A política tomou conta das arquibancadas
A frase é antiga e quase sempre encerra a conversa: “Futebol e política não se discutem”. O fim de semana mostrou que ela nunca descreveu muito bem a realidade brasileira – apenas expressou um desejo de separar dois territórios que, na prática, se cruzam com frequência.
No Fla-Flu, a torcida do Flamengo levou ao Maracanã faixas contra o presidente Lula, o Congresso e o STF, no contexto da medida que restringe as bets, além de defenderem o fim da escala 6×1. O clube, por sua vez, entrou em campo com a mensagem “Proibir não é proteger”. Do outro lado do mapa político, houve torcedores do Bahia cantando em apoio a Lula e imagens de palmeirenses e corintianos lado a lado em ato pró-governo.
Há quem veja nessas cenas uma invasão indevida da política no futebol. Mas o estádio sempre foi um espaço de expressão coletiva – de alegria, revolta, identidade e reivindicação. Torcidas já protestaram contra dirigentes, preços de ingressos, violência policial e decisões de federações. Que agora façam isso também sobre medidas de governo não é uma novidade estrutural; é a continuidade de uma tradição.
O problema não está em torcedores terem posições políticas. O direito de manifestação vale para todos, independentemente de ideologia. O problema é quando entra de forma rasa, reduzida a xingamentos, provocações e inimigos fáceis. Uma faixa bem construída pode abrir um debate legítimo sobre os limites da regulação das apostas e seus efeitos sobre clubes e torcedores. Um coro ofensivo, por outro lado, tende apenas a transformar o estádio em extensão das redes sociais – com o mesmo ruído e a mesma pouca disposição para argumentar.
A isenção exige reconhecer os dois lados: quem protesta contra o governo tem o mesmo direito de se expressar que quem canta em seu favor. O estádio não deve ser território exclusivo de uma corrente política, nem palco obrigatório de confronto. Mas também não pode ser tratado como zona neutra artificial, onde qualquer manifestação cidadã seria automaticamente ilegítima.
Talvez a frase devesse ser atualizada: futebol e política não se discutem apenas quando um dos lados perde. No resto do tempo, eles sempre se encontraram na arquibancada, no gramado e na vida pública do país.

Edição internacional
Criado em Santa Catarina, o Compol, maior evento de comunicação política do Brasil, terá sua primeira edição internacional no dia 2 de novembro, em Assunção, no Paraguai. Entre os palestrantes está o consultor catarinense Maurício Locks, que coordenou a pré-campanha presidencial de Romeu Zema (Novo) e, desde abril, coordena a estratégia da campanha à reeleição da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que lidera as pesquisas no segundo turno. O evento também contará com o professor português Vasco Ribeiro, referência em comunicação política.

Pesquisa irregular
Uma semana após o primeiro turno, os questionamentos sobre pesquisas eleitorais ainda continuam sendo julgados na Justiça Eleitoral. O TRE-SC considerou não registrada a pesquisa SC-05523/2026, da Rumo Pesquisas, contratada pela Rádio Colon, de Joinville, por falta de informações obrigatórias no prazo legal. A decisão condenou as duas empresas, solidariamente, ao pagamento de R$ 53.205. O tribunal ressalvou que a decisão não aponta fraude ou manipulação dos resultados, mas descumprimento das regras de registro e transparência.

Motociata
As motociatas, que se tornaram uma das marcas políticas do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltam a movimentar Florianópolis no próximo sábado (17). O evento contará com a participação do governador Jorginho Mello (PL), do governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), e do governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL). A mobilização é organizada em torno do projeto nacional de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República. O ato terá concentração às 8h22, na Via Expressa Sul, próximo ao trevo do Pantanal.

Xenofobia
O site da Ancine (Agência Nacional do Cinema) foi invadido por hackers na tarde de ontem e saiu do ar. A página passou a exibir a mensagem “Nordestinos burros”, além de ameaças às universidades públicas. Os invasores afirmaram ainda que, se Flávio Bolsonaro (PL) não vencer a eleição, o resultado terá sido manipulado pela China. O ataque é crime e escancara um preconceito inaceitável contra os nordestinos. Invadir um órgão público para espalhar xenofobia e ameaças às universidades não é manifestação política, é vandalismo com verniz ideológico. A Polícia Federal deve identificar e punir os responsáveis, e o repúdio precisa vir de todos os campos políticos, sem relativização.

Acesso a hospitais
Projeto de lei do deputado estadual José Milton Scheffer (PP) pretende regulamentar a entrada de propagandistas e vendedores de produtos farmacêuticos em hospitais e demais estabelecimentos de saúde públicos e privados. A proposta permite a atuação desses profissionais, desde que cumpram regras como identificação, agendamento prévio, respeito aos horários e locais definidos pelas instituições. O projeto será analisado hoje na CCJ da Alesc.

Dividido
O presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, participa hoje, em São Paulo, de um ato de apoio a Flávio Bolsonaro (PL) que reúne dirigentes de 16 diretórios estaduais. O movimento, porém, escancara a divisão do MDB nacional. Enquanto parte dos diretórios se aproxima de Flávio, as alas do Nordeste, além de Amazonas e Pará, estarão com Lula (PT). Diante da falta de consenso, o apoio a Flávio não será formalmente uma posição nacional do partido.





