A disputa mais imprevisível nas eleições
Com o fim de maio se aproximando, o cenário político de Santa Catarina começa a ganhar contornos mais nítidos. Enquanto a corrida pelo governo do Estado parece se encaminhar para um desfecho previsível, todas as atenções se voltam agora para a disputa pelo Senado, prometendo ser o grande embate eleitoral catarinense deste ano.
A briga pelas duas cadeiras no Senado eleva a temperatura das eleições de outubro. A deputada federal Caroline de Toni (PL) desponta na liderança da maioria das pesquisas divulgadas até o momento. A segunda vaga, contudo, se desenha como um campo de batalha aberto e de intensa movimentação política.
De um lado, temos o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL), que recentemente transferiu seu domicílio eleitoral para Santa Catarina, integrando-se oficialmente ao cenário local. Do outro, o senador Esperidião Amin (PP), uma figura tradicional e respeitada na política brasileira, com forte apelo junto ao eleitorado conservador catarinense.
O PT, por sua vez, aposta no ex-deputado federal e ex-candidato ao governo de Santa Catarina, Décio Lima, que também observa com interesse o espaço aberto pelo chamado “segundo voto”. Já o Psol tem o vereador de Florianópolis, Afrânio Boppré, como pré-candidato ao Senado, representando a frente ampla de esquerda.
A polarização entre Carlos Bolsonaro e Esperidião Amin promete monopolizar boa parte do debate político no Estado. Carlos traz consigo a força do discurso bolsonarista mais fervoroso, mas também enfrenta resistências geradas pelas constantes controvérsias envolvendo os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Amin, por sua vez, busca conquistar um eleitorado conservador mais abrangente. Aliado histórico de Jair Bolsonaro, o senador concorrerá pelo PP, apresentando uma candidatura que, embora alinhada aos valores da direita, é também sustentada por sua vasta trajetória política construída ao longo de décadas.
Com Brasília imersa em um ambiente de forte turbulência política e Santa Catarina caminhando para um cenário estadual relativamente definido, a disputa pelo Senado emerge como a mais imprevisível e carregada de emoção. Mais do que um simples embate entre partidos, esta eleição testará a verdadeira força de projetos políticos que precisarão demonstrar sua própria relevância, para além da influência do bolsonarismo.

Reforço
O deputado federal Rafael Pezenti (MDB) fez sua estreia oficial nas agendas da pré-campanha de João Rodrigues (PSD) ao governo do Estado. A escolha do Alto Vale do Itajaí para o primeiro compromisso conjunto não foi aleatória, pois é o principal reduto eleitoral de Pezenti, o que deu peso simbólico ao movimento. Embora o parlamentar já tivesse declarado apoio ao ex-prefeito de Chapecó, foi a primeira vez que os dois apareceram juntos publicamente. A avaliação nos bastidores é que Pezenti deve se tornar um dos principais fiadores da pré-candidatura na região.

Recado
No evento, Rafael Pezenti foi além do protocolo e mandou um recado direto ao campo adversário. “Para cada adversário que você tiver, eu vou te dar dois apoiadores”, disse ao lado de João Rodrigues, aproveitando para criticar a narrativa de que apenas o PL faz oposição ao governo federal. O gesto reforça a estratégia de João de construir uma frente ampla com lideranças de diferentes partidos, ampliando sua capilaridade no interior do estado.

Novo rumo
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência ganhou um novo comandante de comunicação. O jornalista Alexandre Oltramari, indicado pelo consultor Eduardo Fischer, assume a coordenação de comunicação após a saída do marqueteiro Marcello Lopes, o Marcellão. Oltramari tem currículo extenso: foi editor de Política da revista Veja em Brasília, assinou as campanhas vitoriosas de Simone Tebet ao Senado em 2014 e as duas eleições de Wilson Lima ao governo do Amazonas. A mudança ocorre num momento delicado para Flávio, ainda sob o impacto do vazamento dos áudios com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Homeschooling
A deputada federal Caroline de Toni (PL) apresentou projeto de lei que concede anistia a pais investigados ou condenados por adotarem o ensino domiciliar no Brasil. A proposta ganhou força após a condenação a 50 dias de detenção de um casal de Jales (SP) por “abandono intelectual”. O caso também provocou reação da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que acionou o CNJ e pediu reunião com o ministro Edson Fachin para discutir a atuação do magistrado responsável pela sentença. O debate reacende a disputa entre defensores do homeschooling e setores que defendem a obrigatoriedade do ensino regular presencial.

Ausência
Chamou atenção de leitores mais atentos a ausência do vereador de Florianópolis, Gui Pereira, no encontro promovido pela esquerda catarinense na Grande Florianópolis. Recém-saído do PSD e agora pré-candidato pelo PDT, Pereira não apareceu na foto do evento que reuniu lideranças dos partidos que integram a construção da chapa majoritária para as eleições de outubro. Nos bastidores, a pergunta foi inevitável: faltou convite, alinhamento ou prioridade política?

Entendimentos
O prefeito de Jaraguá do Sul, Jair Franzner, confirmou ao deputado estadual Ivan Naatz (PL) que está em entendimentos com o governador Jorginho Mello para ingressar no PL. Franzner deixou o MDB em fevereiro e disse que em breve terá um encontro com o governador para definir os encaminhamentos da troca de sigla. “Com certeza, vai dar certo”, afirmou. O convite vem sendo articulado por lideranças regionais do partido, com destaque para o deputado estadual Maurício Peixer. Nos bastidores, a movimentação já gera desconforto com lideranças do MDB, especialmente o deputado federal Carlos Chiodini, forte nome para ser pré-candidato a vice-governador na chapa de João Rodrigues (PSD).

Arquivada
A ação direta de inconstitucionalidade que questionava a lei estadual que proibia cotas raciais em universidades catarinenses foi arquivada pelo TJSC. A decisão da desembargadora Maria do Rocio Luz Santa Ritta reconheceu a perda de objeto da ação, já que o STF havia declarado definitivamente inconstitucional a Lei 19.722/2026 antes mesmo de o TJSC concluir o julgamento. A norma, sancionada em janeiro deste ano, vedava ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais em instituições de ensino superior públicas ou financiadas com verbas públicas no estado. Com a decisão do STF, as universidades catarinenses estão liberadas para manter e adotar políticas de cotas raciais.





