A corrida pela Alesc e os reflexos na prefeitura
A próxima disputa eleitoral na Capital já se anuncia como um campo minado. Nunca tantos nomes competitivos miraram, ao mesmo tempo, uma vaga na Alesc, ocupando o mesmo espaço político, muitas vezes dentro da própria base do prefeito Topázio Neto. O resultado é previsível: nem todos chegarão ao destino, e os que ficarem pelo caminho tendem a cobrar a conta. Quando isso acontece dentro de um governo, o problema deixa de ser eleitoral e passa a ser de governabilidade.
O elenco é conhecido e numeroso. O chefe de gabinete do prefeito, Fábio Botelho; o presidente da Câmara, João Cobalchini; vereadores da base como Gui Pereira, Pri Fernandes e Ricardo Pastrana; além de figuras de fora do núcleo governista, como o vereador Leonel Camasão, o deputado estadual Marquito, o ex-prefeito Gean Loureiro e o ex-deputado Bruno Souza. É gente demais disputando o mesmo eleitorado, o mesmo espaço político e, principalmente, por parte dos aliados, a mesma atenção do prefeito. Em política, esse tipo de congestionamento raramente termina bem.
Nos bastidores, o clima já é de disputa aberta. Vereadores relatam uma concorrência direta entre Fábio Botelho e João Cobalchini, vista como desequilibrada desde o início. A avaliação corrente é de que ambos avançaram cedo demais e ocupando espaços que outros também consideravam seus. O efeito colateral está aí: ranhuras crescentes na relação entre Legislativo e Executivo, que tendem a se aprofundar à medida que a campanha ganhar corpo.
Há quem argumente que esse cenário demonstra força política do grupo e vitalidade democrática. Na teoria, faz sentido. Na prática, porém, eleições internas mal administradas costumam produzir ressentimentos duradouros. Vereadores que se sentirem preteridos ou usados como escada dificilmente permanecerão dóceis após o pleito. E um prefeito que entra na segunda metade do mandato com a base rachada paga caro – em votações, em articulação e em estabilidade.
É por isso que o foco se desloca inevitavelmente para Topázio. A forma como ele conduzirá esse processo será decisiva. Escolhas explícitas, gestos mal calculados ou silêncio excessivo podem ser interpretados como favoritismo. E favoritismo, neste contexto, é combustível para crise. Governar nesse ambiente exigirá pulso, critérios claros e capacidade de conter vaidades.
O alerta já está dado – e não veio da oposição, mas de dentro da própria base. As ranhuras existem e tendem a crescer. Se o prefeito não assumir o controle político da situação, a eleição pode se transformar numa bomba-relógio instalada no coração da prefeitura. E, como a experiência ensina, quando ela explode, não sobra ninguém ileso.

Outro nome
O vereador de Florianópolis, Renato da Farmácia, deve disputar uma vaga na Assembleia Legislativa nas eleições deste ano. A decisão final dependerá das diretrizes que vierem a ser definidas pelo PSDB, mas o cenário hoje é favorável para que seu nome seja lançado como candidato a deputado estadual pelo partido na Capital.

Mega da Virada
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo em suas redes sociais no início da madrugada de ontem ironizando uma falha técnica no sistema da Mega da Virada, que levou ao adiamento do sorteio para a manhã de ontem. Na postagem, Nikolas afirmou que não duvidaria se, “daqui a pouco, o PT chegasse, acionasse o STF, fosse sorteado o relator Moraes e o próprio Moraes decidisse quem é o ganhador da Mega”, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Incerteza
Levantamento da CNM (Confederação Nacional de Municípios), com 287 dos 295 prefeitos de Santa Catarina, revela um cenário de cautela – e divisão – entre os gestores municipais em relação à economia brasileira este ano. Questionados sobre as perspectivas para o ano que se inicia, 124 prefeitos classificaram o cenário como ruim ou muito ruim, enquanto 116 avaliaram como bom ou muito bom. Outros 35 consideram o ambiente econômico indiferente e 12 não responderam. O dado mais revelador está menos na soma dos extremos e mais no equilíbrio desconfortável entre pessimismo e otimismo, sinalizando um ambiente de incerteza prolongada.

Novas regras
Desde ontem, as regras de aposentadoria do INSS ficaram mais rígidas em razão da reforma da Previdência de 2019. As mudanças são automáticas, já previstas na Constituição, e não dependem de nova votação no Congresso ou de decisão do governo. Na prática, milhares de trabalhadores terão de permanecer mais tempo no mercado de trabalho para se aposentar. Este ano, as mulheres precisarão ter 59 anos e 6 meses de idade, além de 30 anos de contribuição. Para os homens, a exigência sobe para 64 anos e 6 meses, com 35 anos de contribuição. A progressão continua até alcançar as idades definitivas previstas na reforma: 62 anos, para mulheres, e 65 anos, para homens.






