A fatura da polarização; Roteiro de pré-campanha; Encontro em Lages; entre outros destaques

A fatura da polarização

O Brasil chegou ao meio do ano com uma eleição presidencial que recusa o roteiro previsto. Lula (PT) lidera, mas encolheu. Flávio Bolsonaro (PL) persegue, mas tropeçou. E uma parcela crescente do eleitorado – quase metade do país, segundo a Realtime BigData – declara em voz alta que está cansada de escolher entre os mesmos dois campos que dominam a política nacional há duas décadas.

Os números da nova pesquisa são um mapa de tensões. Lula saiu de 40% para 38%. Flávio Bolsonaro recuou de 34% para 31%. No segundo turno, o senador, que em maio aparecia à frente do presidente, agora está atrás, com 40% contra 45% de Lula. A leitura é direta: o episódio dos áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro deixou marca.

Talvez o dado mais relevante da pesquisa não esteja na liderança de Lula nem na segunda colocação de Flávio. O principal sinal emitido pelo eleitorado parece ser outro: o desejo crescente por alternativas.

Quando 48% dos entrevistados afirmam estar cansados da polarização política, abre-se uma janela para candidatos que consigam dialogar além das fronteiras tradicionais entre lulismo e bolsonarismo.

É nesse contexto que surgem os movimentos de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Os números indicam que ambos apresentam desempenho competitivo em uma eventual disputa contra Lula, especialmente Caiado, que aparece em empate numérico com o presidente. Não por acaso, os dois líderes da centro-direita já ensaiam aproximações e discutem a possibilidade de construção de uma candidatura conjunta.

Outro nome que chama atenção é Renan Santos (Missão). Ainda distante dos líderes, o pré-candidato dobrou suas intenções de voto em menos de um mês. Embora os números ainda sejam modestos, o crescimento sugere que existe um segmento do eleitorado disposto a ouvir vozes fora dos polos tradicionais.

A pesquisa também revela um desafio para a direita. Apesar da força eleitoral do bolsonarismo, ainda não há consenso em torno de Flávio Bolsonaro como candidato capaz de unificar o campo conservador. Os números de segundo turno mostram que outros nomes conseguem desempenho semelhante ou até superior diante de Lula, o que inevitavelmente alimenta o debate interno sobre quem tem melhores condições de disputar o Planalto.

O retrato atual sugere uma eleição menos polarizada do que as anteriores, mas ainda profundamente marcada pelos efeitos da polarização. O eleitor parece procurar novidade sem abandonar completamente as referências conhecidas. Quem conseguir ocupar esse espaço poderá transformar uma candidatura competitiva em uma candidatura vencedora.

Roteiro de pré-campanha

João Rodrigues (PSD) inicia amanhã uma ofensiva regional que percorre nove cidades do Vale do Itajaí e da Serra catarinense em quatro dias, num roteiro que mistura agenda com lideranças locais e demonstração de força da aliança que reúne PSD, MDB, PP e União Brasil. O pré-candidato ao governo começa em Gaspar e encerra a semana em Lages, passando por Blumenau, Brusque e mais seis municípios – movimento que evidencia a estratégia de capilarizar a pré-campanha antes do período eleitoral oficial.

Encontro em Lages

O ponto alto da semana de João Rodrigues será sábado (6), em Lages, com a chegada do pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), para um grande encontro político no Teatro Marajoara, sob a recepção do ex-governador Raimundo Colombo. Caiado desembarca em Santa Catarina num momento favorável: pesquisa do Real Time Big Data o aponta empatado tecnicamente com Lula numa simulação de segundo turno, consolidando seu nome como força da oposição nacional. A presença do presidenciável na Serra serve a dois projetos ao mesmo tempo – fortalece Caiado no Estado e empresta capital político a João Rodrigues.

Alianças emedebistas

Em declaração durante o Fórum de Lisboa, o ex-governador do Pará, Helder Barbalho, indicou que a tendência do MDB nacional é liberar os diretórios estaduais para definirem seus próprios palanques. A sinalização tem reflexos diretos em Santa Catarina, onde o partido vive uma divisão entre os grupos alinhados ao governador Jorginho Mello (PL) e ao pré-candidato ao governo, João Rodrigues (PSD). Barbalho também afirmou que, no Pará, a orientação deve ser de apoio à reeleição do presidente Lula. A fala reforça o cenário de autonomia regional que o MDB pode adotar na próxima disputa nacional.

Trapalhada

Ao tentar questionar a saída de dois vereadores do PL para o Republicanos, o comando municipal do partido em Balneário Camboriú ignorou que as desfiliações foram autorizadas pela direção estadual, situação amparada pela legislação eleitoral e pela jurisprudência.

O movimento também desconsiderou a boa relação entre Republicanos e PL no âmbito estadual. Os vereadores seguem alinhados ao governador Jorginho Mello e permanecem na oposição à prefeita Juliana Pavan (PSD), divergindo apenas da aproximação de parte da base do PL com a administração municipal.

Em Joinville

A aliança de centro-esquerda de Santa Catarina saiu a campo no fim de semana, em Joinville. Os pré-candidatos ao governo Gelson Merisio (PSB), a vice Ângela Albino (PDT), e ao Senado: Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (Psol) participaram do lançamento da pré-candidatura do ex-vereador Francisco de Assis, à Câmara dos Deputados. O ato serviu para reforçar a pré-campanha do grupo e mostrar unidade em torno do projeto que pretende disputar o governo e as duas vagas ao Senado.

Garantia mantida

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina rejeitou recurso do Estado e manteve a decisão que reconheceu um imóvel como garantia suficiente em execuções fiscais movidas contra a Jotur. A Procuradoria defendia a penhora de ônibus da empresa, alegando que o terreno oferecido estaria comprometido por outras restrições judiciais. O TJSC, porém, entendeu que o imóvel continua apto a assegurar os créditos cobrados.

Ônibus liberados

A defesa da Jotur sustentou que a retirada dos veículos colocaria em risco a prestação do transporte coletivo na Grande Florianópolis. O argumento foi acolhido pelo desembargador Artur Jenichen Filho, que destacou avaliações apontando valor superior a R$ 40 milhões para o imóvel dado em garantia. Com a decisão, os ônibus permanecem em operação e a execução segue garantida pelo patrimônio já penhorado.