A chance de acabar com o fura-teto; Milagre dos atestados; Mudanças no primeiro escalão; entre outros destaques

A chance de acabar com o fura-teto

O veto de Lula a trechos do reajuste salarial do Legislativo não foi um gesto de coragem. Foi o mínimo que se esperava diante do escândalo dos supersalários que virou rotina nos Três Poderes. Enquanto o brasileiro médio amarga renda per capita de R$ 4.200 mensais, servidores públicos de elite embolsam valores astronômicos por meio de “penduricalhos” que driblam o teto constitucional de R$ 46.366,19.

A decisão do ministro Flávio Dino, do STF, finalmente colocou o dedo na ferida ao determinar a revisão dessas verbas indenizatórias em 60 dias. O Congresso agora tem uma oportunidade rara: legislar de forma definitiva e unificada sobre salários da Câmara, do Senado e do TCU (Tribunal de Contas da União), acabando com a babel normativa que permite a cada instituição criar suas próprias regras — sempre convenientes, sempre generosas.

O deputado Pedro Uczai (PT) acertou ao afirmar que “teto é teto”. Não pode haver brecha, jeitinho ou gambiarra jurídica. Se o limite está defasado, que se discuta o reajuste de forma transparente e republicana. Mas manter a atual hipocrisia — teto na lei, fura-teto na prática — é insustentável em ano eleitoral e moralmente indefensável em qualquer tempo.

O líder do PDT, Mário Heringer, reconheceu que o “fura-teto” do Legislativo é “o menos lesivo”. A frase é reveladora: admite-se que há lesão, apenas se discute a gravidade. Esse é exatamente o problema. A elite do serviço público naturalizou privilégios que escandalizariam qualquer cidadão comum.

O Congresso tem agora duas escolhas: derrubar o veto e perpetuar a festa dos supersalários às vésperas das eleições, ou aprovar uma legislação que realmente respeite o teto constitucional. A primeira opção é politicamente suicida. A segunda, decência básica. Não deveria ser uma escolha difícil.

Milagre

O governador Jorginho Mello brincou, durante café da manhã com a imprensa, com a redução de 75% nos atestados médicos da rede estadual de ensino após o bônus de assiduidade implantado no último trimestre de 2025: “Foi promovido um milagre na educação e as pessoas ficaram saradas de uma semana para outra”. A secretária de Estado da Educação, Luciane Ceretta, amenizou: “Não é o ideal, mas tem sido muito educativo”. O benefício pagou até R$ 3.000 para quem não faltou entre outubro e dezembro; metade para quem teve até cinco faltas justificadas; e nada para quem ultrapassou esse limite. A estratégia funcionou: o absenteísmo caiu drasticamente.

Mudanças

O governador Jorginho Mello (PL) dá início às mudanças do primeiro escalão. Com o prazo de desincompatibilização batendo à porta no início de abril, três nomes do governo estadual deixam seus cargos já em 1º de março: o delegado geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel; o chefe da Casa Civil, Kennedy Nunes; e o secretário Executivo da Pesca, Tiago Frigo. As nomeações dos substitutos devem ser oficializadas nos próximos dias. Ulisses e Frigo têm destino certo: são pré-candidatos a deputado estadual pelo PL. Já Kennedy Nunes transita por diferentes cenários eleitorais. O nome do chefe da Casa Civil é cotado para suplência do Senado ao lado de Carlos Bolsonaro ou Caroline de Toni.

Sem Aventura

Questionado sobre como pretende manter o MDB e a Federação União-PP dentro do governo apesar de tê-los excluído da chapa majoritária da pré-candidatura à reeleição, o governador Jorginho Mello apostou no argumento das realizações: “É ficar num governo que deu certo, exitoso, com mais de 100 obras só de estrada”. E o recado depois foi claro: “Melhor eles ficarem num projeto vitorioso do que fazer aventura”. O problema é que MDB e União-PP não querem mais ser coadjuvantes de um sucesso alheio. Querem construir o próprio.

Tecnologia molecular

Empresários catarinenses assinam hoje, na Índia, parceria para transferência de tecnologia de três moléculas para tratamento oncológico, com investimento estimado em R$ 9,2 bilhões e implantação de fábrica no Brasil. O deputado estadual Fabiano da Luz (PT), que acompanha a missão oficial do presidente Lula à Índia, destaca que o acordo vai gerar empregos diretos e beneficiar milhares de pacientes do SUS. A missão busca firmar parcerias para produção nacional de medicamentos de alta complexidade, como biológicos para câncer e doenças autoimunes.

Nome do Oeste

O nome de empresário Felipe Balzan deixou de ser apenas comentário lateral e passou a circular com consistência nos bastidores do Oeste catarinense. Presidente da última Efapi (maior feira da agroindústria do Estado) e figura ativa em grandes eventos regionais, ele afirma não ser “da política”, mas confirma a movimentação de empresários e lideranças que o estimulam a disputar a Câmara Federal. O argumento é pragmático: com Caroline de Toni pré-candidata ao Senado e apenas o deputado federal Pedro Uczai (PT) como nome na região, abre-se um vazio à direita entre São Miguel do Oeste e Campos Novos. Balzan não diz sim, tampouco fecha a porta.