A largada da corrida pelo governo de SC; Vacinação; Os outros; Alerta nos bastidores; entre outros destaques

A largada da corrida pelo governo de SC

A partir deste domingo, a política catarinense muda de ritmo. O que durante meses foi pré-campanha, articulação, pesquisa, ensaio de discurso e lançamento cuidadosamente calculado passa a valer oficialmente como disputa pelo voto. E a primeira agenda de cada candidato diz alguma coisa sobre a estratégia escolhida para comandar o Estado.

Gelson Merisio (PSB) começa ao lado do presidente Lula (PT), em São Bernardo do Campo (SP). A escolha também é política. Em uma eleição catarinense marcada pela força da direita, o candidato do campo de centro-esquerda não esconde sua referência nacional. Ao contrário, começa a campanha justamente reforçando a ligação com o presidente. É uma aposta coerente: Merisio precisa consolidar um eleitorado que não tenha apenas antipatia ao atual governo estadual, mas uma identificação com o projeto que representa.

João Rodrigues (PSD) faz um movimento diferente. Vai ao Sul do Estado no primeiro dia, participa do lançamento da candidatura de um deputado estadual e deixa para Chapecó, sua principal base política, o grande ato de lançamento da própria candidatura no próximo dia 20. A estratégia parece clara: ampliar o território antes de voltar para casa para mostrar força. João sabe que não basta ser competitivo no Oeste se pretende disputar de igual para igual com o governador.

Jorginho Mello (PL) começa em Florianópolis, passa por Joinville e termina o dia em um culto evangélico. Não é uma agenda aleatória. O governador combina os dois maiores colégios eleitorais do Estado e uma parcela importante de sua base religiosa. É a largada de quem entra na campanha com a máquina, o recall do governo e transformar isso em voto.

Ralf Zimmer, por enquanto, prefere as redes sociais. É uma largada menos visual, mas talvez adequada a uma candidatura que ainda precisa construir conhecimento e espaço na disputa. Se os adversários terão fotos de multidões, bandeiras e lideranças, Ralf começa tentando disputar atenção diretamente com o eleitor.

A televisão só entra no jogo no fim do mês. Até lá, serão as ruas, as redes e a capacidade de cada grupo político de produzir assunto que vão medir a temperatura da eleição.

A largada, portanto, não será apenas uma disputa por visibilidade. Será o primeiro teste de narrativa. E quem conseguir definir primeiro a pergunta que o eleitor fará ao chegar às urnas já terá percorrido uma parte importante do caminho.

Vacinação

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) acionou a PGR contra a colega Julia Zanatta (PL-SC) por publicações da deputada catarinense sobre a vacinação infantil contra a Covid-19. Na representação, a petista pede investigação sobre o conteúdo e possíveis impactos na política de imunização. Zanatta reagiu acusando Gleisi de perseguição judicial e ironizou a adversária: “Ela vai ficar em casa depois dessas eleições”. O embate ocorre em plena campanha: Gleisi disputa o Senado pelo Paraná, enquanto Zanatta busca a reeleição para a Câmara.

Bens da Caroline

A deputada federal e candidata ao Senado Caroline de Toni (PL-SC) declarou ao TSE patrimônio total de R$ 1,4 milhão nas eleições, valor que representa mais que o dobro dos R$ 651 mil informados na declaração de bens de 2022, quando se elegeu deputada federal. Entre os itens listados na atual declaração estão um apartamento em Chapecó, um veículo, um terreno urbano, uma casa, além de aplicações financeiras diversas no Banco do Brasil — incluindo LCA, CDB e poupança — e um adiantamento para aumento de capital na empresa Zancanaro Viva Park LTDA, no valor de R$ 383.459,76.

Fim da Cohab

O governador Jorginho Mello sancionou a Lei 20.058/26, que extingue a Cohab/SC (Companhia de Habitação do Estado), com liquidação prevista para até 120 dias. Pela norma, servidores estáveis da companhia passam a integrar quadro especial na Secretaria de Assistência Social, Mulher e Família, que assume a política de regularização fundiária, enquanto a Procuradoria-Geral do Estado sucede a Cohab/SC nos processos judiciais em curso.

Escritura a moradores

Entre as medidas sancionadas pelo governador está a autorização para que o Estado transfira aos atuais ocupantes de imóveis do acervo da Cohab/SC a propriedade dos bens, mesmo diante de insuficiência de prova documental, desde que os contratos originais estejam quitados. Os moradores deverão comprovar posse contínua e de boa-fé por ao menos cinco anos, podendo somar o tempo de ocupação de antecessores, e não possuir outro imóvel urbano ou rural.

Alerta nos bastidores

Uma leitura que circula na cúpula do PL em Brasília coloca a rejeição como o principal fator de atenção na corrida presidencial. A avaliação é de que Lula (PT) estaria próximo do limite de rejeição que historicamente alcançou, enquanto a resistência a Flávio Bolsonaro (PL) vem crescendo. O nome que mais chama atenção nos bastidores, porém, é o de Renan Santos (Missão): a percepção é de que um avanço consistente do candidato pode ser suficiente para impedir uma vitória de Lula no primeiro turno e levar a disputa para uma segunda rodada.

Os outros

A mesma análise interna do PL também traz avaliações pouco generosas sobre os demais adversários. Ronaldo Caiado (PSD) seria prejudicado por uma imagem considerada excessivamente “raivosa”, o que dificultaria a expansão de sua candidatura nacionalmente. Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, enfrentaria uma cobrança maior dentro do próprio grupo político e, segundo a fonte, teria decepcionado o pai com o desempenho até aqui. Já Romeu Zema (Novo) ainda teria um problema mais básico: falta de reconhecimento nacional, especialmente fora de Minas Gerais.

Jornada de trabalho

O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, considera inoportuno o Senado pautar a redução da jornada de trabalho no esforço concentrado do Congresso entre 31 deste mês e 4 de setembro. Para Alban, o tema é legítimo, mas deve ser discutido após as eleições, sem pressão do calendário eleitoral, e com a negociação coletiva mantida como instrumento central para adequar jornadas à realidade de cada setor.