Janela partidária consolida bancada do PL
A janela partidária encerrada sexta-feira (3) deixou um retrato claro do momento político de Santa Catarina: concentração de forças, esvaziamento de legendas de centro e um PL cada vez mais dominante no Legislativo estadual. O dado mais eloquente é o crescimento do PL, que saiu de 11 para 14 cadeiras em uma única janela. Com isso, a legenda passa a responder por cerca de 35% da Alesc, que tem 40 deputados. Nenhum outro partido chega perto.
O PSD avançou de três para quatro cadeiras, e o Republicanos dobrou sua representação, de um para dois parlamentares. Do lado das perdas, União Brasil recuou, Podemos e PSDB se esvaziaram, e o PRD deixou de existir como força na Casa.
O PL é o partido do governador Jorginho Mello e esse detalhe transforma os números em algo além de uma simples reorganização de bancadas. Ter 14 dos 40 deputados estaduais sob a mesma sigla do chefe do Executivo representa uma base legislativa ainda mais robusta para quem, ao longo de quase quatro anos de mandato, raramente enfrentou turbulências na aprovação de seus projetos na Alesc.
A relação do governador com o Legislativo estadual foi, na prática, uma das mais tranquilas da história recente do Estado – e a janela partidária apenas cristaliza e amplifica esse cenário. Jorginho chega às eleições com o Legislativo ainda mais alinhado ao seu projeto. É uma confortável vantagem de largada.
O esvaziamento do União Brasil, que perdeu dois deputados e agora tem apenas dois representantes, é igualmente sintomático. A legenda segue sem conseguir consolidar identidade nem reter quadros no Estado.
Chama atenção o fato de que MDB, PT, PP e Novo não registraram nenhuma alteração. Isso indica que essas bancadas já estão posicionadas para as eleições – seja por estabilidade interna, seja por não oferecerem atrativos suficientes para receber migrantes.
No curto prazo, o PL chega à reta final da legislatura com força ainda maior, tudo isso com o governador como beneficiário direto de uma base que já funcionava bem e agora ficou maior.

Crescimento
O Novo aposta em crescimento da bancada na Alesc. A expectativa é de aumentar de um para dois ou três deputados estaduais. Atualmente, o partido tem o deputado Matheus Cadorin como representante no Legislativo estadual. A ideia do Novo é aproveitar o capital político que deve ser gerado pela pré-candidatura do ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, à vaga de vice-governador na chapa do governador Jorginho Mello. A visibilidade que o nome de Adriano tende a acumular ao longo da campanha é vista internamente como um guarda-chuva capaz de impulsionar candidaturas próprias na Assembleia Legislativa.

Apostas
São três os nomes em que o partido deposita maior confiança. O do vereador de São José, Cryslan, que busca uma migração bem-sucedida para o parlamento estadual, o do ex-candidato ao governo do Estado, Odair Tramontin, de Blumenau, praça historicamente disputada e com eleitorado afinado com a pauta liberal, e do deputado estadual Matheus Cadorin, o único dos três já com mandato na Alesc e, portanto, com a estrutura e o reconhecimento de quem disputa a reeleição em terreno conhecido.

Orgulho do ciclo
O deputado federal Jorge Goetten não esconde o orgulho do ciclo que ajudou a construir no Republicanos de Santa Catarina, e não poupa palavras ao projetar o que está por vir. Sob seu comando, o partido saiu do zero na bancada federal, chegou a dois deputados federais, e mais que dobrou o número de prefeitos: de quatro para 11. Agora, com Carmen Zanotto assumindo temporariamente a presidência estadual, Goetten garante que a missão continua. “Será o partido que mais vai crescer em Santa Catarina nas eleições deste ano”, diz, sem rodeios. Para este ano, a meta é eleger entre três e quatro deputados federais e de cinco a seis estaduais – números que, se confirmados, farão do Republicanos uma das forças políticas mais relevantes do Estado.

Passivo bilionário
Entre 2012 e 2024, o Brasil registrou 8,8 milhões de acidentes de trabalho e 32 mil mortes – uma notificação de óbito a cada 3,5 horas, segundo o MPT (Ministério Público do Trabalho) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho). O custo dessa tragédia silenciosa chega a R$ 468 bilhões por ano, equivalente a 4% do PIB nacional. Só os benefícios previdenciários acidentários consumiram R$ 173 bilhões desde 2012. O paradoxo é que as ferramentas técnicas existem, mas ignoram o que ocorre antes do turno: sono, estresse, assédio e cansaço. Enquanto um em cada quatro trabalhadores brasileiros ainda é analfabeto funcional, o país segue pagando, em vidas e em dinheiro, a conta de uma política de segurança que olha para a norma e vira as costas para o ser humano.

Declarado
O senador Esperidião Amin (PP-SC) não deixa margem para dúvidas: seu voto para presidente da República já tem nome e endereço. “Sou eleitor declarado de Flávio Bolsonaro”, afirmou, lembrando que a declaração de apoio foi feita ainda em dezembro do ano passado. Amin descartou qualquer recuo e indicou que a Federação União Progressista, da qual o PP faz parte, caminha na mesma direção – sem decisão fechada nacionalmente, mas com forte predisposição ao nome do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ronaldo Caiado, por ora, fica fora do palanque do senador catarinense.

Bombardeios
Por falar em Esperidião Amin, ele usou uma dose de ironia portuguesa para negar que teria sido deixado de fora da chapa do governador Jorginho Mello. “Não saí porque não entrei”, disse, seco, no podcast A Vida Segue, do jornalista Paulo Alceu, do Grupo ND. No mês passado, Amin anunciou que estará na chapa do pré-candidato ao governo do Estado, o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD). O senador avisou que a anunciada aliança já está sob fogo e que novos bombardeios estão a caminho. “A tentativa de desmobilizar essa chapa é pública e notória”, afirmou, sem entregar nomes, mas com o tom de quem sabe exatamente de onde vêm os projéteis.




