Chapa pura do PL isola Amin; Novo ato de Nikolas; Conservadores; Federalização; entre outros destaques

Chapa pura do PL isola Amin

O ex-presidente Jair Bolsonaro sinalizou apoio a uma chapa dupla pura do PL ao Senado, com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni disputando juntos as duas vagas disponíveis em Santa Catarina. A movimentação não é apenas uma decisão eleitoral, é um termômetro do equilíbrio de forças dentro do partido e da família que o controla nos bastidores.

Como já é público, havia um acordo tácito nos corredores do PL: Esperidião Amin (PP), senador experiente e aliado histórico do bolsonarismo catarinense, tentaria a reeleição ao lado de um candidato do PL. Carlos Bolsonaro, que transferiu seu domicílio eleitoral para o Estado justamente para disputar uma cadeira no Senado, seria esse nome. Parecia um arranjo equilibrado, até que Caroline de Toni entrou em cena como variável incontrolável.

A deputada federal, uma das vozes mais afinadas com a pauta conservadora no Congresso, não aceitou a ideia de ficar de fora da disputa pelo Senado. Sua ameaça de deixar o PL não foi um gesto impulsivo: foi uma jogada calculada, sustentada por um ativo político de peso – o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A posição de Jair Bolsonaro não se explica apenas por afinidade política com Caroline ou pela influência de Michelle. Ela se explica por um dado concreto: as pesquisas mostram a deputada bem posicionada na corrida ao Senado catarinense. E a leitura dentro do clã é cirúrgica: Carlos Bolsonaro tem chances reais de conquistar uma vaga se disputar ao lado de Caroline, e não contra ela. Separados, os dois se fragmentam. Juntos, podem se eleger.

Há, porém, um risco que os estrategistas do PL não podem ignorar: Santa Catarina tem um eleitorado marcadamente bairrista. Um candidato carioca, por mais que carregue o sobrenome Bolsonaro, pode encontrar resistência em um Estado acostumado a valorizar quem conhece suas estradas, seus municípios e sua cultura. Carlos precisará de uma campanha intensa de territorialização, e tempo é o que menos sobra.

Caroline é a grande vencedora do momento. Transformou uma ameaça de debandada em poder de barganha real e saiu da negociação com a garantia de ser candidata ao Senado pelo PL.

Do outro lado, quem perde é Amin – e a derrota tem um sabor amargo. Um dos políticos mais longevos de Santa Catarina, ex-governador, ex-senador, referência histórica catarinense, vê o tapete puxado por aliados. Pior: há uma operação em curso para convencê-lo a migrar para a Câmara Federal, o que seria, na prática, um rebaixamento disfarçado de gesto de generosidade. Amin ainda não disse sua última palavra, e dificilmente aceitará esse papel sem resistência.

Novo ato

O movimento nacional convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para o dia 1º de março, na Avenida Paulista, já começa a ganhar adesões. O deputado federal Ricardo Guidi (PL-SC) confirmou presença na mobilização. A expectativa é que o ato se consolide como o principal movimento da direita após as manifestações que culminaram em Brasília. A mobilização deve reunir lideranças e apoiadores críticos ao governo do PT, sob articulação de Nikolas, que tem ampliado seu protagonismo nacional dentro do campo conservador.

Gestores municipais

A CNM (Confederação Nacional de Municípios) promove no próximo dia 25, em Joinville, uma edição do Conexão CNM Qualifica, voltada a gestores e servidores municipais catarinenses. O encontro, no Alven Hotel by Slaviero Hotéis, abordará temas como demonstrações contábeis, Fundeb 2026, piso do magistério e o papel dos municípios na reforma tributária.

Conservadores

O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, acendeu o pavio da bancada conservadora no Congresso Nacional. A escola apresentou a ala “neoconservadores em conserva”, com dançarinos fantasiados de latas trazendo imagens de famílias tradicionais e máscaras de fazendeiros e pastores evangélicos. A resposta veio rápida nas redes sociais: parlamentares da oposição, entre eles a deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), publicaram montagens com Inteligência Artificial colocando suas próprias famílias nos rótulos, transformando a provocação em vitrine. O senador Magno Malta (PL-ES) foi além e acionou a Procuradoria-Geral da República, acusando a agremiação de intolerância religiosa.

Federalização

O deputado estadual Ivan Naatz (PL) voltou a defender a federalização das investigações sobre a morte do cão Orelha durante agendas de Carnaval. O parlamentar fez críticas diretas à condução do caso pela Polícia Civil de Santa Catarina. A fala atinge especialmente o delegado Ulisses Gabriel, responsável pelo comando da corporação. Segundo Naatz, houve mais busca por “likes” do que agilidade nos procedimentos. É mais um aliado do governador a questionar a condução do caso.

Pressão

Integrante e ex-líder do governo na Alesc, Ivan Naatz elevou o tom ao cobrar resultados e punição exemplar. Defende acompanhamento rigoroso do Ministério Público e promete fiscalização permanente na Alesc. Nos bastidores, a avaliação é que o episódio ganhou dimensão institucional. A cobrança pública reforça a pressão política, especialmente sobre o delegado Ulisses Gabriel.