Em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou o pagamento de emendas parlamentares, em uma estratégia para fortalecer sua base no Congresso e conter o avanço da proposta de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro.
Desde o início da análise do caso no STF, o governo liberou R$ 3,2 bilhões em emendas. Somente na última terça-feira (9), dia em que o Supremo retomou os votos dos ministros, foram pagos R$ 2,3 bilhões, o maior valor desembolsado em um único dia em 2025, conforme dados obtidos pelo portal Metrópoles via Portal da Transparência.
Na série histórica, essa foi a 9ª maior liberação nominal de emendas em um só dia, sem considerar a inflação. O recorde permanece com o pagamento de R$ 5,8 bilhões, realizado em 13 de dezembro de 2024.
A maior parte das emendas liberadas nas últimas duas semanas (R$ 2,9 bilhões, ou 91,3%) é de natureza individual, modalidade preferida pelos parlamentares por garantir retorno político direto nas suas bases eleitorais. O restante se divide entre:
- R$ 142 milhões de emendas de bancadas estaduais (4,3%);
- R$ 80,8 milhões de comissões temáticas (2,4%);
- R$ 60,2 milhões do relator do Orçamento (1,85%).
A movimentação do governo ocorre num momento de alerta no Palácio do Planalto. Integrantes do Centrão, junto à oposição, pressionam para que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), leve a proposta de anistia a plenário. Parte dos deputados defende a votação para derrotar a medida de forma definitiva, enquanto outros veem nela uma chance de livrar Bolsonaro de punições.
Aliados de Lula trabalham para ampliar o apoio à primeira ala, visando enterrar a proposta de anistia antes que ela ganhe força. A expectativa é de que a liberação de emendas continue nos próximos dias, como forma de manter a fidelidade da base aliada e influenciar o resultado no Congresso.



