A rua como termômetro; Acorda Brasil; Sindaf-SC; Djalma Berger na Itaipu; entre outros destaques

A rua como termômetro

As manifestações de ontem confirmaram o que os bastidores já sinalizavam: o campo bolsonarista está de volta às ruas com uma pauta consolidada e um novo rosto na linha de frente. A apresentação do senador Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato à Presidência da República deu ao ato um contorno eleitoral inegável, ainda que alguns oradores tenham insistido no contrário.

O quadro político que emergiu da avenida Paulista é mais complexo do que a imagem de polarização costuma sugerir. De um lado, há uma oposição organizada, capaz de mobilizar multidões em ao menos 20 cidades, com pautas definidas – anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e enfrentamento ao STF – e lideranças dispostas a disputar as eleições. Isso é um fato político relevante, independentemente de como se avalie o mérito das reivindicações.

O tom adotado por alguns oradores suscita preocupação legítima. Frases apontavam a “cadeia” como destino de um ministro da Suprema Corte ou prometiam “acabar com os intocáveis”. Esse tipo de retórica pode alimentar a base mais mobilizada, mas tende a complicar o diálogo com o eleitor de centro que qualquer candidato com pretensões majoritárias precisará conquistar este ano.

Foi justamente nesse cenário que Flávio Bolsonaro se destacou. Último a discursar, adotou postura mais calibrada que a dos demais, evitou ataques nominais diretos e buscou enquadrar sua fala como defesa das instituições, não como confronto a elas. Defendeu o impeachment de ministros que “descumpram a lei”, mas cuidou de separar o Supremo enquanto instituição das decisões individuais de seus membros. É uma distinção sutil, mas politicamente relevante para quem precisa ampliar sua base sem perder a que já tem.

A promessa feita ao pai, de que Jair subirá pessoalmente a rampa do Planalto em janeiro de 2027, foi uma declaração de projeto, de continuidade e de responsabilidade assumida publicamente diante de milhares de pessoas. Flávio não foi à avenida Paulista apenas para mobilizar. Foi para liderar. E ao que tudo indica, sabe exatamente o que quer fazer com esse papel.

Acorda Brasil

O domingo foi marcado por manifestações em diversas cidades do país, entre elas Balneário Rincão, no Sul do Estado. Estiveram presentes o ex-delegado geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel (foto, à esq.), e o deputado federal Ricardo Guidi (PL). A mobilização ocorreu de forma pacífica e integrou o movimento nacional que tem organizado atos em diferentes Estados com críticas ao governo federal e ao STF.

Valorização

O Sindaf-SC (Sindicato dos Auditores Estaduais de Finanças Públicas de Santa Catarina) completou 16 anos na sexta-feira (27), e marcou a data com encontro entre diretoria e filiados. O presidente Sandro Medeiros Alves defendeu diálogo e responsabilidade em ano eleitoral, cobrando atenção às demandas da categoria. “O Estado sabe da nossa importância, mas também sabe que temos demandas que precisam ser vistas com atenção”, afirmou. A mensagem é direta: valorização da carreira e boa gestão fiscal andam juntas.

Berger na Itaipu

O ex-prefeito de São José e ex-deputado federal catarinense Djalma Berger (PSDB) tem novo endereço no mapa do poder. Por decreto assinado pelo presidente Lula e pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, publicado no sábado (28) no Diário Oficial da União, Djalma foi nomeado diretor administrativo da Itaipu Binacional, a gigante hidrelétrica que responde por parcela significativa da energia consumida no país. O mandato vai até 16 de maio de 2027.

Novo cenário

A nomeação de Djalma Berger para a diretoria administrativa da Itaipu Binacional movimenta o cenário político de Santa Catarina e é interpretada como uma baixa para o PSD no Estado. Irmão do ex-senador Dário Berger, Djalma passa a ocupar um cargo estratégico no governo federal. Nos bastidores, a leitura é de que Dário deve integrar o palanque de Lula em Santa Catarina e se filiar ao PDT para disputar o Senado pela sigla. Dário era um nome cotado pelo PSD para compor a majoritária, especialmente na região de São José, onde o partido não tem candidatura consolidada. Com o novo cenário, o PSD deverá buscar uma alternativa para a disputa.