Desenrola 2.0 e o desafio de convencer o eleitor; Escala 6×1; Disputa pela Alesc; Modelo de gestão; entre outros destaques

Desenrola 2.0 e o desafio de convencer o eleitor

O presidente Lula (PT) escolheu o Dia do Trabalhador para anunciar em rede nacional o Novo Desenrola Brasil, que deve ser lançado, oficialmente, hoje. E a escolha da data não foi acidente. Com 81,7 milhões de inadimplentes no país e as pesquisas mostrando o presidente tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL), o governo encontrou no endividamento das famílias tanto o diagnóstico do problema quanto a tentativa de solução.

O programa tem números expressivos: descontos de até 90% nas dívidas, uso de até 20% do FGTS para renegociação e troca de dívidas de cartão de crédito e cheque especial por contratos com juros limitados a 1,99% ao mês. No papel, é uma agenda robusta. Na prática, o sucesso depende de uma variável que o governo não controla: a eficiência real na resolução do problema.

O paradoxo do momento Lula está escancarado nos dados. Desemprego em baixa e inflação controlada, mas ainda assim a aprovação cai. A explicação está no bolso, não nos índices.

Quando 78% dos endividados ganham até dois salários mínimos, os bons indicadores macroeconômicos simplesmente não chegam à mesa do trabalhador. O governo percebeu tarde que crescimento no PIB não se traduz automaticamente em sensação de melhora para quem está no vermelho.

A oposição, animada com uma semana de vitórias no Congresso – a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto à Lei da Dosimetria -, trata o Desenrola 2.0 como admissão de fraqueza. O argumento é simples: se a economia vai bem, por que o governo precisa de um pacote emergencial de renegociação de dívidas às vésperas da campanha?

Aliados do presidente rebateram com outra leitura: o programa existiria de qualquer forma, e o timing reflete sensibilidade social, não desespero eleitoral. É uma defesa legítima, mas difícil de sustentar quando o próprio entorno do Planalto admite que o Desenrola 2.0 é resposta direta à queda de popularidade.

O ponto central, ao fim, não é se o programa tem motivação eleitoral – claramente tem. A questão é se vai funcionar. Um alívio real no orçamento de milhões de famílias produz efeito político concreto. Um programa mal executado, com letra miúda que frustre expectativas, pode piorar exatamente o que tentou consertar.

Escala 6×1

A defesa do fim da escala 6×1 ganhou força após mobilização da deputada Erika Hilton (Psol), e já desponta como uma das principais bandeiras sociais com potencial eleitoral para este ano. Nesse cenário, chamou atenção a manifestação favorável do presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Nos bastidores, o gesto é interpretado como um sinal de aproximação do partido com o governo federal e o PT. A proposta, que mobiliza sindicatos e gera alerta no setor empresarial, passa a ocupar espaço central no debate político.

Disputa pela Alesc

Ninguém admite publicamente, mas ao menos três nomes já se movimentam de olho na presidência da Alesc em 2027. Fernando Krelling (MDB), integra a base do governo Jorginho Mello. Mauro de Nadal (MDB) se aproxima do movimento liderado por João Rodrigues (PSD). Já Camilo Martins (PL) mantém proximidade com Gelson Merísio (PSB), ligado ao campo da esquerda. Um quarto nome nunca sai do radar: o do atual presidente, Julio Garcia (PSD). Embora tenha anunciado pré-candidatura a deputado federal, Garcia segue lembrado como opção para permanecer no cenário estadual.

Encontro

O pré-candidato ao governo do Estado, João Rodrigues (PSD), se reuniu sábado (2), em São Paulo, com ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), num encontro articulado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab. Participaram também o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, o ex-governador Raimundo Colombo e o presidente estadual do PSD, Eron Giordani. O encontro sinaliza o avanço da articulação entre lideranças estaduais e nacionais. Na foto, da esq. para a dir.: João Rodrigues, Caiado e Chiodini.

Modelo de gestão

João Rodrigues elogiou o modelo de gestão de Caiado em Goiás como exemplo de administração focada em resultados, uma referência clara ao discurso que pretende adotar na disputa pelo governo catarinense. Já Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB, cotado para vice na chapa de Rodrigues, defendeu menos confronto ideológico e mais soluções concretas – um recado que também serve ao contexto interno do Estado, onde o MDB ainda discute sua posição definitiva no xadrez eleitoral.

Polícia digital

A deputada Ana Paula Lima (PT-SC) apresentou projeto de lei que estabelece regras para o uso de redes sociais por integrantes das forças de segurança pública, com foco na neutralidade institucional, especialmente em períodos eleitorais. Pela proposta, corporações como polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal terão 180 dias para elaborar normas internas disciplinando a atuação de seus agentes em perfis pessoais. A iniciativa mira diretamente o fenômeno dos “policiais influenciadores” e o uso de fardas, viaturas e símbolos oficiais para ganhar visibilidade digital com possíveis reflexos eleitorais.