O vale-tudo eleitoral
A imagem do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao lado do cantor Manoel Gomes (Avante), declarando apoio à sua candidatura a deputado federal, vai muito além de uma imagem de campanha. Ela simboliza um fenômeno que se espalha pela política brasileira: o vale-tudo para conquistar atenção. Manoel Gomes ficou conhecido nacionalmente por um único sucesso musical: “Caneta azul”, que se tornou um fenômeno da internet e agora tenta converter popularidade em mandato parlamentar.
Não está em discussão o direito de qualquer cidadão disputar uma eleição. A democracia pressupõe exatamente isso. O problema começa quando a principal credencial de um candidato deixa de ser sua capacidade de representar a sociedade e passa a ser o número de seguidores, a fama ou um bordão que viralizou nas redes sociais.
O Brasil já viu esse filme. Tiririca, ex-BBBs, atores pornôs, influenciadores e tantas outras subcelebridades transformaram popularidade em votos. Algumas tiveram desempenho surpreendente. Outras confirmaram que fama e preparo para a vida pública são coisas completamente diferentes.
O que preocupa é ver políticos experientes embarcando nessa lógica. Ao emprestarem prestígio a candidaturas construídas muito mais pela repercussão do que pela trajetória, ajudam a consolidar uma política baseada no espetáculo. O debate sobre saúde, educação, segurança e desenvolvimento perde espaço para vídeos virais e estratégias de engajamento.
É evidente que um cantor, um humorista ou um influenciador podem se tornar bons parlamentares. A profissão nunca foi sinônimo de competência ou incompetência. A crítica é outra: partidos e lideranças parecem cada vez menos preocupados em apresentar quadros preparados e cada vez mais interessados em lançar nomes capazes de gerar audiência.
Quando a campanha vira entretenimento, o eleitor corre o risco de escolher personagens em vez de representantes. E quando isso se torna regra, a democracia perde densidade. Afinal, likes podem até eleger alguém. Mas não substituem conhecimento, preparo e responsabilidade para decidir os rumos de um país.

Cambalacho
A resposta do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), ao ser questionado pela imprensa sobre o jantar com o presidente Lula (PT) e os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin – “segredo” –, foi suficiente para provocar uma reação irônica do senador Esperidião Amin (PP). Nas redes sociais, o catarinense resumiu sua avaliação em uma frase curta e carregada de crítica: “Nada, republicano! Só cambalacho.”

Definido
Depois de semanas de conversas e de três nomes que acabaram não prosperando, Caroline de Toni (PL) encontrou a peça que faltava para completar sua chapa ao Senado. A deputada escolheu o advogado e empresário Geraldo Wetzel Neto, de Joinville, filiado ao Novo, para ocupar a primeira suplência e reforçar a estratégia de ampliar a presença da candidatura no Norte do Estado. Além da trajetória no setor privado, ele é neto de ex-prefeito de Joinville que também comandou a Secretaria de Estado da Fazenda, reforçando o vínculo histórico de sua família com a gestão pública catarinense.

Eleição
O Iasc (Instituto dos Advogados de Santa Catarina) promove hoje a eleição da Diretoria Executiva, do Conselho Deliberativo e do Conselho Fiscal para o triênio 2026-2029. A votação será das 11h às 18h, na sede da entidade, Centro de Florianópolis. O presidente Gilberto Lopes Teixeira destacou que a participação fortalece a tradição democrática da instituição e o compromisso com a advocacia catarinense.

Papel do TCE
Ao comemorar o desempenho de Florianópolis no Ideb, o prefeito Topázio Neto fez questão de dividir parte dos créditos com o Tribunal de Contas do Estado, na figura do conselheiro substituto Gerson Sicca. Segundo o prefeito, foi o TCE quem financiou o primeiro ano da consultoria responsável por implantar o método de gestão que ajudou a elevar os indicadores da educação municipal. “O conselheiro queria entender como isso iria acontecer em Florianópolis, e transformar em uma chance de a gente levar o mesmo método para o Estado inteiro”, comentou.

Veto
O governador Jorginho Mello (PL) vetou o projeto de lei do deputado estadual Camilo Martins (Podemos), aprovado no mês passado pela Alesc, que criava um programa de incentivo financeiro para o controle do javali-europeu, com pagamento de R$ 100 por animal abatido. No parecer que embasou a decisão, a Procuradoria-Geral do Estado apontou que a proposta cria uma despesa obrigatória continuada sem apresentar estimativa de impacto orçamentário e financeiro, o que, segundo entendimento consolidado do STF, configura inconstitucionalidade formal. Além da questão orçamentária, a PGE também sustentou que a proposta esbarra nas restrições impostas pela legislação eleitoral. A decisão volta para a Alesc, que poderá manter ou derrubar o veto em votação no plenário.

Extinto
O TRE-SC extinguiu, sem julgamento do mérito, a representação apresentada pela ex-prefeita de Canoinhas e pré-candidata a deputada estadual Juliana Maciel Hoppe contra o comunicador Marcos Piroski, responsável por um perfil no Instagram. Juliana pedia a retirada de uma publicação que, segundo ela, difundia informação falsa ao associá-la à Operação Pão e Circo, configurando propaganda eleitoral negativa antecipada. A Corte, porém, não entrou no conteúdo da denúncia. O processo foi extinto porque entendeu que, na condição de pré-candidata, Juliana não possui legitimidade para propor sozinha esse tipo de representação, prerrogativa reservada a candidatos com registro formal, partidos, federações, coligações e ao Ministério Público.





