Alguém ainda se surpreende com a CBF; Embaralhou; Retorno; Uso da IA; entre outros destaques

Alguém ainda se surpreende com a CBF?

Hoje vou pedir licença aos leitores para sair momentaneamente da política partidária. Mas apenas aparentemente. Porque falar da CBF é, no fundo, falar de poder, de bastidores, de disputas internas, de falta de transparência e de uma cultura institucional que atravessa décadas. Em outras palavras: é falar de política – só que vestida de camisa amarela.

Em plena Copa do Mundo, o presidente da CBF, Samir Xaud, virou personagem de mais uma crise extracampo. Reportagem do Portal Leo Dias apontou uma suposta relação extraconjugal envolvendo o dirigente e uma empresária, além de questionamentos sobre despesas de hospedagem que teriam sido pagas pela própria Confederação Brasileira de Futebol. O presidente deixou temporariamente o ambiente da seleção. A CBF divulgou nota. As explicações vieram. O constrangimento ficou.

Não cabe aqui discutir a vida privada de Samir Xaud. O interesse público surge quando aparecem questionamentos sobre eventual utilização de recursos da CBF, entidade que movimenta R$ 1 bilhão e representa institucionalmente o futebol brasileiro.

Há décadas, a entidade mais poderosa do futebol brasileiro consegue a proeza de transformar praticamente todos os seus presidentes em personagens de alguma crise. Ricardo Teixeira saiu cercado por denúncias. José Maria Marin foi preso. Marco Polo Del Nero foi banido do futebol. Rogério Caboclo caiu após acusações de assédio. Ednaldo Rodrigues passou mais tempo enfrentando disputas judiciais do que discutindo futebol. Agora é a vez de Samir Xaud ocupar as manchetes.

Alguém realmente imaginava que seria diferente? A CBF se acostumou a funcionar como uma espécie de república autônoma da cartolagem brasileira. Uma estrutura bilionária, com baixíssimo nível de fiscalização pública, enorme concentração de poder e uma impressionante capacidade de sobreviver a escândalos sem promover mudanças profundas.

A CBF continua frequentemente associada a disputas internas, privilégios, denúncias e crises de imagem. O futebol aparece quase como detalhe. O mais grave não é a polêmica atual. O mais grave é a previsibilidade dela.

Talvez o maior fracasso da CBF não seja produzir escândalos sucessivos. Talvez seja ter conseguido algo ainda pior: fazer com que eles deixem de causar surpresa. No futebol brasileiro, os técnicos mudam, os jogadores mudam, as gerações mudam. A cartolagem, não.

Embaralhou

A pesquisa da Neokemp, a primeira a testar Antídio Lunelli (MDB) ao Senado, revela um efeito imediato: o deputado estadual e ex-prefeito de Jaraguá do Sul estreia com 11,7% das intenções de voto e já aparece muito próximo de Décio Lima (14,4%), terceiro colocado.

Mais do que os números absolutos, chama atenção o desempenho regional. Antídio alcança 18,3% em Joinville e região, demonstrando força no maior colégio eleitoral do Estado. Sua entrada fragmenta ainda mais o eleitorado de centro-direita. A disputa pelas duas vagas ao Senado, que já era aberta, torna-se ainda mais imprevisível.

A chegada de Antídio acrescenta um novo competidor viável justamente no campo onde estão Carlos Bolsonaro, Carol de Toni e Esperidião Amin. E, em eleição para duas vagas, isso costuma mudar tudo.

Retorno

Menos de um ano após deixar a presidência do Detran-SC, Ricardo Miranda Aversa está de volta ao comando do órgão, em substituição a Cristiano Medeiros.

Ele deixou a presidência do Detran em setembro do ano passado e foi deslocado para a Secretaria-Adjunta de Proteção e Defesa Civil. A nomeação marca o retorno de um nome de confiança do governo a uma das estruturas mais estratégicas da administração estadual.

O retorno sinaliza um prestígio de Aversa dentro da estrutura do governo.

Uso da IA

Se existe um sinal político relevante no ato promovido pelo TSE na terça-feira (16), ele está na amplitude da adesão. Nada menos que 26 partidos assinaram o compromisso pela integridade das eleições de 2026 e pelo uso responsável da Inteligência Artificial durante a campanha.

Em um ambiente cada vez mais marcado pela circulação de vídeos, áudios e imagens produzidos por IA, o tema deixou de ser uma preocupação do futuro para se tornar um desafio do presente.

Também chama atenção o fato de que apenas quatro siglas ficaram fora do acordo: Missão e PRTB, à direita, além de PCO e PSTU, à esquerda.

Favoritismo

A pesquisa Neokemp/OCP News também apresentou números que mantêm Jorginho Mello (PL) como amplo favorito à reeleição, com 52,3% das intenções de voto, índice que o coloca em condição de vitória ainda no primeiro turno.

O dado novo está no desempenho de João Rodrigues (PSD), que avançou de 18,3% para 20,4% em relação ao levantamento anterior.

Embora a diferença siga superior a 30 pontos percentuais, o crescimento consolida o ex-prefeito de Chapecó como principal nome da oposição.