Capital político na mala
Os agora ex-prefeitos Adriano Silva e João Rodrigues renunciaram aos seus mandatos com ativos que poucos políticos conseguem carregar para uma campanha estadual: aprovação popular acima de 60%.
Os dois deixam, respectivamente, Joinville e Chapecó para integrar o cenário eleitoral deste ano: Adriano como pré-candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Jorginho Mello (PL), e João como pré-candidato ao governo do Estado. A pesquisa Neokemp, encomendada pelo Grupo ND, e divulgada nas últimas duas edições do jornal ND, traça o retrato de dois gestores que saem em alta, mas não sem ressalvas.
Em Joinville, Adriano Silva registra 67,3% de aprovação e 65,9% de confiança, números robustos para qualquer gestor municipal. Seu melhor desempenho está na Limpeza e Coleta de Lixo, com 69,9% de avaliação positiva, e na Educação, com 65,9%. São áreas que traduzem gestão cotidiana eficiente e que ressoam diretamente no dia a dia do cidadão.
Mas a pesquisa também revela os pontos vulneráveis. O dado mais evidenciado, porém, é outro: 44,4% dos joinvilenses apontam a Saúde como o principal problema da cidade. Mesmo com 47% de avaliação positiva na área, o gestor deixa para trás uma cidade que ainda se ressente da pressão sobre postos de saúde, UPAs e hospitais. É uma contradição que a oposição certamente não deixará passar.
Os números de João Rodrigues em Chapecó são ainda mais expressivos. Com 80,4% de aprovação e 77% de avaliações positivas na gestão geral, o prefeito sai do cargo com uma das melhores marcas entre gestores municipais de Santa Catarina. Saúde (64,4%), Educação (64%), Segurança (59,6%) e Limpeza Urbana (74,6%) compõem um conjunto de indicadores invejáveis.
Assim como em Joinville, a Saúde lidera as preocupações da população local, citada por 43,9% como o principal problema municipal. O padrão se repete: mesmo gestões bem avaliadas convivem com a pressão crônica do sistema de saúde, e isso será uma variável importante na campanha estadual.
Para ambos, a gestão municipal funciona mais como credencial do que como obstáculo. Índices acima de 60% de aprovação são uma carta de apresentação poderosa em um Estado que valoriza gestão eficiente. Adriano chega à chapa de Jorginho com o peso de ter administrado a maior cidade catarinense, o que equilibra o tíquete e amplia o alcance eleitoral do governador para além de seu reduto original.
João, por sua vez, entra na disputa pelo governo com os números mais sólidos, mas enfrenta um desafio estrutural: sair de Chapecó, cidade de forte identidade regional, e construir uma narrativa estadual convincente. Aprovação local não se converte automaticamente em votos no Litoral, no Vale do Itajaí ou na Grande Florianópolis.
A eleição em Santa Catarina começa, portanto, com dois gestores municipais bem avaliados disputando espaço num cenário ainda em formação. O capital político está na mala. Resta saber se será suficiente para a viagem mais longa.

Crescimento
Com a saída de Salmir da Silva para disputar as eleições de 2026, quem assume a Prefeitura de Biguaçu é o então vice Alexandre Martins de Souza. O movimento reforça o avanço do Podemos na Grande Florianópolis. Hoje, a sigla passa a controlar duas prefeituras estratégicas na região: a Capital, com Topázio Neto, e agora Biguaçu, ampliando sua presença política e administrativa.

Otimismo
Nos bastidores, a expectativa é de que essas estruturas municipais funcionem como base para o crescimento do partido já de olho nas próximas eleições. A aposta está no fortalecimento da nominata, tanto para deputado estadual quanto federal. Sob a liderança da deputada Paulinha, que comanda o partido em Santa Catarina, o clima é de otimismo. A leitura interna é de que o Podemos entra no próximo ciclo eleitoral mais competitivo e com musculatura política ampliada na região.

Janela agitada
A janela partidária já figura entre as maiores da história recente do Congresso: até quinta-feira (2), ao menos 110 parlamentares haviam trocado de partido no último mês, sendo 101 deputados federais e nove senadores, segundo levantamento do Congresso em Foco. O PL foi o maior beneficiado na Câmara, com saldo positivo de 13 deputados, enquanto o União Brasil registrou a maior perda, com 21 saídas e saldo negativo de 13 cadeiras. Em Santa Catarina, o único movimento entre os deputados federais foi a migração de Ismael, que deixou o PSD e ingressou no PL. O prazo final para deputados federais mudarem de legenda sem risco de perder o mandato encerrou nesta sexta-feira (3).

Lançamento
Carlos Bolsonaro (PL-RJ) terá sua pré-candidatura ao Senado por Santa Catarina lançada oficialmente no dia 9 de maio, em Florianópolis, em evento que contará com a presença do irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Flávio anunciou sua participação no ato em vídeo publicado nas redes sociais.

Carol e Jorginho
O evento no Stage Park Music, às 14h, marcará ainda o lançamento das pré-candidaturas da deputada federal Caroline De Toni (PL) ao Senado e de reeleição do governador Jorginho Mello (PL), compondo um palanque unificado da direita catarinense. A escolha de Santa Catarina por Carlos Bolsonaro, ex-vereador pelo Rio de Janeiro, sinaliza uma estratégia do clã Bolsonaro de ampliar sua representação no Senado em um Estado considerado reduto eleitoral seguro para o grupo.

Sucessão
Ao deixar a Prefeitura de Joinville, Adriano Silva (Novo) revelou os bastidores do convite do governador Jorginho Mello para compor sua chapa como pré-candidato a vice-governador. Segundo Adriano, Jorginho o procurou motivado pela admiração pela forma como Joinville foi administrada e pela preocupação com a sucessão do Estado. O ex-prefeito não escondeu a ambição de longo prazo ao afirmar que pode vir a ser um eventual sucessor do governador, sinalizando que a aliança vai além de uma composição eleitoral imediata. Ele prometeu um trabalho focado na agenda administrativa, caso a chapa vença.




