O cartel dos computadores no Sul; Jingle; Árvore milionária; Rompimento; Fundão; entre outros destaques

O cartel dos computadores no Sul

Um documento obtido por este colunista revela que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) recomendou, em maio deste ano, a condenação de uma fabricante nacional de computadores e de toda uma rede de revendedores por cartel em licitações públicas na região Sul do país. O processo apura fraudes no mercado de equipamentos de informática vendidos a prefeituras – e o que está descrito nos autos é um esquema que merece ser chamado pelo nome certo: assalto organizado ao dinheiro público.

O caso nasceu de uma operação do Ministério Público de Santa Catarina chamada “Licitação Mapeada”, tocada em parceria com o Gaeco. As provas colhidas são de fazer inveja: longo período de interceptações telefônicas, pedidos de escuta telemática, busca e apreensão nas sedes das empresas, termos de declaração, inquirições e interrogatórios. O próprio Cade reconhece, na nota técnica, um “robusto conteúdo probatório”. Com esse arsenal, o que se descobriu foi um esquema sofisticado e sem escrúpulos – empresas que deveriam competir entre si dividiam previamente o mercado, apresentavam orçamentos fictícios para simular disputa e combinavam sobrepreços para garantir margem extra no bolso. Quem pagava a conta eram as prefeituras. Quem pagava de verdade era o contribuinte.

O mecanismo central do esquema merece atenção especial. A nota técnica do Cade aponta o chamado cartel do tipo hub-and-spoke – modelo em que um fabricante funciona como eixo coordenador entre revendedores que, no papel, seriam concorrentes. Na prática, o fabricante sabia quem ganharia cada licitação antes mesmo de o envelope ser aberto. Os revendedores entravam com propostas de cobertura: aquelas ofertas que existem só para dar aparência de competição a um processo já combinado. Uma peça de teatro encenada com dinheiro público no papel de plateia involuntária.

E não estamos falando de um fornecedor ocasional vendendo alguns computadores. A estrutura identificada envolve divisão geográfica de mercado entre revendedores, alocação prévia de clientes, ou seja, cada prefeitura já tinha dono antes de abrir o processo licitatório – e acordos de preços que eliminavam qualquer pressão competitiva real. O resultado prático é que os municípios pagaram mais caro do que pagariam num mercado honesto, por produtos que poderiam ter sido adquiridos com muito mais economia para os cofres públicos.

O que torna o caso ainda mais grave é a frieza da engenharia. Não foi oportunismo. Foi planejamento. Houve mapeamento de oportunidades, distribuição de papéis, coordenação entre empresas de diferentes portes. É o tipo de esquema que não funciona sem cumplicidade em vários níveis – e que só prospera onde a fiscalização é fraca e a confiança no sistema licitatório é baixa.

Jingle

O jingle “Vem com Fé”, lançado nesta semana como novo mote da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, foi criado pelo marqueteiro Alexandre Oltramari, radicado em Florianópolis. A campanha tem assinatura conjunta de Oltramari e do publicitário Rafael Rizzo. Parceiros desde 2025, os dois passaram a integrar a equipe de comunicação da pré-campanha. Rizzo foi convidado por Oltramari, responsável pela estratégia de marketing do projeto.

Árvore milionária

Dezessete anos depois da polêmica contratação da árvore de Natal de R$ 3,7 milhões na Beira-Mar Norte, em Florianópolis, o desembargador do TJSC Jairo Fernandes Gonçalves manteve a sentença que havia rejeitado a ação de improbidade administrativa relacionada à contratação sem licitação da estrutura natalina de R$ 3,7 milhões em 2009. O entendimento foi de que houve irregularidades administrativas, mas não ficou comprovado o dolo – ou seja, a intenção deliberada de causar dano ou fraudar a administração pública.

Rompimento

Em agenda em Indaial, na manhã da sexta-feira, o pré-candidato ao governo de Santa Catarina João Rodrigues (PSD) defendeu uma postura mais firme para destravar as obras na BR-470. Para o ex-prefeito de Chapecó, o rompimento institucional da gestão atual com o governo federal tem travado o desenvolvimento da região do Vale do Itajaí e, por consequência, de todo o Estado. “Não precisa ter um alinhamento político, é uma questão de cobrar a conta. É questão de sentar em Brasília, chamar a bancada catarinense e olhar para o mapa para achar ações efetivas para o Estado”, disse.

Bem financiado

O PL será o partido mais bem financiado nas eleições de 2026. A legenda receberá R$ 881,7 milhões do Fundo Eleitoral, um crescimento de 205,6% em relação aos R$ 288,5 milhões obtidos em 2022. A fatia corresponde a 17,77% do total de R$ 4,96 bilhões distribuídos pelo TSE. O desempenho reflete a expansão da bancada do partido no Congresso após o pleito de 2022, critério que balizou a distribuição dos recursos.

Maior queda

O União Brasil registrou a maior queda entre os partidos na distribuição do Fundo Eleitoral para 2026. A legenda receberá R$ 526,2 milhões, redução de R$ 256,3 milhões em relação aos R$ 782,5 milhões de 2022, quando liderava o ranking. O PSDB também encolheu, com queda superior a 50% em sua cota. Na outra ponta, PT e PSD ampliaram suas fatias. Juntos, os cinco maiores partidos (PL, PT, União Brasil, PSD e PP) concentrarão R$ 2,86 bilhões, ou 57,67% do total disponível para as campanhas.

Primeira vez

O Novo figurará entre os partidos com menor repasse do Fundo Eleitoral em 2026, mas estará presente na distribuição pela primeira vez. A legenda receberá R$ 37 milhões – 0,75% do total – após alterar seu estatuto para permitir o uso de recursos públicos em campanhas. A mudança representa uma virada na postura histórica do partido, que desde sua fundação rejeitava o financiamento estatal como parte central de sua identidade programática.