O que Santa Catarina tem a ensinar ao Brasil; Ex-prefeito; Ficar de olho; Anoreg; entre outros destaques

O que Santa Catarina tem a ensinar ao Brasil

A economia sempre dominou o debate eleitoral brasileiro, mas os ventos mudaram. Segundo pesquisa Genial/Quaest, 27% dos eleitores apontam a segurança pública como principal preocupação, à frente da corrupção (19%) e disputando protagonismo com a economia, mesmo num cenário em que 50% dos brasileiros dizem que a situação econômica piorou. O retrato é duro e revelador: o medo da violência, hoje, fala mais alto do que o bolso.

O movimento não surge por acaso. Nas eleições municipais de 2024, a segurança já apareceu como uma das principais demandas da população. Candidatos foram pressionados a apresentar propostas concretas, dados reais e soluções efetivas. Agora, no cenário nacional, essa cobrança tende a se intensificar. O eleitor quer resultado, quer eficiência e exemplos que funcionam.

É nesse contexto que Santa Catarina se destaca como referência nacional. O Estado registra uma das menores taxas de homicídios do Brasil, cerca de 9,2 por 100 mil habitantes, índice bem abaixo da média nacional.

Por trás desses resultados está a integração entre as forças de segurança. A Polícia Civil, com foco em inteligência, investigação e elucidação de crimes. Ao seu lado, a Polícia Militar garante presença ostensiva e ação preventiva, formando um modelo integrado que potencializa os resultados de ambas as instituições.

Quando as forças de segurança trabalham juntas, com planejamento, valorização profissional e objetivos comuns, os números aparecem. Santa Catarina demonstra que esse caminho funciona.

Ex-prefeito

O TJSC manteve o recebimento da denúncia criminal contra o ex-prefeito de Agrolândia, Urbano José Dalcanale, por corrupção passiva, fraude em licitação e participação em organização criminosa. O desembargador José Agenor de Aragão não admitiu o recurso especial da defesa ao STJ, encerrando a tentativa de trancar a ação penal nesta instância. Segundo a denúncia, entre 2018 e 2020 Urbano teria recebido propina mensal de R$ 3.000 a R$ 5.000 do Grupo Serrana Engenharia para garantir contratos com o município – totalizando, em tese, R$ 152 mil em pagamentos ilícitos. A decisão é resultado das investigações da Operação Mensageiro, conduzida pelo Gaeco.

R$ 2 milhões

A defesa alegava que a denúncia era inepta por não descrever com precisão a participação do ex-prefeito na organização criminosa. O TJSC rejeitou o argumento. De acordo com as investigações da Operação Mensageiro, os pagamentos eram entregues em envelopes por um mensageiro, de forma bimestral ou trimestral, após contato prévio para combinar os detalhes do encontro. O esquema envolvia ainda o direcionamento de licitação em favor da Serrana Engenharia, empresa que entre 2018 e 2020 recebeu R$ 2,2 milhões do município de Agrolândia.

Ficar de olho

Santa Catarina pode eleger rostos novos e jovens para a Câmara dos Deputados em outubro. De lados opostos do espectro político, duas vereadoras chamam atenção nos bastidores eleitorais do estado. São boas apostas em suas bases. À direita, Bia Borba (Novo), eleita para a Câmara de Biguaçu pelo PL aos 19 anos. À esquerda, Giovana Mondardo (PC do B), vereadora em Criciúma e suplente de deputada federal – que já sabe o que é chegar perto e quer ir além dessa vez.

Monitoradas

O que une as duas, paradoxalmente, é exatamente o que as separa: a disposição de ocupar espaços em campos políticos onde jovens mulheres ainda são minoria. Bia Borba vem crescendo no ambiente conservador com apoio de peso: o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos articuladores de sua migração para o Novo e segue como padrinho político da jovem liderança. Giovana, por sua vez, construiu sua trajetória nas bases da esquerda catarinense e chega com o capital de quem já esteve na beira do mandato federal. Nos bastidores, os dois nomes são monitorados de perto pelas cúpulas partidárias.

Anoreg

A Associação dos Notários e Registradores de Santa Catarina reagiu às notas publicadas ontem nesta coluna sobre o suposto exercício irregular da advocacia por cartórios e a proposta de CPI na Alesc. Em nota, a entidade afirma que não existe qualquer denúncia formalizada junto ao Judiciário ou à OAB sobre o tema, classificando as afirmações como genéricas e sem respaldo em casos concretos. A Anoreg ressaltou que os cartórios extrajudiciais exercem serviço público delegado, com fiscalização contínua do Judiciário e atuação essencial para garantir segurança jurídica à população.

Mecanismo político

Sobre a CPI, a Anoreg negou a tese de que haveria pressão para desidratá-la na Assembleia Legislativa. Para a entidade, o funcionamento interno do Parlamento e o interesse dos deputados em determinadas matérias são prerrogativas exclusivas da Casa, e a ausência de avanço da proposta indicaria simplesmente a inexistência de fatos robustos que justifiquem a instauração de uma comissão de inquérito. A nota encerrou defendendo que a CPI é instrumento sério, reservado à apuração de fatos concretos, e não deve ser usada como mecanismo de disputa política. Esta coluna segue acompanhando o assunto.