O fôlego externo em meio à crise interna
Lula foi a Washington num dos piores momentos do seu governo — semana passada, sofreu a maior derrota institucional do mandato com a rejeição de Jorge Messias ao STF — e voltou com algo que não tinha quando saiu: fôlego político. O encontro previsto para durar uma hora, durou três horas. Trump chamou Lula de “muito dinâmico” na Truth Social. O presidente brasileiro fez gracejos com o americano.
Não é pouca coisa quando se fala de dois líderes que representam mundos completamente diferentes e chegaram ao encontro depois de uma série de atritos — farpas sobre Irã e Cuba, expulsão de delegados, investigação americana sobre práticas comerciais brasileiras e a ameaça de Washington de classificar PCC e CV como organizações terroristas.
Lula não saiu com a queda das tarifas. Saiu com algo mais modesto, mas politicamente importante: um prazo de 30 dias para reanálise, um caminho de médio prazo e uma nova rodada de negociações já marcada. Os Estados Unidos ganham mais do Brasil do que o contrário na relação comercial, e mesmo assim Trump mantém tarifas que penalizam produtos brasileiros. Lula quer resolver isso antes da eleição. Arrancou o prazo. Agora depende de Washington cumprir a palavra. O momento importa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a anunciar o fim do governo Lula na semana passada. Desta vez, o presidente brasileiro mostrou que ainda tem capacidade de se articular fora do país, e que, quando necessário, sabe sentar à mesa com quem pensa diferente em nome do interesse nacional. A visita não resolve os problemas de casa. Mas interrompe, ao menos por ora, a narrativa de um governo sem rumo.

Juntos
O pré-candidato ao Senado, Esperidião Amin (União-PP), se juntou à agenda do pré-candidato ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues (PSD), no Sul do Estado. Os dois participaram de compromissos em Araranguá, incluindo encontros com lideranças e representantes da região. O presidente estadual do MDB, deputado federal Carlos Chiodini, acompanha a comitiva desde quarta-feira (6). A presença de Amin reforça a união entre PP e MDB em torno do projeto de Rodrigues. O presidente da Assembleia Legislativa, Julio Garcia (PSD), que disputará uma vaga para deputado federal, também acompanha o grupo. Na foto, da esq. para a dir.: Chiodini, João Rodrigues, Amin e o vice-prefeito de Araranguá, Cristiano Costa (PSD).

Toga sem partido
A Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero com indícios de que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) usou o mandato para favorecer o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em troca de repasses mensais de até R$ 500 mil, viagens internacionais e vantagens diversas. As medidas cautelares foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, contra um ex-ministro do governo bolsonarista e presidente de partido aliado. Sem alarde, sem palanque. Apenas a lei. Num STF que acumula críticas por decisões com viés político, Mendonça entrega o oposto: toga sem partido.

Novos eleitores
No último dia do Recadastramento e Atendimento Eleitoral, quarta-feira (6), em que se formaram longas filas nos cartórios eleitorais, Santa Catarina registrou 24.436 atendimentos, de acordo com dados obtidos pela coluna junto ao TRE-SC. O alistamento, composto majoritariamente por jovens que votarão pela primeira vez, liderou com 9.800 registros (40,1%), seguido pelas transferências, com 9.526 (39%), número que reflete o fluxo migratório crescente para o Estado. As revisões cadastrais somaram 5.110 atendimentos (20,9%). Os números reforçam tanto o engajamento da nova geração quanto o peso do movimento populacional que faz de Santa Catarina um dos Estados que mais recebe novos moradores no Brasil.

Condutas vedadas
O advogado Isaac Kofi Medeiros, doutor em direito pela USP, lançou em Florianópolis o livro “Condutas Vedadas na Administração Pública em Ano eleitoral”. A obra funciona como um guia prático para gestores públicos conciliarem a continuidade dos serviços com as restrições da legislação eleitoral. Com abordagem direta e aplicada, a obra examina as restrições sobre redes sociais, obras públicas, contratações, dentre outras regras. Na foto, Isaac assina livro sob o olhar do secretário de Estado do Planejamento, Arão Josino.







