Entre alianças e candidatura própria; Onda 22; MPE pede maior prazo; Pular o muro; entre outros destaques

Entre alianças e candidatura própria

Havia um consenso confortável nos bastidores da política catarinense: o MDB estava domesticado. Depois de duas ondas bolsonaristas que varreram o Estado, o partido parecia resignado ao papel de coadjuvante, disposto a embarcar na chapa de quem mandasse, desde que garantisse algum espaço na mesa. Esse consenso acaba de ser sacudido.

O que está em curso é mais profundo do que uma simples consulta interna. Depois de 2022, quando ficou fora do centro das decisões, o MDB percebeu que esperar espaço na mesa alheia não é estratégia, é dependência. A base não engoliu. Prefeitos e vereadores, que sustentam a capilaridade do partido, passaram a cobrar protagonismo.

Em quatro dias, seis encontros regionais reuniram lideranças de 146 municípios – metade do Estado. Não foi reunião protocolar. Prefeitos, vereadores e dirigentes falaram, votaram e deixaram um recado claro: o partido quer estar na chapa majoritária.

Nos bastidores, o movimento tem endereço certo. O partido foi escanteado na construção do projeto de reeleição do governador Jorginho Mello (PL). A base sentiu. E reagiu. O MDB tem 70 prefeitos e 741 vereadores em Santa Catarina. É uma máquina municipal que qualquer candidato ao governo precisa ou deveria precisar. A revolta que se vê agora é a resposta a esse desrespeito acumulado.

O deputado Mauro de Nadal deu o tom do incômodo ao falar de soberba. A indireta foi clara: há partido que se considera dono dos votos após duas ondas eleitorais consecutivas. O MDB não aceita ser figurante. O alvo não foi nomeado, mas todo mundo entendeu.

A votação interna revela o mapa do jogo: candidatura própria; aliança com João Rodrigues (PSD) indicando o vice; composição com Gelson Merísio; ou apoio a Jorginho fora da majoritária. A tendência parcial aponta para aproximação com João Rodrigues. E aqui está o ponto central. O PSD sabe que precisa de capilaridade no interior. O MDB sabe que precisa de protagonismo.

Apostar em candidatura própria exige caixa, unidade e nome viável: três variáveis que ainda precisam ser consolidadas. Mas há também um cálculo claro: fora da majoritária, o partido encolhe no médio prazo.

O MDB não decidiu ainda com quem vai caminhar. Mas decidiu algo talvez mais importante: não aceitará caminhar atrás. O partido tenta recuperar autoestima. Se vai conseguir transformar mobilização interna em viabilidade eleitoral, é outra conversa.

Onda 22

Nos corredores da Alesc, um temor começa a ganhar volume entre deputados de centro-direita: a repetição da onda bolsonarista de 2018 e 2022. A avaliação, compartilhada reservadamente por um parlamentar, é de que o PL, que elegeu 11 deputados estaduais na última eleição, tem condições de ampliar ainda mais sua bancada – e quem vai pagar a conta não é a esquerda, mas os próprios aliados ideológicos. “Eles vão tirar vaga da direita, não vão tirar da esquerda”, resume o deputado, que preferiu não se identificar.

Vice-Prefeita

A vice-prefeita de Blumenau, Maria Regina de Souza Soar (Republicanos), assume interinamente o comando do município a partir de amanhã, durante as férias do prefeito Egídio Ferrari (PL). Maria Regina ficará à frente da gestão até 13 de março. Essa é a terceira vez que ela assume interinamente no atual mandato, somando-se a outras cinco ocasiões durante a gestão anterior de Mário Hildebrandt. O episódio reforça o protagonismo do Republicanos no cenário político catarinense, partido que integra a base de apoio ao governador Jorginho Mello e vem ampliando presença nas principais cidades do Estado.

Prorrogação

O Ministério Público Eleitoral solicitou ao juiz Luiz Carlos Broering, do TRE-SC, a prorrogação do prazo para concluir investigações contra Israel Rocha Borba, ex-presidente estadual do PSB, referentes a apropriação indébita eleitoral. O magistrado concedeu mais 60 dias para a conclusão do inquérito, aberto pela Polícia Federal em 2025. As acusações incluem apropriação indébita, falsidade ideológica e estelionato, relacionadas ao uso de R$ 1 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que deveriam ter sido destinados a campanhas municipais em Santa Catarina. Borba nega as acusações e imputa as denúncias à divergência partidárias.

Pulando o muro

O cenário já provoca movimento nos bastidores: segundo a mesma fonte, ao menos seis ou sete deputados estariam avaliando migrar para o PL antes das eleições deste ano, motivados menos por convicção partidária e mais pelo cálculo eleitoral da sobrevivência política. A verticalização nacional em torno de Bolsonaro e do PL é apontada como o principal gatilho dessa movimentação. Por ora, tudo ainda é especulação, mas quando o barulho dos bastidores chega a esse nível dificilmente fica só lá.

Mobilização

Cerca de 1.000 gestores municipais se reúnem hoje em Brasília para uma mobilização liderada pela CNM (Confederação Nacional de Municípios) contra propostas que ameaçam as finanças municipais. O movimento, encabeçado pelo presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, tem como alvo pautas já aprovadas ou em tramitação no Congresso que podem gerar, segundo a CNM, custos bilionários aos municípios. A agenda inclui reuniões com a ministra Gleisi Hoffmann, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. A CNM deve apresentar estudo técnico detalhando os impactos financeiros das medidas em debate. O recado é direto: sem diálogo, a gestão municipal em todo o país corre risco.

Leite

Em agenda com o deputado Valdir Cobalchini, a Facisc avançou na análise de três projetos de lei para fortalecer a cadeia do leite, com protocolo previsto para hoje. As propostas incluem a criação do Funleite (Fundo Nacional de Desenvolvimento do Leite), novo critério técnico para formação do preço mínimo, prorrogação de crédito rural em casos de impacto econômico e incentivos fiscais ao setor. A entidade destaca que mantém atuação técnica em defesa de uma cadeia estratégica para Santa Catarina. Na foto, Cobalchini (à esq.) e o presidente da Facisc, Elson Otto.