Lula viaja à França para participar da Cúpula do G7 sob pressão de impasses com EUA e União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo para Évian-les-Bains, na França, onde participará da Cúpula do G7 como convidado. Esta será a décima participação de Lula no encontro que reúne as principais economias industrializadas do mundo: Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão, além da União Europeia.

A viagem ocorre em um momento de desafios diplomáticos e comerciais para o Brasil, especialmente nas relações com os Estados Unidos e com a União Europeia.

Um dos principais focos de atenção é a possibilidade de um novo encontro entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump. Até o momento, não há confirmação de uma reunião bilateral durante o evento. Caso aconteça, será o primeiro contato entre os dois líderes desde o encontro realizado na Casa Branca, em maio.

A expectativa gira em torno das negociações relacionadas à decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que anunciou uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida é resultado de uma investigação iniciada pelo governo norte-americano sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais.

Entre os argumentos apresentados pelo USTR está a alegação de que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix, prejudicaria empresas dos Estados Unidos que atuam no setor de pagamentos eletrônicos, como operadoras de cartões de crédito e plataformas digitais.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os canais de diálogo entre os dois países permanecem abertos e as negociações seguem em andamento. O encontro também poderá marcar a primeira conversa entre Lula e Trump após os Estados Unidos classificarem oficialmente as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras.

Outro tema sensível para o governo brasileiro envolve a relação com a União Europeia. Recentemente, o bloco confirmou a suspensão das importações de carnes, peixes, mel e outros produtos de origem animal provenientes do Brasil. A medida deve entrar em vigor em setembro e gerou preocupação entre autoridades brasileiras.

O governo avalia que a decisão ocorreu em um momento delicado, pouco tempo após a implementação provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Ainda não há confirmação de um encontro entre Lula e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante a cúpula.

Enquanto algumas agendas bilaterais permanecem indefinidas, um compromisso já confirmado será a reunião entre Lula e a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. O encontro poderá abrir espaço para discussões sobre um futuro acordo comercial entre o Japão e o Mercosul.

Também é esperada uma reunião com o presidente francês Emmanuel Macron, anfitrião do encontro deste ano. Além do Brasil, participam como convidados países como Índia, Quênia, Coreia do Sul e Egito.

Durante a programação oficial do G7, Lula participará de três compromissos principais. No dia 16, o presidente discursará em uma sessão dedicada às parcerias internacionais para o desenvolvimento, defendendo a ampliação da Assistência Oficial ao Desenvolvimento destinada aos países mais vulneráveis.

Já no dia 17, o chefe do Executivo brasileiro participará de uma discussão sobre crescimento econômico equilibrado, ocasião em que deverá reforçar a necessidade de reformas em instituições multilaterais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas (ONU).

A agenda brasileira na cúpula será encerrada com um almoço de líderes que terá como tema central os desafios e oportunidades relacionados à Inteligência Artificial.