A voz que continua ecoando por SC
Na véspera de um feriado prolongado, Brasília costuma seguir um roteiro conhecido. O plenário esvazia, os gabinetes reduzem o ritmo e a atenção dos políticos se volta para os Estados. Em Santa Catarina, porém, o movimento nas estradas aumenta, e junto com ele reaparece uma preocupação antiga: o Morro dos Cavalos.
Foi nesse contexto que o senador Espiridião Amin (PP) usou a tribuna do Senado e as redes sociais para cobrar respeito do governo federal com Santa Catarina. A mensagem foi direta: além de não receber a obra prometida, o Estado também não recebe explicações.
A manifestação revela a importância de um tema que continua atento às pautas estruturantes do Estado. Enquanto grande parte do debate político nacional gira em torno de disputas momentâneas, Amin voltou a chamar atenção para um problema que afeta diariamente a vida dos catarinenses.
O Morro dos Cavalos é um dos principais gargalos da BR-101, rodovia fundamental para a economia estadual. Por ali passam turistas, trabalhadores e boa parte da produção que movimenta Santa Catarina. Cada interrupção representa prejuízos econômicos, insegurança e transtornos para milhares de pessoas.
A situação se torna ainda mais grave porque o Estado não tem hoje sequer uma perspectiva concreta de solução. O governo catarinense se dispôs a colaborar com o projeto. A proposta foi rejeitada pelo governo federal, que anunciou um novo traçado para a obra.
Meses depois, a própria empresa responsável pelos estudos apontou dificuldades de viabilidade para a alternativa apresentada. O projeto foi abandonado e, desde então, nenhuma solução foi colocada oficialmente sobre a mesa.
O problema deixou de ser apenas uma obra atrasada. Santa Catarina vive uma situação ainda mais preocupante: não existe atualmente um projeto definido para resolver o impasse. Sem projeto, não há cronograma. Sem cronograma, não há prazo. E sem prazo, não há sequer expectativa para que o problema seja resolvido.
É por isso que a cobrança de Amin encontra respaldo em diferentes setores do Estado.
Mais do que uma crítica ao governo federal, a manifestação do senador é um lembrete de que Santa Catarina continua esperando respostas.
E, sobretudo, continua esperando um projeto. Porque sem projeto não existe obra. E sem obra, o Morro dos Cavalos permanece como um dos maiores símbolos da distância entre as promessas de Brasília e as necessidades reais dos catarinenses.

Estranheza
Integrantes do Republicanos receberam com satisfação a decisão do deputado estadual Carlos Humberto de permanecer no PL, mas admitem estranheza com sua recente aproximação do PSD. Nos bastidores, o argumento é que o PSD ocupa atualmente três ministérios no governo Lula e que o Estado de Júlia Pavan tem adotado medidas frequentemente associadas ao legado de Leonel Brizola. Para esse grupo, trata-se de um posicionamento que destoa da trajetória política de Carlos Humberto e do perfil predominante do eleitorado de direita em Balneário Camboriú.

Condenação
O TJSC manteve a condenação de Elizeu Mattos, ex-prefeito de Lages, a mais de 14 anos de reclusão e 13 anos de detenção pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e fraude em licitações — num caso que tramita desde 2017. A pena havia sido redimensionada em fevereiro deste ano pela 2ª Câmara Criminal, que também decretou o perdimento de todos os bens do réu. As irregularidades apuradas envolvem dispensas de licitação e direcionamento de contratos públicos no município, com pagamento de propinas ao então chefe do Executivo municipal.

Manobra rejeitada
A defesa de Elizeu Mattos tentou mais uma vez reverter a condenação, desta vez por meio de embargos de declaração — recurso usado para apontar falhas formais numa decisão, como omissões ou contradições. O argumento central era de que seria lógico condená-lo por liderar uma organização criminosa enquanto o julgamento dos demais supostos integrantes estava suspenso. O desembargador Luiz Cesar Schweitzer rejeitou a tese e classificou o recurso como tentativa disfarçada de rediscutir o mérito — o que os embargos não permitem.

Único
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou ontem apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e fechou a porta para qualquer terceira via no campo conservador. “Não há espaço para uma terceira via. O único que consegue chegar ao segundo turno e derrotar Lula somos nós, juntamente com Flávio Bolsonaro”, afirmou durante cerimônia em Belo Horizonte. A declaração de Nikolas tem peso político significativo e aumenta a pressão sobre Caio de Zema, que ensaia uma aliança alternativa dentro da direita.



