MDB precisa mudar a rota
O MDB catarinense saiu das urnas com um problema que não pode ser tratado apenas como uma derrota eleitoral. A redução para quatro cadeiras na Assembleia Legislativa é o sintoma mais visível de uma dificuldade maior: o partido perdeu espaço político e precisa discutir, com coragem, as razões que levaram a esse resultado.
O contraste com o passado é expressivo. Em 2018, o MDB elegeu nove deputados estaduais e chegou a ter dez parlamentares na composição daquela legislatura. Em 2022, foram seis eleitos. Agora, são apenas quatro.
A avaliação mais direta veio de dentro de casa. Reeleito deputado estadual, Fernando Krelling, uma das lideranças de uma nova geração do partido, não fez rodeios: “O MDB seguiu o caminho errado. O MDB errou na estratégia totalmente.”
É uma frase forte porque não vem de um adversário, mas de alguém que continua no partido e que defende sua reconstrução. A sigla deve sim reconhecer a importância de sua história em Santa Catarina, mas a tradição não pode servir de âncora. O eleitor mudou, o Estado mudou e a política também.
O desafio do MDB, portanto, não é simplesmente trocar dirigentes. É compreender que renovação não significa apagar a história, mas construir uma nova etapa a partir dela. Há uma necessidade de defender mudança de atitudes, e não apenas de nomes.
Há ainda uma questão de identidade. O MDB catarinense convive com uma legenda nacional que, há muito tempo, não fala a mesma linguagem em todas as regiões do país. Krelling defende que Santa Catarina deixe de apenas dizer que é diferente e passe a demonstrar isso nas suas posições e escolhas.
A eleição deixou um recado objetivo: o MDB encolheu na Assembleia e perdeu protagonismo. A partir de agora, terá de decidir se encara o resultado como um acidente eleitoral ou como um sinal de que chegou a hora de mudar a rota.
E talvez essa seja a principal questão colocada sobre a mesa: o MDB ainda quer apenas preservar a história que construiu ou está disposto a escrever uma nova?

Rodízio na Alesc
No retorno dos trabalhos da Assembleia Legislativa, a eleição da mesa diretora da Casa já virou assunto nos corredores. Grupo ligado ao governador Jorginho Mello (PL) trabalha com uma fórmula para acomodar os principais partidos aliados no comando da Alesc. A proposta seria estabelecer um rodízio na presidência, com dois anos para o PL, um para o MDB e outro para o Republicanos. A ideia – que teria aprovação inicial do governador – permitiria a ele ter o PL à frente da Alesc no início do próximo ciclo e, ao mesmo tempo, garantir espaço aos dois partidos que integram a base de sustentação do governo. A articulação ainda está no campo das conversas internas e precisará passar pelo crivo dos próprios deputados, mas já é tratada como uma possibilidade para organizar a disputa pela Mesa Diretora.

Reconstrução
Reeleito com 125.010 votos, Rafael Pezenti será o único deputado federal eleito pelo MDB de Santa Catarina na próxima legislatura. E já sinaliza que pretende usar o novo mandato para discutir o futuro do partido no Estado. Na avaliação do deputado, o MDB precisa “se reconectar com as ruas” e iniciar um processo de reconstrução a partir de um novo diálogo com a sociedade. “O momento exige do nosso partido um processo profundo de reconstrução, pensando no que a sociedade catarinense quer, nas suas prioridades e nos seus valores”, afirmou.

Gratidão
Reeleito deputado estadual pelo MDB, Fernando Krelling diz que ainda é cedo para discutir a formação da base do próximo governo, mas fez questão de destacar a relação construída com Jorginho Mello (PL) nos últimos quatro anos. “Eu caminhei ao lado do governador quatro anos. Fui muito leal ao governador Jorginho Mello e grato pela oportunidade que ele me deu de auxiliar a minha região e o segmento esportivo”, afirmou. Krelling também citou o deputado federal Valdir Cobalchini e o deputado estadual Jerry Comper entre os parlamentares do partido que mantiveram lealdade ao governador: “Fizeram escolhas, e as escolhas foram feitas também pela população na urna. O resultado a gente viu”.

“Faz parte”
A expectativa na Alesc para o retorno dos trabalhos após a eleição era pela presença de Marcos Vieira (PSDB), um dos deputados mais longevos da atual legislatura, derrotado nas urnas. São cinco mandatos consecutivos. Ele apareceu no plenário, mas ficou pouco tempo, sentou-se ao lado do deputado Padre Pedro Baldissera (PT), que comandava a sessão naquele momento, e cumprimentou a colega Ana Campagnolo (PL), a deputada mais votada. Os dois se abraçaram. Na saída, para quem acompanhava a cena, a conversa foi rápida e a frase que ficou foi de Vieira: “Faz parte”.

De olho em 2028
O bom desempenho eleitoral em São José e Palhoça colocou o deputado reeleito Serginho Guimarães (PSD) no radar das eleições municipais de 2028. Mais votado entre os candidatos à Alesc nas duas cidades, 20.324 em São José e 27.100 em Palhoça, reforçam a avaliação, entre aliados, de que ele pode ser um nome competitivo para uma disputa majoritária. Com forte presença na região, Serginho passa a ser citado como uma alternativa para disputar a Prefeitura de São José ou de Palhoça em 2028. Por enquanto, não há decisão sobre qual caminho seguir, mas o resultado das urnas abriu uma nova possibilidade no projeto político do deputado.

Primeira agenda
A primeira agenda pública de Adriano Silva como vice-governador eleito de Santa Catarina foi com o setor produtivo. Ontem, ele participou, em Florianópolis, da posse da nova diretoria do Excelência SC, na sede do Sebrae/SC. O movimento reúne entidades, empresas e profissionais de diferentes segmentos da economia catarinense e tem entre seus objetivos estimular a excelência na gestão e a competitividade. Adriano destacou que o desenvolvimento de Santa Catarina passa pelo diálogo com quem produz, empreende e gera empregos. A escolha da primeira agenda sinaliza a intenção de manter uma relação próxima com o setor produtivo e com as entidades que representam a economia catarinense.





