Fim da escala 6×1 acirra disputa; Tensão interna no PP; Erro grave; Promessa; entre outros destaques

Fim da escala 6×1 acirra disputa em Brasília

O debate sobre o fim da escala 6×1 se consolidou como nova arena de disputa política em Brasília, com Congresso e governo Lula tentando assumir o protagonismo de uma pauta de forte apelo social. Na Câmara, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) analisa propostas que vão da semana de quatro dias à redução gradual da jornada para 36 horas, enquanto o Planalto prepara sua própria iniciativa para fixar o limite em 40 horas semanais sem redução de salário.

Duas PECs concentram o embate. A primeira propõe a semana 4×3, com ruptura imediata do modelo atual e forte apelo político. A segunda aposta em uma transição gradual ao longo de dez anos, vista como alternativa mais viável no Congresso. Embora tenham sido unificadas na tramitação, a disputa permanece: não é apenas sobre o conteúdo, mas sobre quem lidera a agenda.

É nesse ponto que o governo entra no jogo. Ao preparar um projeto de lei em regime de urgência, o Planalto busca contornar a rigidez das mudanças constitucionais, acelerar a tramitação e manter margem de controle sobre o texto final. Nos bastidores, a movimentação é lida como tentativa de transformar a pauta trabalhista em ativo político e evitar que o tema seja capitalizado exclusivamente pelo Legislativo.

Do outro lado, o setor produtivo reage com críticas contundentes. Entidades empresariais alertam para aumento expressivo de custos, com estimativas de até 21% na folha salarial e impacto anual superior a R$ 120 bilhões. Também apontam riscos de inflação, perda de competitividade, redução de empregos formais e avanço da informalidade.

Com pressão social crescente e resistência econômica organizada, a discussão sobre a jornada de trabalho deixa de ser técnica e se torna um embate político direto – com governo, Congresso e empresários disputando narrativa, ritmo e protagonismo de uma das agendas mais sensíveis do momento.

Precisa desenhar?

O senador Esperidião Amin (PP) usou a ironia como arma ao comentar a reunião que o governador Jorginho Mello (PL) promoveu com prefeitos e deputados do PP, no mês passado, movimento lido como tentativa de desmobilizar a chapa rival. Em entrevista ao podcast A Vida Segue, do jornalista Paulo Alceu, do Grupo ND, Amin deixou a entender que foi o próprio Jorginho quem bancou a reunião. Na sequência, ao ser questionado sobre o fato de não ter sido convidado para o encontro articulado pelo governador, o senador encerrou o assunto com um fio de sarcasmo: “Eu não fui convidado e ele foi. Precisa mais alguma coisa? Precisa desenhar?”. A resposta dispensa tradução.

Tensão interna

Amin não escondeu de Paulo Alceu que o PP vive um momento de tensão interna, mas foi categórico ao garantir o desfecho. Na sequência, porém, tratou de blindar o projeto: “Tenho certeza absoluta de que o partido vai estar na coligação com João Rodrigues para governador”. Para Amin, a definição virá na convenção e ele confia que seu lado vencerá. O senador também lembrou que já viveu situação semelhante em 2022 e que, naquela ocasião, ninguém foi punido por pensar diferente.

Erro grave

O pré-candidato ao governo de Santa Catarina e ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), foi direto ao ponto ao avaliar a gestão do governador Jorginho Mello: para ele, o isolamento do Centro Administrativo em relação ao governo federal custou caro ao Estado. “Com certeza absoluta. O governador comete um erro grave”, afirmou, em entrevista ao jornalista Paulo Cesar da Luz, do Grupo ND. Rodrigues argumenta que Jorginho confundiu ideologia partidária com gestão pública e foi o único governador do Brasil que nunca pediu audiência com o presidente da República, lembrando que discordâncias políticas não dispensam o dever institucional de cobrar recursos e soluções para Santa Catarina. Para o pré-candidato, Santa Catarina perdeu quatro anos de investimentos federais a que tinha direito – e a conta, no fim, foi paga pelos catarinenses.

Limites legais

Santa Catarina encerrou 2025 com equilíbrio fiscal e dentro dos limites legais. O Balanço Geral do Estado, entregue ao Tribunal de Contas, registrou receita líquida de R$ 56,35 bilhões contra despesas de R$ 56,38 bilhões. O documento foi recebido pelo presidente do TCE/SC, conselheiro Herneus De Nadal, e consolidado ao longo do ano pelos auditores estaduais responsáveis pela validação dos dados fiscais que atestam a saúde financeira do Estado.

Retroescavadeira

Uma retroescavadeira avaliada em R$ 391 mil pode custar o mandato do prefeito de Rio do Campo, município do Alto Vale do Itajaí com pouco mais de 5.300 eleitores. O equipamento, adquirido pela prefeitura, ficou exposto em frente ao paço municipal durante as duas últimas semanas da campanha eleitoral de 2024, período vedado pela legislação eleitoral. A Justiça Eleitoral já reconheceu a prática de conduta vedada e aplicou multa ao prefeito Vidal Balak (PSD) e ao vice Acácio Cesar Mees. O caso está no TRE-SC, onde a Procuradoria Regional Eleitoral foi além: opinou pelo reconhecimento de abuso de poder político e econômico e pediu a cassação do diploma dos dois e inelegibilidade por oito anos.

Promessa

O que transforma uma simples exposição de maquinário público em caso de alto risco político são os detalhes. O serviço de retroescavadeira era promessa de campanha veiculada nas redes sociais dos próprios candidatos e a máquina exposta era idêntica à fotografada nas postagens eleitorais. Além disso, Vidal Balak foi reeleito com apenas 304 votos de diferença sobre o segundo colocado, em um universo de pouco mais de 5.300 eleitores – margem estreita o suficiente para que o MPE considere que a exposição da máquina pode ter interferido diretamente no resultado. A defesa alegou que a prática era costumeira e que não havia faixa ou adesivo eleitoral no equipamento. Não convenceu ao MPE. O julgamento está marcado para hoje no TRE-SC.