Centrão ganha forma em SC
O movimento nacional que começa a se consolidar em torno da candidatura de Ratinho Júnior (PSD) à Presidência da República, com MDB na vice e a Federação União-Progressista na composição, pode ter reflexos diretos em Santa Catarina. O desenho, que une partidos de centro com forte capilaridade municipal e tempo robusto de televisão, encontra terreno fértil no Estado.
Ao rifar MDB e federação da majoritária, o governador Jorginho Mello (PL) abriu espaço para a construção de um polo alternativo. E quem percebeu isso rapidamente foi o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), pré-candidato ao governo do Estado e atualmente principal opositor ao projeto de reeleição de Jorginho, que passa a ter uma avenida política à sua frente.
No Norte, o MDB mantém força consolidada, seja com o deputado estadual Antídio Lunelli ou o deputado federal Carlos Chiodini como referências regionais. No Sul, mesmo sob turbulências recentes, o prefeito Clésio Salvaro (PSD) segue sendo um ativo político relevante. No Oeste, João já reúne densidade eleitoral e apoio orgânico. Faltava a Capital e um nome de maior musculatura estadual, articulação que deve ganhar forma logo após o Carnaval.
A eventual saída de Esperidião Amin com o isolamento imposto pelo PL pode ser o elemento que faltava para consolidar esse polo alternativo. Sem espaço na nominata de Jorginho Mello, o senador tende a gravitar em torno desse campo de centro ampliado.
No xadrez político, o movimento do governador para organizar sua base pode ter produzido efeito colateral: estimular a formação de um adversário competitivo, com tempo de TV, estrutura partidária e nomes conhecidos do eleitorado catarinense.
Integrantes do grupo já fazem a conta com base em 2002 com entusiasmo. Naquele ano, Amin liderava com mais de 50% das intenções de voto e saiu derrotado por Luiz Henrique, que partia com menos de 10%. A lembrança alimenta o ânimo dos articuladores, que enxergam no cenário atual algo ainda mais promissor: o campo está sendo construído com consistência. O entendimento é que hoje o jogo começa mais equilibrado, em comparação com 2002.
Santa Catarina pode assistir à formação de um novo centro político e, desta vez, com ambição real de poder.

Produtores de cebola
Durante a sessão ordinária de terça-feira (10), o deputado Carlos Humberto (PL) destacou a grave crise econômica enfrentada pelos produtores de cebola de Ituporanga. O município, que já decretou emergência econômica, sofre com a desvalorização do produto no mercado nacional. De acordo com o parlamentar, o prejuízo é severo: o preço pago ao produtor é insuficiente para arcar com metade das despesas da safra, colocando em risco a estabilidade financeira das propriedades e empresas da região.

Ausência
No almoço do governador Jorginho Mello com a bancada emedebista da Alesc, na quarta-feira (11), na Casa da Agronômica, chamou atenção a ausência de Mauro de Nadal. Ex-presidente da Alesc, internamente sempre foi visto como contrário a compor com Jorginho Mello. Ele alegou que tinha médico agendado e não compareceu ao encontro. Na semana passada, durante almoço dos emedebistas na Alesc, dos seis estaduais, quatro votaram pelo desembarque. Apenas Jerry Comper e Fernando Krelling quiseram se manter no governo. As últimas informações garantem que o partido todo irá desembarcar até o final deste mês.

Corregedor Nacional
O catarinense Fernando da Silva Comin assumirá a Corregedoria Nacional do Ministério Público após ser indicado por aclamação pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público). Ex-procurador geral de Justiça do MPSC, Comin comandará o órgão por dois anos. A decisão ocorreu um dia depois de sua recondução para um segundo período como conselheiro do CNMP. A cerimônia de posse na Corregedoria e a formalização da renovação do mandato no conselho estão marcadas para o próximo dia 23.

Veto
A oposição criticou duramente o veto do governador Jorginho Mello (PL) ao trecho da Lei Compra Coletiva que reservava 30% das compras públicas de alimentos à agricultura familiar. Alega que a medida esvazia o principal mecanismo de uma lei aprovada pela Alesc para fortalecer pequenos produtores rurais em escolas, unidades de saúde e instituições socioassistenciais. O deputado estadual Fabiano da Luz (PT), autor do projeto, afirmou que sem o trecho vetado a legislação perde seu efeito prático. O parlamentar acusou o governo de contradição ao discursar em defesa da agricultura enquanto retira políticas públicas de apoio ao setor. A oposição anunciou que tentará derrubar o veto na Alesc.





