Guerra de informação de nova geração; Agenda legislativa; Críticas a Carlos; Sem multa; entre outros destaques

Guerra de informação de nova geração

Quando o Irã resolveu responder a Donald Trump com um vídeo produzido por Inteligência Artificial, que mostrava o presidente americano aguardando numa mesa de negociação até receber um bilhete com a frase “Trump, cale a boca”, seguido de risadas de programa de comédia, o mundo viu o que especialistas já chamam de guerra de informação de nova geração. Vídeos manipulados, criados por IA, usados como propaganda, ataque simbólico e instrumento de influência sobre a opinião pública. Rápidos, baratos, acessíveis e, muitas vezes, indistinguíveis da realidade.

Sei que o assunto pode parecer chato, até antipático para alguns, mas é necessário insistir nele. Este espaço já vinha alertando para esse risco no contexto brasileiro, e agora essa preocupação ganha ainda mais força diante do uso explícito dessas ferramentas em conflitos internacionais.

Se isso já acontece em conflitos de narrativas em uma guerra, o que impede que o mesmo arsenal seja usado nas eleições brasileiras deste ano? No ambiente eleitoral, o impacto tende a ser ainda mais sensível.

A velocidade de produção e disseminação desses conteúdos supera, com folga, a capacidade de resposta institucional. A Justiça Eleitoral brasileira, embora experiente no combate à desinformação, enfrenta um desafio inédito: identificar, comprovar e punir deepfakes em tempo hábil. Quando a resposta chega, muitas vezes o dano está consolidado.

O risco central não está apenas na existência de conteúdos falsos, mas na erosão da confiança. Se tudo pode ser manipulado, tudo passa a ser suspeito. E, nesse cenário, a dúvida se torna tão poderosa quanto a mentira.

Diante disso, a eleição exigirá mais do que regras e fiscalização. A tecnologia avançou, mas a responsabilidade final ainda é humana. A responsabilidade das plataformas é real. A do Estado é urgente. Mas a do eleitor é insubstituível.

Duvidar antes de compartilhar, exigir fontes e resistir ao impulso da indignação instantânea são, hoje, atos de defesa democrática. Num cenário em que a mentira virou produto industrial e a guerra de informação cruzou fronteiras, o ceticismo qualificado deixou de ser virtude e passou a ser dever cívico.

Agenda legislativa

A Fecomércio SC inicia hoje os encontros com pré-candidatos a cargos majoritários. A primeira agenda será com os pré-candidatos ao Senado pelo PL, Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro. O encontro será no Hotel Sesc Cacupé. Na ocasião, o presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac em Santa Catarina, Hélio Dagnoni, fará a entrega da Agenda Legislativa do Sistema Comércio, apresentada em Brasília no fim de março. Os pré-candidatos também receberão cópia de um estudo elaborado pela Fecomércio sobre os impactos da eventual extinção da jornada 6×1 pelo Congresso Nacional. Segundo a federação, a medida poderia resultar na perda de até 27 mil empregos no setor terciário apenas em Santa Catarina.

Críticas a Carlos

O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) disparou contra a pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina, classificando o ex-vereador carioca de “peso de papel”. Kataguiri questionou o que Carlos teria feito de relevante na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Para o deputado, a jogada da família Bolsonaro é de “oportunismo”, já que Santa Catarina é terreno seguro para o bolsonarismo, e a escolha prejudica nomes locais consolidados como a deputada federal Caroline de Toni (PL) e o senador Esperidião Amin (PP). A provocação final foi direta: se a intenção fosse republicana, mandariam Carlos para a Bahia, reduto do PT, para colocar a pele em jogo. Em vez disso, segundo Kataguiri, a família apenas quer garantir a Carlos “oito anos de folga no Senado”.

Absolvido

O ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), foi absolvido em ação judicial movida por uma professora da UFFS (Universidade Federal da Fronteira Sul). Ela pedia indenização por danos morais e a remoção de vídeos publicados pelo ex-prefeito nas redes sociais, nos quais ele a citou nominalmente com linguagem agressiva ao rebater representação feita por docentes ao Ministério Público sobre a política municipal de internações involuntárias. O TJSC reconheceu que o tom foi áspero e incompatível com o cargo, mas entendeu que as falas permaneceram no campo da crítica política – sem falsear fatos, sem imputar crime e sem incitar violência.

Sem multa

O relator, desembargador Marcio Rocha Cardoso, não admitiu o recurso especial, encerrando definitivamente o caso. Com isso, João Rodrigues, pré-candidato ao governo do Estado, se livrou da multa de R$ 10 mil fixados na sentença de primeira instância pelo juiz Marcos Bigolin, da 3ª Vara Cível de Chapecó, e tampouco precisará remover os vídeos. Vale lembrar, segundo a denúncia, transcritos nos autos, o ex-prefeito chamou os professores de “ridículos, ordinários e patifes”.