A corrida eleitoral ganha ritmo
As duas pesquisas mais recentes dos institutos Atlas e Paraná Pesquisas trouxeram mais do que números frios sobre a corrida presidencial. Elas revelam movimento. E, em política, movimento costuma ser mais relevante do que fotografia estática.
Os levantamentos apontam liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no cenário estimulado e, sobretudo, indicam uma tendência de crescimento consistente do nome do PL, enquanto o presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) aparece em trajetória de estabilidade com viés de queda.
Neste mês, o que se emerge é um cenário em consolidação. Não se trata apenas de vantagem pontual. Os dados sugerem que Flávio amplia sua presença no eleitorado, ganha densidade fora do núcleo ideológico mais fiel e começa a dialogar com parcelas que, até pouco tempo atrás, estavam dispersas. Lula, por sua vez, enfrenta desgaste natural de governo, dificuldade de expansão e maior resistência em segmentos estratégicos.
Esse desenho reforça a polarização que já marcou as duas últimas eleições nacionais. O quadro atual aponta para uma disputa cristalizada entre o PL, com Flávio Bolsonaro, e o PT, com Lula. A verticalização do voto tende a se repetir. Em ambientes polarizados, o eleitor costuma alinhar escolhas nacionais e estaduais, fortalecendo palanques que representem com clareza um dos polos.
Em Santa Catarina, onde o bolsonarismo teve desempenho expressivo nas últimas disputas, um crescimento contínuo de Flávio pode irradiar efeitos diretos na eleição de outubro. O governador Jorginho Mello (PL), pré-candidato à reeleição, tende a se beneficiar de uma onda nacional favorável ao campo do PL, consolidando o discurso de alinhamento com Brasília em caso de vitória do seu grupo político.
Por outro lado, o PT, que sinaliza apoio à candidatura de Gelson Merísio, dependerá fortemente da capacidade de Lula reagir nas pesquisas para impulsionar o palanque estadual. Se a tendência de crescimento de Flávio se confirmar ao longo do ano, o impacto poderá ser decisivo na configuração final da disputa catarinense.
A política é dinâmica, mas o vento que sopra neste início de ano indica direção clara. E, até aqui, ele parece empurrar as velas do PL.

Maldição do Vasco
Na posse da diretoria da Acaert, o presidente da Alesc, Julio Garcia (PSD), fez um elogio à evolução da mídia que acabou virando confissão de torcedor. Ele lembrou que aos oito anos de idade ouvia pelo rádio o Vasco ser “super campeão”. Hoje, com televisão em alta definição, o que se vê é diferente, e mais doloroso. “O Vasco já não ganha de ninguém”, lamentou. A tecnologia avançou. E Julio Garcia carrega essa cruz com a sobriedade de quem já aprendeu que, em política, e no futebol, nem sempre se vive de vitórias.

Rejeição
O STF rejeitou, por unanimidade, a ação do Cidadania que contestava mudanças na legislação eleitoral sobre o registro de candidatos. O ponto central era a regra que permitia aos partidos lançar candidatos em até 150% das vagas disponíveis — vedada para Estados com até 18 cadeiras na Câmara e municípios com até 100 mil eleitores. Essa possibilidade foi vetada pelo presidente da República antes da sanção. A norma atual fixou o limite em 100% das vagas mais um nome por partido. O Cidadania alegou que o texto aprovado pelo Congresso foi alterado individualmente antes do veto, configurando violação ao processo legislativo. O STF, no entanto, afastou os argumentos e manteve a norma em vigor.

SC no Espelho
O cientista político Felipe Nunes, autor do livro “Brasil no Espelho”, maior pesquisa já feita no país sobre preferências e comportamentos do eleitor brasileiro, com quase 10 mil entrevistados, revelou um dado que sintetiza bem o mapa eleitoral catarinense. Em palestra na posse da nova diretoria da Acaert, ele apontou que a Grande Florianópolis é a região com maior percentual de votos no PT em Santa Catarina, com 39% do eleitorado alinhado ao partido. No extremo oposto está o Vale do Itajaí: 57% dos eleitores da região não votam na sigla.

Investimento
A Alesc registrou, em 2025, o maior investimento em rádio e televisão de sua história. O anúncio foi feito pelo presidente Julio Garcia (PSD) durante a posse da nova diretoria da Acaert. Ele lembrou que foi a Alesc a primeira instituição a firmar convênio com a entidade — acordo assinado ainda na gestão do ex-presidente Gelson Merísio. Julio admitiu que, mesmo na quarta passagem pela presidência da Casa, só agora compreendeu o peso estratégico da comunicação institucional. Para ele, o gasto com mídia não é despesa, é investimento em transparência e aproximação entre o poder e a sociedade.

Recado interno
O deputado federal Rafael Pezenti (MDB) subiu o tom e direcionou críticas claras ao comando estadual do partido. O alvo das críticas é a postura da cúpula estadual diante do governador Jorginho Mello (PL), que preferiu o MDB na composição política do seu projeto à reeleição, deixando a legenda figurar. Disse que o MDB não pode aceitar “geola abaixo” um projeto para ser figurante e relembrou que já alertava contra a antecipação de uma posição de vice na chapa de pré-candidatura à reeleição do governador Jorginho Mello. Jorginho fechou com o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo). “Quem se lança vice, se lança a nada”, disse Pezenti, que também criticou acordos costurados para agradar “cinco, seis ou sete pessoas”.

Fórum de Integração
Paulinho Bornhausen, secretário de Articulação Internacional do governo de Santa Catarina, é um dos representantes do 1º Fórum de integração Mercosul-União Europeia, promovido pela Associação Comercial de São Paulo e pela CACB, nesta quarta-feira (4), em São Paulo. Bornhausen divide o espaço com diplomatas, parlamentares e economistas de peso para discutir os impactos do acordo de livre comércio entre os dois blocos. Com a eliminação prevista de cerca de US$ 4 bilhões em tarifas, o evento inaugura um cronograma de preparação das empresas brasileiras para o mercado europeu — e coloca Santa Catarina no centro do debate.




