deste mês com compromissos institucionais em Paris e Madri. Na pauta, estão reuniões com companhias aéreas internacionais para promoção do turismo catarinense. A secretária também participará da Fitur (Feira Internacional de Turismo), em Madri. A missão integra a estratégia do governo para ampliar a conectividade aérea e atrair turistas estrangeiros.

Desrespeito
O prefeito de Camboriú, Leonel Pavan (PSD), fez duras críticas à articulação do PL para lançar Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. A declaração foi dada em entrevista ao programa Pinga Fogo Catarinense. Para Pavan, a tentativa de “importar” um candidato de fora do Estado desrespeita lideranças locais já consolidadas. Ele classificou a estratégia como equivocada e distante da realidade política catarinense. O prefeito também criticou a polarização e os extremos ideológicos, defendendo mais maturidade no debate público. Na semana passada, Pavan recebeu a deputada federal e pré-candidata ao Senado, Caroline de Toni, em um almoço.



