Impasse trava o PL Antifacção
Com previsão para amanhã, a votação do PL Antifacção, na Câmara dos Deputados, chega novamente à encruzilhada entre discurso de combate ao crime organizado e a prática – muito mais complexa – de costurar acordos entre governo e oposição. O impasse não é técnico; é profundamente político.
O relator Guilherme Derrite (PP-SP) tornou-se personagem central dessa disputa. O deputado nega arrependimentos, reforça que “é preciso coragem” para ocupar seu posto e sustenta que tem atuado com postura “técnica”. Mas política e técnica nunca andam separadas no Congresso, e a cena de Derrite jantando com os ex-presidentes da Casa, Arthur Lira (PP-AL) e Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), é apenas um lembrete de que relatórios se escrevem tanto na mesa do gabinete quanto na mesa do restaurante.
O governo rejeitou a primeira versão do parecer, que retirava da Polícia Federal a prerrogativa de iniciar investigações sobre facções criminosas. Derrite recuou, devolveu poder à PF, mas não resolveu a irritação da base governista, que reclama do que chama de “desmonte orçamentário” da corporação. O PT vê no texto um risco de enfraquecimento institucional num momento de expansão das organizações criminosas em âmbito nacional.
A oposição, por sua vez, tenta mostrar que não está interessada em sangrar a PF. A conversa entre Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), logo após o último adiamento da votação, evidencia esse esforço de calibragem. A divergência mais sensível hoje está no artigo que permite ao juiz alienar bens de pessoas jurídicas usadas por organizações criminosas, mecanismo que, indiretamente, modificaria a distribuição de recursos tradicionalmente destinados à Polícia Federal. O Partido Liberal argumenta que deseja fortalecer toda a estrutura de segurança; o governo teme, novamente, perda de capacidade operacional.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) tenta segurar a pauta no trilho. Se o PL Antifacção será votado amanhã ainda é incógnita. Mas uma coisa é certa: o combate ao crime organizado continua refém não apenas das facções, mas da incapacidade crônica do Congresso de produzir acordos.

Não a João
Em meio à possibilidade das articulações de lideranças do PL para empurrar Esperidião Amin para vice na chapa de Jorginho Mello (PL) e oferecer uma vaga ao Senado ao PSD, no caso ao pré-candidato ao governo do Estado e prefeito de Chapecó, João Rodrigues, uma voz interna resolveu se manifestar: a vice-prefeita de Florianópolis, Maryanne Mattos (PL). Pelas redes sociais, ela rechaçou a ideia de atrair João Rodrigues para a chapa, afirmou que “Caroline De Toni está pronta para assumir o Senado agora” e disparou que o prefeito de Chapecó “não a representa”. O PL catarinense vive uma crise interna após o vereador Carlos Bolsonaro sinalizar que disputará o Senado por Santa Catarina em 2026.

Uso proibido
O desembargador do TJSC, André Luiz Dacol, negou o pedido da empresa Lindiomir José Galisa Ltda. para operar provisoriamente no atracadouro público de Itapema. A empresa alegava ter direito ao uso por ter urbanizado o local e ser a única operadora de transporte marítimo coletivo, além de reclamar que a fiscalização da prefeitura a impedia de atuar enquanto outros utilizavam o espaço livremente. O magistrado ressaltou que o termo de adoção não garante exploração exclusiva e que o município tem competência para disciplinar e autorizar o uso de bens públicos. Assim, o impedimento permanece até o julgamento da apelação.

Coronel Pontes
Candidato a vice-prefeito em Florianópolis pelo PP nas eleições de 2024 na chapa de Pedrão, o coronel Marcelo Pontes será o coordenador da campanha a deputado estadual do ex-prefeito da Capital, Gean Loureiro (União). A confirmação da chegada do ex-comandante da PM foi feita no fim de semana e já é um resultado da Federação União-Progressistas.

Controle do tabaco
O deputado federal Pezenti (MDB-SC) vai liderar a comitiva brasileira de parlamentares que está em Genebra, na Suíça, em missão oficial, para participar da COP11 (Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco), promovida pela Organização Mundial da Saúde. O evento começa hoje e vai até sábado (22), reunindo representantes de mais de 180 países. Políticas de restrição à produção, consumo e comercialização do tabaco e seus derivados devem ser o foco principal da discussão.



