A difícil equação do Novo; Novo atrito; Vice; Combustível político; Intervenção; entre outros destaques

A difícil equação do Novo

A presidência estadual do Partido Novo em Santa Catarina protagonizou ontem uma das maiores trapalhadas do atual período pré-eleitoral. O que deveria ser uma articulação discreta para evitar constrangimentos internos expôs, em praça pública, as divisões que atravessam a legenda.

O presidente estadual do partido, Kahlil Zattar, enviou à imprensa informações relacionadas ao desconvite ao ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, principal nome do Novo na disputa presidencial. Pouco depois, a mensagem foi apagada. Mas, em política, há coisas que não podem ser despublicadas. O episódio tornou público aquilo que tradicionalmente é resolvido nos bastidores: o desconforto interno e a tentativa de evitar desgastes maiores.

A crise tem origem nas turbulências nacionais vividas pelo partido após o vazamento do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e o caso Banco Master. A partir dali, intensificaram-se as pressões sobre dirigentes estaduais, especialmente nos Estados em que o Novo cresceu amparado pelo eleitorado bolsonarista. Santa Catarina é o principal exemplo desse fenômeno.

O mesmo cenário pode ser observado no Paraná e no Rio Grande do Sul. De um lado, lideranças que defendem a manutenção da aliança estratégica com o bolsonarismo. De outro, aqueles que apostam na construção de uma candidatura presidencial própria em torno de Romeu Zema.

O desconvite, em si, não chega a ser novidade. Mudanças de agenda para evitar constrangimentos são comuns na política. O problema foi a condução do processo. Ao tornar pública uma decisão que poderia ter sido administrada internamente, a direção estadual produziu exatamente o efeito que pretendia evitar: o aumento da tensão.

Embora o evento permaneça oficialmente confirmado, hoje já não existe clima político para reunir, no mesmo ambiente, novistas alinhados a Romeu Zema e novistas identificados com Jair Bolsonaro. O risco de transformar um encontro partidário em palco para disputas internas tornou-se real.

Curiosamente, as principais lideranças envolvidas sempre adotaram discursos de pacificação. Romeu Zema buscou reiteradas vezes evitar antagonismos desnecessários. Em Santa Catarina, o pré-candidato a vice-governador, Adriano Silva, também construiu sua trajetória defendendo a moderação e a convivência entre diferentes correntes do campo da direita.

A estratégia de confronto adotada após o episódio abriu espaço para divergências que vão além das questões ideológicas. Há, também, interesses eleitorais em disputa. Afinal, ocupar o espaço político que hoje o PL oferece em suas coligações tornou-se objetivo de diferentes grupos. E foi justamente nesse contexto que o Novo catarinense descobriu que administrar divergências exige mais do que convicções. Exige habilidade política.

Novo atrito

A cassação do vereador Cleiton Profeta (PL), em Joinville, abriu uma nova frente de atrito entre o bolsonarismo e o Partido Novo. Em publicação nas redes sociais, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro criticou a legenda por ter votado ao lado da vereadora do PT no processo que resultou na perda do mandato do vereador. “Esse é o pessoal que pede união da direita”, escreveu. O episódio reforça o distanciamento entre o clã Bolsonaro e o Novo, partido que já foi aliado em diversas pautas, mas que vem sendo alvo de críticas cada vez mais frequentes por parte do núcleo bolsonarista.

Vice

O nome da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), como vice na chapa de Flávio Bolsonaro, no campo estratégico, faz sentido dentro do bolsonarismo. Ela carrega uma base fiel, tem trânsito na ala mais ideológica e construiu um perfil de confronto que a diferencia de nomes mais moderados. Não por acaso, seu nome passou a circular nos bastidores como opção para compor a chapa de Flávio Bolsonaro – especulação que ganhou tração após Eduardo Bolsonaro publicar uma postagem no X defendendo a composição, o que fez o assunto explodir na imprensa de todo o Brasil. Para um Flávio Bolsonaro que precisa ampliar o leque sem perder o núcleo duro, uma vice com esse perfil pode ser um ativo relevante.

Intervenção

A crise aberta pelo “desconvite” de Romeu Zema ao evento estadual do Partido Novo em Santa Catarina ganhou novos contornos. Lideranças partidárias no Estado começaram a se articular para apresentar uma petição formal ao Diretório Nacional pedindo intervenção no Diretório Estadual e a destituição do presidente Kahlil Zattar. A movimentação reúne pré-candidatos, dirigentes, ex-dirigentes e filiados que afirmam não terem sido consultados sobre a decisão. O entendimento entre os signatários é de que a atitude de Zattar extrapola sua competência estatutária e compromete a imagem e a unidade do partido às vésperas do ciclo eleitoral de 2026. Lideranças ouvidas reservadamente descrevem a situação como “insustentável”.

Combustível político

A estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, no último sábado (13), virou combustível político nas redes sociais. Entre declarações de apoio ao time, memórias afetivas e ataques a adversários, pré-candidatos à presidência e parlamentares aproveitaram a mobilização digital em torno do torneio para reforçar suas principais bandeiras. O timing não é por acaso: a Copa do Mundo se encerra na véspera do início do período eleitoral, transformando o campeonato num espaço estratégico para o aquecimento de pré-campanhas.