A blindagem que o Congresso aprovou para si mesmo; Aécio Neves de volta; Encontro; entre outros destaques

A blindagem que o Congresso aprovou para si mesmo

A Câmara dos Deputados aprovou, com a discrição de quem prefere não ser visto, uma minirreforma eleitoral que é, na prática, um pacote de autoproteção partidária. O projeto limita multas a R$ 30 mil por contas desaprovadas, parcela dívidas em até 15 anos, impede penhora de fundos eleitorais – mesmo em ações penais; e ainda ameaça de abuso de autoridade o juiz que ousar bloquear recursos partidários. Faltou pouco para o texto incluir uma cláusula agradecendo ao contribuinte pelo custeio.

O timing não é inocente. A aprovação ocorre em ano eleitoral, quando partidos precisam de caixa livre, contas sem restrições e o mínimo possível de interferência da Justiça Eleitoral. A proposta entrega exatamente isso, embalada no vocabulário técnico de “segurança jurídica” e “proporcionalidade”. Traduzindo: quem deve, não paga; quem fiscaliza, responde; e quem financia tudo, que é o contribuinte, não tem voz no processo.

Há um detalhe que merece atenção especial. O projeto libera o envio automatizado de propaganda eleitoral por sistemas e bots, desde que o número esteja registrado na Justiça Eleitoral. É a legalização do que até ontem era considerado abuso. Os provedores ficam proibidos de bloquear esses disparos, salvo por ordem judicial. O eleitor, portanto, poderá ser bombardeado no celular sem qualquer defesa prática, e o partido responsável estará coberto pela lei.

A oposição criticou o texto, mas sem conseguir barrar. Deputados do Novo, do PSOL e do União chegaram a questionar publicamente a ausência de defensores na tribuna durante a votação. Ninguém subiu para defender o próprio projeto que estava sendo aprovado. O silêncio, nesse caso, diz mais do que qualquer discurso.

Os efeitos são diretos: legendas com pendências poderão disputar normalmente, os fundos continuarão intocáveis e eventuais punições só virão após o trânsito em julgado – o que, no ritmo da Justiça brasileira, pode significar nunca. O projeto segue agora para o Senado. Resta saber se haverá, desta vez, disposição para barrar o que a Câmara aprovou às pressas, em ano eleitoral, sem que ninguém quisesse colocar o rosto.

De volta

O Cidadania oficializou, por unanimidade, apoio à pré-candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência. A decisão foi conduzida pelo presidente da legenda, deputado Alex Manente, que defende o tucano como alternativa ao confronto entre Lula e Bolsonaro. A movimentação ainda precisa ser referendada na reunião conjunta da federação, marcada para amanhã. O centro político quer candidatura própria em 2026. A dúvida é se escolheu o nome certo para carregá-la.

Construção longa

A aposta do Cidadania em Aécio Neves vai além da estratégia eleitoral – é um teste para a federação com o PSDB. Se o encontro de amanhã confirmar o nome, o centro terá um pré-candidato com capital político, experiência e enraizamento em Minas Gerais, Estado decisivo em qualquer disputa presidencial. O desafio, no entanto, é conhecido: Aécio carrega rejeição alta e um passado que os adversários não deixarão no esquecimento. A construção será longa.

Encontro

A esquerda catarinense reuniu cerca de 300 pré-candidatos e lideranças no Favorita Golden Hotel, em São José, para alinhar a estratégia eleitoral de 2026. PT, PDT, PSOL, PCdoB, Rede, PV e PSB participaram do encontro, que apresentou os nomes de Gelson Merisio ao governo do Estado, Ângela Albino a vice-governadora, e Décio Lima e Afrânio Boppré ao Senado. O grupo reafirmou apoio ao presidente Lula e o compromisso de ampliar a representação das forças progressistas em Santa Catarina.

Desabafo

Com a chegada do frio e a proximidade do inverno, a busca pelas vacinas da gripe e da Covid virou um desafio na capital catarinense. Moradores dos grupos prioritários enfrentam o desabastecimento de doses na rede pública de saúde. Um cidadão relatou, por email à coluna, ter ido duas vezes à Policlínica do Centro e voltado sem atendimento por falta de estoque. O problema ocorre justamente no período de maior avanço das doenças respiratórias no Sul. Enquanto campanhas cobram a imunização para elevar a baixa cobertura vacinal, quem procura o serviço encontra postos desabastecidos. Para idosos, gestantes e doentes crônicos, a vacina é vital para evitar internações.

Preparação

O Republicanos Santa Catarina reuniu cerca de 150 lideranças em Florianópolis, entre sexta e sábado, no evento “PreparAção – Lideranças do Futuro”, voltado à preparação de pré-candidatos para as eleições de 2026. A abertura contou com o governador Jorginho Mello (PL), a presidente estadual, Carmen Zanotto, e o deputado federal Jorge Goetten.

Críticas

A sigla projeta eleger três deputados federais e cinco estaduais. O partido, que atualmente conta com dois deputados federais e dois estaduais, reafirmou apoio à reeleição de Jorginho Mello e destacou a parceria com o governo do Estado. Porém, o ex-presidente estadual da sigla, Jorge Goetten, é um dos simpatizantes do projeto do senador Esperidião Amin (PP) e já fez críticas à possível candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) ao Senado por Santa Catarina.